Opinião

Anomalias


Criou-se uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado Federal, não para se apurar desvios, corrupção, malversação, mas para simplesmente ser instrumento político, ideológico e promocional de quem busca o poder nas próximas eleições


  Por Paulo Saab 22 de Junho de 2021 às 16:34

  | Jornalista, Bacharel em Direito, professor universitário e escritor.


Usando a figura já desgastada do marciano que pousa na Terra, mais precisamente no Brasil, olha nossa Constituição e compara com a realidade, pode-se perguntar, o que aconteceria? Certamente, esse marciano não entenderia nada.

São tantas as anomalias vigentes no território tupiniquim que o marciano voaria de volta com medo de contaminação. Não pela covid-19, mas pela insensatez que prevalece em função do uso da manipulação ideológica e partidária na condução de decisões que se tornam estapafúrdias.

A começar da própria pandemia. A manipulação ideológica da profunda crise sanitária chega a ser odiosa. Governantes, políticos, juízes, jornalistas, palpiteiros, qualquer um, se tornou uma autoridade em prescrição, diagnóstico, prognóstico, seja lá o que for, desde que dite cátedra sobre algo que poucos de fato conhecem.

Criou-se uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado Federal, não para se apurar desvios, corrupção, malversação, mas para simplesmente ser instrumento político, ideológico e promocional de quem busca o poder nas próximas eleições e, se possível, antes mesmo, tentando derrubar o atual presidente por conta do ódio pessoal contra quem os tirou do mesmo poder.

Nunca se viu na história da República uma Comissão tão despreparada, comandada por políticos comprometidos até o pescoço com denúncias de corrupção e desejos eleitorais, deslustrando a tradição, no mínimo, de dignidade da Casa.

As anomalias se revelam em bobagens criadas como factoides, do tipo “gabinete paralelo” pelo simples fato de o presidente da República se valer de consultar quem ele deseja a respeito de qualquer assunto. Por definição já é um absurdo.   Buscar impedir um chefe de executivo, pela pressão e pelo policiamento, patrulhamento, de se cercar de opiniões que não sejam as de quem esse grupo deseja, é de um “non sense”  que deveria fazer rir, mas faz chorar pela grosseria de suas colocações.

Outra anomalia: quem deveria defender a lisura dos procedimentos eleitorais se debate como peixe fora da água para impedir que as urnas eletrônicas sejam obrigadas a ter voto impresso para possível auditagem. Quem em teoria é responsável pela honestidade das urnas inverte o raciocínio e diz que auditar a votação é atentar contra a democracia. A escola leninista ainda floresce em solo pátrio. (acuse em seus “inimigos” o que você faz).

O festival não para. A imprensa tradicional, fenecendo pelas novas tecnologias e ausência de milionários subsídios dos cofres públicos, desfila a maior campanha de desinformação e distorção, manipulação dos fatos de que se tem registro no mundo ocidental. Bate, bate, bate, sem dó nem piedade, por ter cão e por não ter cão, na figura do presidente que odeia por não conseguir dobrar. Na mínima reação do apanhador, cria-se o apocalipse. Distorcem a história, aplicando os termos fascista e genocida como palavra de ordem que ofende a memória de quem padeceu dos verdadeiros títeres, inclusive e principalmente, os sanguinários da ideologia que defendem.

Tem mais. Muito mais. Quem promove as anomalias se arvora também no direito de ditar o que pode e não pode. O STF invade áreas fora de sua competência para favorecer quem se opõe ao presidente que derrotou nas urnas, legitimamente, quem os nomeou e a quem obedecem em vendeta inconcebível.

Esse mesmo grupo minoritário de derrotados que deseja de volta o caminho dos cofres públicos e do poder permanente se associa para decidir também no campo do esporte. No Brasil não existe pandemia para a realização do Campeonato Brasileiro, falando de futebol, para a Copa do Brasil, para a Libertadores, para a Sul Americana. Tudo livre e aprovado. Já para a Copa América, porque foi aprovada pelo governo do presidente que odeiam por ideologia, não pode porque vai disseminar o vírus.

Coincidentemente, os torneios que a emissora de televisão que persegue o presidente transmite não propagam vírus. O torneio que essa emissora perdeu, na concorrência, o direito de transmissão, propaga.

Anomalias infindas.

A lista vai longe. A realidade choca, mas é camuflada quando interessa e escancarada quando interessa também.

Fase de hipocrisia, divisão, ódio crescente.

A história um dia colocará tudo em seu lugar.

Até lá e quem vive esse quadro pode ou se deixar contaminar pela inverdade propagada ou contra ela se rebelar, mantendo suas convicções e atitudes de pessoa do bem, séria e que sabe discernir.

Por outro lado, quem está a favor da volta ao poder dos venais, corruptos, criminosos, ideológos da dominação, tende a considerar sem nenhum pudor, que quem com eles não comunga, deve ser extirpado da face da Terra.

O jurista Ives Gandra da Silva Martins, um dos nomes mais respeitados da vida nacional, diz taxativamente que está havendo usurpação de poderes e manipulação política por parte das “instituições”.

Defende o ilustre jurista que o artigo 142 da Constituição Federal atribui às Forças Armadas o poder moderador de manter a ordem e a observância da competência de cada poder.

Para quem está vivendo da anomalia, essa defesa é a anomalia.

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio





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