Opinião

A mudança do jogo do poder


É melhor ter o PT acuado, até desesperado, arrastando os dedos no carpete, do que como vinha sendo: levando o país para uma dominação permanente,


  Por Paulo Saab 19 de Agosto de 2015 às 12:30

  | Jornalista, Bacharel em Direito, professor universitário e escritor.


Em meio à maior crise que o país já viveu desde que se tornou República, envolvendo a economia, a política, a credibilidade do governo, o social, as relações internas e externas (Itamaraty não paga dívidas) e outras tantas decorrentes das gestões ineptas e corruptas do PT, um detalhe precisa ser destacado, porque é positivo, mesmo com alto preço a pagar, para o país.

Até a véspera da eleição presidencial do ano passado, o PT (e aliado$ de interesse) davam as cartas no jogo do poder. Tinham em suas mãos a agenda e comandavam as ações, subjugando o Judiciário e o Legislativo e governando muitas vezes acima da Constituição.

Tantos foram os desmandos acumulados, a candidata à reeleição mentiu tanto, seu partido fantasiou de forma tão fora da realidade, que a somatória dos malfeitos e a incapacidade de gerir um país unido (Lula o dividiu e agora prega união) fez transbordar a paciência dos brasileiros.

A volta da inflação controlada após o Plano Real, que Dilma destruiu, o aumento do desemprego, do custo de vida, a falta de seriedade no trato da coisa pública e o nível de corrupção nunca antes visto na história deste país transbordaram, vazaram pelo ladrão (não falo dos atos petistas), o aparelhamento do Judiciário, a “compra” do Congresso, se somaram a tudo mais e levaram como deveria ser o PT e seus áulicos, para a defensiva.


Saíram da arrogante posição superior que sempre tiveram (mas não perderam a arrogância) para se defender do brado nacional de revolta contra o mal que causam aos brasileiros.

Os argumentos que antes usavam para tentar desestabilizar os governos de Collor e FHC, agora usados contra eles, como base nos fatos verdadeiros, são chamados de golpistas.


O PT perdeu-se no espaço e no tempo. Perdeu a noção do que é de verdade, certo e errado. E, no jogo do poder, chafurda agora na canalha limosa dos sem razão. Querendo ainda falar grosso, mostrar-se impoluto, quando a lama o cobre até o cabelo.


Com a reviravolta do jogo, Dilma e Lula e a companhia ilimitada que dilapida o país começou a se mexer desordenadamente. Como não têm plano de governo, mas de poder, fazem o que sabem fazer: usar recursos públicos para cooptar bases, aliados, buscando estabilizar o que já se diluiu.


Dilma agora vai até a batizado de filhote de urso. Aparece nos almoços, promove jantares, mesmo estando esquálida com o regime importado que faz.

E, desesperada, já começa a deixar no carpete dos palácios (Planalto e Alvorada) a marca dos dedos se arrastando para não ser puxada para fora.

Mas já é irreversível. Não tem mais volta. Vai acabar saindo, ainda que seja pelo término do mandato, mas absolutamente desqualificada como governante. E com o país arrasado.

Tivéssemos uma oposição consistente, forte, organizada, e a história seria outra.

A única voz que ainda provoca alguma repercussão é a de FHC. Os demais tucanos, também sem plano de governo, batem cabeça buscando extrair proveito do fato de o PT ter ido –sem volta- para a defensiva.

Ainda assim, é melhor ter o PT acuado, até desesperado, arrastando os dedos no carpete, do que como vinha sendo: levando o país para uma dominação permanente, gramsciana, destruindo os valores nacionais para implantar ideologias mortas, exóticas, anacrônicas, mas capazes de mantê-los no poder –e assaltando o brasileiro- sem dó nem piedade, em nome de defendê-lo.