Opinião

Ajustes do Banco Mundial e as reformas


É preciso que nossos governantes percebam que chegou o momento de enfrentar o Século XXI, porque estamos mais para Estado dinossauro do que para nação moderna


  Por Roberto Mateus Ordine 29 de Novembro de 2017 às 16:31

  | Advogado e vice-presidente da ACSP e Facesp


No dia 11 de novembro o Banco Mundial publicou relatório sobre a eficiência e equidade do gasto público no Brasil, demonstrando ser necessário ao país tomar providências urgentes para ajustar as metas financeiras.

Apesar de existirem pessoas que não concordam com essa ingerência, o alerta do Banco Mundial é normal e já vem sendo feito com certa frequência para outros países e até mesmo para nós, em tempos passados.

Mas não deve ser só por isso que o Brasil precisa ajustar suas contas orçamentárias.  É preciso que nossos governantes percebam que chegou o momento de dar uma virada nesse país para enfrentar o Século XXI, porque estamos mais para Estado dinossauro do que para nação moderna.

Reformar é preciso para tornar o Estado menor e menos oneroso para a população mais pobre. Aliás, este foi o ponto principal daquela análise, economizar parte do orçamento sem prejudicar o acesso e a qualidade dos serviços públicos.

Votar as reformas propostas e diminuir o tamanho do Estado são dois elementos fundamentais para se economizar recursos em favor de programas sociais sem cair no populismo barato dos governos anteriores, que quase transformou nosso país numa Venezuela.

Por tudo isso, o governo precisa mudar o atual quadro, colocando nossa economia no rumo certo, acabando com os excessos de um lado e os privilégios de outros, ambos os resquícios da era colonial.

Exatamente por isso é que não se pode aceitar o argumento de parte de nossa classe política, que em ano de eleição não haverá quórum para aprovar as propostas de reformas, entre as quais se encontra a reforma Previdenciária.

Ora, esse argumento fere o juramento que fizeram ao tomar posse de seus cargos. Todos foram eleitos para cumprir suas funções até o último dia de seus mandatos, não se admitindo a exclusão da obrigação de votar a reforma, por causa do medo de não serem reeleitos.

A verdade é que o excesso de pessoas que oneram a folha de pagamento do governo pode complicar o orçamento da União nos próximos anos, em detrimento da população mais pobre que poderá ficar sem receber sua aposentadoria, como já está acontecendo no Rio de Janeiro, em razão da imprudência dos governantes anteriores.

O momento, portanto, é de decisão para saber se queremos manter o Brasil no quadro dos piores países do mundo, ou ajudar a resgatar sua posição entre os países em desenvolvimento.

Por tudo isso é que os políticos, incluindo a oposição, precisam cumprir seu dever votando a reforma para salvar a Previdência social de possível desastre nos próximos exercícios.

O Brasil vem em primeiro lugar.  

 

*As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio