Opinião

A ideia do mal


O terrorismo está prosperando porque ele se tornou simples, barato e endêmico, e nem por isso, menos mortífero


  Por Sérgio Paulo Muniz Costa 22 de Julho de 2016 às 08:33

  | Historiador


Quem é terrorista? Afora ser uma pessoa disposta a tirar vidas para impor a sua vontade à sociedade, além de acreditar na violência para mudar a sociedade, mais do que o resultado de um desajuste, de uma frustração ou de uma patologia, terrorista é a personificação do mal com causa.

No playground ideológico que foi reaberto depois do anúncio da prisão preventiva de brasileiros suspeitos de terrorismo em território nacional, instalou-se a polêmica fútil se eles são terroristas ou não, como se fosse isso o que está em jogo às vésperas das Olimpíadas no Rio de Janeiro.

O terrorista não é ninguém, até ele cometer o ato criminoso que lhe dará fama, que vazará seu ódio ou justificará sua vida sem sentido. Ele não é ninguém antes disso.

Na maioria dos casos é um deslocado no seu grupo social, algumas vezes com passagens pela polícia, em outras com histórico de violência doméstica, mas sempre, em qualquer situação, um completo nada em si mesmo.

A lei que autorizou a prisão dos suspeitos em tela não é contra o terrorista, é contra o terrorismo, havendo uma distância moral entre uma coisa e outra, pois o objeto da lei é um mal que se deseja evitar.  
E isso só se faz evitando que aquele nada seja alguém à custa das vidas alheias.

Não há mais tempo, espaço e paciência para discussões bizantinas sobre o que é o terrorismo. Todo mundo de bom senso sabe perfeitamente o que é.

Só os seus promotores, admiradores e exploradores têm interesse em deslocar o foco da questão crucial e urgente que é prevenir o terrorismo.

Tampouco para discutir quem é ou não terrorista. Não há a menor dúvida que é errado ofender, discriminar ou ameaçar alguém, ainda mais publicamente, apelando à violência e contra uma coletividade, no caso, a nossa sociedade. Quem o fizer deve responder à lei.

Foi-se o tempo em que o terrorismo era uma ação primordialmente complexa, levada a efeito contra grandes alvos, elaborada com sofisticação e realizada por agentes bem preparados

O terrorismo está prosperando porque ele se tornou simples, barato e endêmico, e nem por isso, menos mortífero.  

Mas ele não pode continuar a ser cada vez mais o escape do zé-ninguém a serviço dos que estão contra tudo e contra todos.

Por certo, continuarão a acontecer grandes conspirações terroristas, bem como  as correspondentes operações antiterroristas, mas a reação ao terrorismo deve vir do combate à ideia, antes do combate à ação.

Contrariando o complexo de vira-lata que nos assola, na batalha que está se preparando para travar nos próximos dias contra o terrorismo, o Brasil pode ter oferecido ao mundo um bom exemplo de como começar, ou recomeçar, essa luta.

Antes de se materializar em morte e destruição, o terrorismo é uma ideia, e como ideia do mal deve ser combatida e vencida.