Opinião

A grandeza do momento


O Brasil não pode esperar mais. O Legislativo e o Judiciário não devem prorrogar, a nenhum pretexto, o vazio de poder


  Por Aristóteles Drummond 20 de Abril de 2016 às 15:45

  | Jornalista


Os atores da crise brasileira não têm o direito da postura emocional e insensível de fazer o país ver adiadas etapas do processo aberto no Senado Federal.

Não é justo, diria até que nem humano, que o ambiente continue a inibir a retomada do crescimento. Afinal, estamos em meio a uma crise na economia que desemprega aos milhões de chefes de família, do encerramento de atividades no comércio, na indústria e nos serviços.

A opinião pública, amadurecida e informada, não aceitará que disputas políticas, alimentadas pelas ambições e convicções ideológicas equivocadas, aprofunde uma crise que está custando e pode custar ainda mais, em termos de sacrifícios para parcela majoritária da população.

A decepção com os políticos e as dificuldades que se apresentam exigem palavras e atos de esperança, e não divisão.

As forças mais responsáveis da sociedade já têm juízo formado. O Brasil tem de optar pelo chamamento ao empreendedorismo, seja do microempresário, grandes corporações nacionais ou multinacionais.

Para tal, neste mundo tão competitivo, é preciso senão diminuir racionalizar os impostos, modernizar a legislação trabalhista e regular as relações sindicais.

São mutas as grandes empresas, inclusive estrangeiras, constrangidas pela interferência de sindicatos, diretamente ou através de próceres governamentais, nas relações trabalhistas do setor privado.

Uma grande indústria, em dificuldades em função da crise, recebeu pedidos para suspender a demissão de mais de dois mil trabalhadores ociosos.

A tal ponto do emprenho que a renegociação de dívidas foi usada como instrumento de pressão. Inaceitável, inacreditável, mas sinal dos tempos que vivemos.

Não se constitui, portanto, em surpresa que, mesmo na América Latina, estejamos atravessando processo de desaceleração superior a de países como Colômbia, México, Peru, até o pequenino Paraguai.

O Brasil não pode esperar mais. O Legislativo e o Judiciário não devem prorrogar, a nenhum pretexto, o vazio de poder, quando não temos governo em condições de tomar providências urgentes para o atendimento de suas obrigações.

Este é o desafio dos dias que vivemos. Crime maior será um processo estéril em torno de detalhes  alheios ao drama nacional.
O rito deve ser o mesmo do caso Collor.

Percebeu-se o desencanto da população quando assistiu à postura da grande maioria dos deputados, que votavam em nome de familiares e cidades, quando o voto deveria ser, sempre, e exclusivamente, pelo bem do país.

Dignos os que se limitaram a emitir o voto, sem maiores explicações. E triste os que chegaram a falta de decoro na violência e até grosseria de mensagens inoportunas.

Paz, objetividade e muito trabalho. É o que precisamos, pois o momento é grave.