Opinião

A culpa é do EBITDA


Ebitda é a sigla em inglês para earnings before interest, taxes, depreciation and amortization


  Por Paulo Saab 14 de Setembro de 2015 às 04:00

  | Jornalista, Bacharel em Direito, professor universitário e escritor.


Permita-me o estimado leitor (e certamente, usando o comum de dois, refiro-me também à estimada leitora) explicar-lhe, utilizando-me da Wikipédia, para os que não conhecem, o que é a Ebitda.

Ebitda é a sigla em inglês para earnings before interest, taxes, depreciation and amortization, que traduzido literalmente para o português significa: "Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização" (Lajida). Termo muito utilizado por analistas financeiros na análise de balanços de contabilidade de empresas de capital aberto.

Para se chegar ao Ebitda de uma empresa ou empresas, é preciso utilizar a seguinte conta: receita bruta (gerado pelos ativos operacionais) menos as despesas operacionais, excluindo-se destas a depreciação e as amortizações do período e os juros. Dessa forma, é possível avaliar o lucro referente apenas ao negócio, descontando qualquer ganho financeiro (derivativos, alugueis ou outras rendas que a empresa possa ter gerado no período).

São também retirados para a apuração do Ebitda os juros dos empréstimos que muitas vezes as empresas contratam para alavancar as suas operações, sendo assim, é importante ter em conta que o Ebitda pode dar uma falsa perspectiva sobre a efectiva liquidez da empresa.

Essa "purificação" dos números que representam o lucro da empresa vai além da retirada dos acréscimos referentes à rendas acessórias ou amortizações. No entanto, o Ebitda nada diz sobre a qualidade dos lucros.

Esse indicador é capaz de retirar, também, distorções referentes à maior ou menor incidência de impostos, decorrentes de incentivos ou majorações fiscais, razão pela qual é muito utilizado para comparar empresas de setores ou portes distintos, ou ainda aquelas que residem em países diferentes, cuja carga tributária possa divergir bastante.

Por eliminar os efeitos dos financiamentos e das decisões meramente contabilísticas, a sua utilização pode fornecer uma boa análise comparativa, pois mede a produtividade e a eficiência do negócio. Como percentual de vendas pode ser utilizado para identificar empresas que sejam mais eficientes dentro de um segmento de mercado. Tem como função, também, determinar a capacidade de geração de caixa operacional da empresa.

No Balanço Funcional equivale ao Lucro Operacional.

Pois bem, introduzido o leitor no conhecimento do que é o Ebitda, apresso-me em justificar o porquê de tão técnica explicação.
O Ebitda do setor público, do governo, é o chamado Superavit Primário.

Coisa que o governo brasileiro, do  advento da metade do segundo mandato de Lula até  o presente momento de Dilma, persegue ficando cada vez mais distante por razões, valendo-me dos economistas renomados, que o próprio governo criou ao administrar de forma equivocada e incompetente, a economia do país.

Na verdade, trocando em miúdos, trata-se da apuração do lucro efetivo do negócio. E, no governo petista, a gestão publica tem sido um “negócio” apenas para os próprios membros corruptos do governo, seus aliado$ na iniciativa privada e em ministérios, autarquias, onde o braço da gula partidária, que financia a permanência dos mesmos no poder, se estende.

Pela mudança feita pelo PT na chamada “matriz econômica” do país, ou seja, levando a economia para o lado estatista,em que o Estado predomina,minando a vitalidade da liberdade de empreender e da competição de mercado, somando aí o viés ideológico do populismo com dinheiro público, o país caminhou rapidamente para o atoleiro onde se encontra.

Sem superávit primário, portanto, sem Ebitda, na contabilidade pública, fica claro que a culpa de tudo é da própria sigla. Porque o PT nada sabe, nada fez, não tem ideia de onde está e do que acontece. Simples assim. Desde que os cofres partidários e de alguns amigos do rei estejam abarrotados de dinheiro público desviado, vistos como “contribuições legais e aprovadas pela justiça”.

A desfaçatez que tomou conta do cenário político nacional se resume na absurda ausência de mínimo prurido moral do artífice de toda maldade que alcançou o povo brasileiro na última década.

Em 2008, na presidência da República, Lula exortou como conquista da nacionalidade o recebimento do grau de país confiável dado pela mesma agência internacional que agora o retirou. Só que agora, para o mesmo apedeuta, isto não significa nada.

Quem não vai significar nada nos livros de História do futuro, será a passagem desastrosa, criminosa, de um partido e seus asseclas, cuja principal parte de cúpula já foi condenada por corrupção e cumpre pena (Dirceu, Genoíno, Cunha e outros menos votados).

Parece placa de cemitério do interior: “Nós que aqui estamos (na cadeia), por vocês (Dilma, Lula, e outros) esperamos”.

Ou como diz a letra da música, na interpretação sempre brilhante de Agnaldo Rayol: “Ouço tua voz que me diz te espero, te espero, quero morrer para unir-me a ti.”.

E a culpa, finalmente, vai para o Ebitda.