Opinião

A resposta do Brasil


Mais uma vez, intelectuais e artistas fracassaram no seu papel de explicar o Brasil. Foi o público do eterno Maracanã, e não eles, que, com cantos, aplausos e vaias, fez a narrativa do Brasil mostrando que o País está mudando, até para ser o que é


  Por Sérgio Paulo Muniz Costa 08 de Agosto de 2016 às 09:00

  | Historiador


O Brasil deu a sua resposta, ao mundo e a ele próprio, na bela abertura da Rio 2016. Uma resposta, sem dúvida, bem maior do que a movida pela obsessão da esquerda em dominar a narrativa, como se viu no show na noite da sexta-feira passada.

Mais uma vez, essa narrativa não correspondeu à realidade. 

Na da imigração, a eurofobia esquerdista apagou da História do Brasil as colônias italiana e alemã, das maiores e mais antigas que se somaram à nossa formação*. 

Mas foi uma pena para os ideólogos que a realidade do desfile deslumbrante de La Bündchen tenha lembrado que somos também uma extensão de muitas Europas. Felizmente, na última hora, faltou-lhes coragem para “assaltá-la” em plena passarela.
 
No mundo real da música, o público que não teve a chance de cantar à capela o Hino Nacional previamente desidratado, cantou o que gostou, enchendo o Maracanã com a versão original de um hino informal que festeja a brasilidade, por mais que tenha desaparecido a “nêga Tereza”. 

Ary Barroso que se cuide, pois a próxima desaparecida pode ser a “morena boa de sandálias de prata”.

Mais uma vez, intelectuais e artistas fracassaram no seu papel de explicar o Brasil. Foi o público do eterno Maracanã, e não eles, que com cantos, aplausos e vaias, fez a narrativa do Brasil mostrando que o País está mudando, até para ser o que é.

De uma presidente da República que se achou acima dos apupos que desandaram em xingamentos, passamos a um presidente que engoliu as vaias dirigidas não somente a ele, mas também à classe política. 

Em meio a uma crise sem precedentes e depois de tantos descalabros, a distância entre uma coisa e outra não é pequena.

Porém, bem maior do que a diferença entre xingamentos e vaias é a distância entre o que aconteceu na sexta-feira e o que poderia ter ocorrido, não só na abertura das Olimpíadas, como também na Copa de 2014, caso o PT continuasse a enganar o País. 

Teríamos, com certeza, a exaltação do socialismo moreno em cores bem mais rubras do que os vermelhos que surgiram, um tanto deslocados, no Maracanã na noite de sexta-feira. 

A distância entre um cenário e outro pode ser grande, mas a explicação é curta: poder.

O que não impede a esquerda de continuar a tentar impor a sua narrativa, não só do passado, como do presente, esta, a do “golpe”. 

Tietada internacionalmente pela mesma imprensa de sempre e protegida pelo aparato pseudointelectual enraizado no País, a versão chique dessa esquerda que tentou manipular a festa de abertura estava faceira com a narrativa vendida como gambiarra.

Estava mesmo esfuziante, como se tivesse pregado uma boa peça que ninguém percebeu.

Ela não notou que a protagonista foi a população que cantou o País em que mora e disse isto aqui o que é: um Brasil que ainda que não tenha encantado o mundo, não perdeu a capacidade de fazê-lo. 

Essa esquerda continua a escrever suas narrativas, mas não lê a realidade e quer reescrever a História; aquela mesma esquerda que continua a cantar as músicas que ela acha certas, mas não ouve ninguém e quer impor como o País deve cantar as músicas que ele ama. 

Mais uma vez, não foi a esquerda quem deu a resposta do Brasil. Por  mais que ela insista na ideologia da dominação e na imagem da divisão, o que se viu foi o Brasil espontaneamente mestiço, estruturalmente alegre e transbordante de alegria que ele é.
Esta foi a resposta do Brasil. 

 

*  Até 1929, 1.485.000 italianos (desde 1870), 1.321.00 portugueses (desde 1880), 583.000 espanhóis (desde 1890), 223.000 alemães (desde 1824) e 86.000 japoneses (desde 1908), e até 1920, mais de 58.000 árabes (desde 1871), a maioria destes cristãos fugidos de perseguições religiosas (Brasil: quinhentos anos de povoamento. IBGE: Rio de Janeiro, 2000).

 

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