Opinião

Anestesia geral?


A grande imprensa, hoje uma mídia olhando mais seu próprio umbigo, silencia de forma traiçoeira aos princípios libertários


  Por Paulo Saab 17 de Novembro de 2021 às 17:47

  | Jornalista, Bacharel em Direito, professor universitário e escritor.


Depois de meio século de vida profissional como jornalista, em pleno ano de 2021 fico com um nó na cabeça. O que vale hoje em dia? Estamos todos anestesiados?

Sempre pratiquei e – felizmente - pratico até hoje neste Diário do Comércio (são 39 anos de publicação desta coluna) jornalismo informativo e quando opinativo, caso da coluna, baseado em fatos e não em minha interpretação dos fatos.

Daí a pergunta inicial. Serve para o jornalismo atual e também para a vida nacional.

Os grandes veículos de comunicação se tornaram ou braços de partidos políticos ou órgão de defesa doutrinária deste ou daquele viés ideológico e partidário, sem assumir essa definição. Querem ainda mostrar-se como independentes e isentos quando fazem proselitismo, manipulação, interpretação e desinformação. Estou procurando exceções, como a deste jornal.

No caso da política, leio e releio a Constituição e ela diz taxativamente que o regime brasileiro é o presidencialismo. Inclusive, foi ratificado por plebiscito popular. Nem estou afirmando que é o melhor, mas a Lei Maior do país diz que é presidencialismo.

Leio, então, um membro do Supremo Tribunal Federal, aliado a outros pares seus e ao presidente da Câmara dos Deputados, afirmarem que no Brasil de hoje estamos num semipresidencialismo, como onde o Supremo exerce o papel de poder moderador.

Procurei em vão esta prerrogativa na Constituição Federal e nada encontrei.

Fica um nó em minha cabeça.

Pela mesma Constituição, o papel do STF é o de proteger e fazer cumprir a própria Carta Magna. Esta diz que o Brasil é presidencialista.

O que o STF e o Parlamento, com apoio de partidos políticos, estão fazendo, não é violar a Constituição, ao definirem de per si uma alteração no regime de governo do país? Sem um voto, sem um mandato, apenas por assim entenderem, por ser vontade própria alienada do que pensa a população?

Somente com estas duas questões coloco perante o leitor (alguns fiéis de quase 4 décadas) o porque das dúvidas que me assolam a esta altura da jornada.

STF, poder moderador?

Câmara e Senado aceitam? Apoiam? Partidos políticos aplaudem?

Tudo isto sem uma proposta de alteração da Constituição que tenha tramitado de forma legal? Tudo isto sem ouvir o que a população pensa a respeito?

Alguma coisa está profundamente errada, fora do lugar e tem cheiro de golpe branco de estado.

E complica de vez quando a antes chamada de grande imprensa, hoje uma mídia olhando mais seu próprio umbigo, silencia de forma traiçoeira aos princípios libertários, legais e formadores, quando se omite ou apoia de forma velada ou ostensiva.

É a reação em conluio do chamado “sistema” contra um governo legitimamente eleito, com uma proposta definida e clara, de buscar acabar com a corrupção e os conchavos espúrios da vida pública?

Ando tentando entender, embora a resposta esteja cristalina à frente de todos, e como Rui Barbosa, chego a duvidar de mim mesmo, de 50 anos de jornalismo honesto, de crença na decência do homem público pátrio. Ah. Sim, do homem e da mulher, porque agora até a língua estão mudando nos artigos e no comum de dois.

Cícero disse no antigo Senado romano: Ó tempores Ó mores.

O que ele diria vendo o Brasil de hoje?

Estranho silêncio obsequioso das pessoas de bem, que pensam, discernem, ao aceitar que aos poucos, o gramscismo vá se infiltrando e dominando o país. Até dominar também sua população e dizimar de vez nossa liberdade.

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio






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