Opinião

Além dos propósitos e das ilusões


Do legado do PT, não há uma só iniciativa que não tenha gerado desconfiança, ressentimento e divisão entre os brasileiros


  Por Sérgio Paulo Muniz Costa 01 de Setembro de 2016 às 11:28

  | Historiador


Depois de treze anos no poder, o PT não deixou uma só obra que não tenha sido tocada pela corrupção.

Em seu legado, não há uma só iniciativa que não tenha gerado desconfiança, ressentimento e divisão entre os brasileiros. Do PT, restam apenas os destroços do projeto político que esbanjou ilusões com os piores propósitos.

O problema que ficou é todo nosso, dos brasileiros. Se as reações de governos e imprensa estrangeiros ao afastamento definitivo da presidente da República denotam a importância global e regional do Brasil, elas mostraram também como ele é desconhecido lá fora na sua maneira peculiar de ser.

Claro que nesse desconhecimento internacional há uma pontinha de  ciúme com o quê o Brasil fez e uma discreta inquietação com o que ele pode fazer com isso.

Não houve nenhuma tragédia, ruptura institucional ou quartelada que nos pusesse naquele chiqueirinho de republiqueta que convêm a alguns nos colocar. E o Brasil, com seu tão criticado modelo político, mostrou que é possível trocar o governo sem deixar de ter um, dentro da Lei.

Agora, as expectativas da sociedade brasileira se voltam para a retomada do crescimento de sua economia e para o encaminhamento de seu desenvolvimento  integral. Por sinal, muito mais urgências do que expectativas.

Entretanto, por mais que o Brasil por vezes exaspere até a nós brasileiros, como ocorreu de sobra ao longo desses nove meses de processo de impeachment, passando pela defesa catatônica de Dilma, há que aceitarmos que não existe maneira de fazer o futuro do País ao largo do que ele é.  

Isso demanda uma enorme quantidade de habilidade, competência e vontade. O Brasil precisa, urgentemente, talvez desesperadamente até, fazer o certo, da maneira certa, por ele mesmo.

E em um ambiente de grande competição pelo poder, como é o cenário politico brasileiro, é necessário reconhecer que para tanto faz-se necessário outro  ingrediente.  

Depois de muito tempo, não se sabe mesmo desde quando, o Brasil tem um governo profissionalmente político que tem à sua disposição notável competência técnica acumulada de desastres que experimentamos nas últimas décadas, os quais ninguém deseja ver estendidos às gerações futuras.

Desafios a um país com o tamanho e as complexidades do Brasil não cabem em livro algum, muito menos em fórmulas e slogans.

Ao Brasil não resta fazer outra coisa se não começar de novo, conduzido por um governo movido pelos melhores propósitos e que não venda ilusões.

Para isso o novo presidente vai ter que enfrentar o seu próprio  desafio, o que se apresenta a qualquer político que deseja ingressar naquele seletíssimo círculo dos estadistas. Diferentemente do que nos aconteceu até pouco tempo.

Ter astúcia, mas para o bem.

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