Opinião

A blitzkrieg petista


A operação relâmpago para soltar Lula não deu certo porque suas pontas de lança foram quebradas em Porto Alegre e Curitiba, antes que as tenazes se fechassem sobre Brasília


  Por Sérgio Paulo Muniz Costa 09 de Julho de 2018 às 17:08

  | Historiador


A manobra acontecida nesse domingo para libertar Lula pode ser vista como uma ação da guerra relâmpago que o PT decidiu travar contra o Estado brasileiro.  

Sincronizando meios políticos, jurídicos e do seu aparelho infiltrado em vários setores da sociedade, desencadeou um potente ataque cujos objetivos ainda não estão claros.

Os autores do plano sabiam que não tinham “infantaria” e “artilharia” suficientes para conquistar e  consolidar o seu objetivo manifesto, a soltura de Lula, uma vez que vigorosos contra-ataques viriam do estamento judicial e da opinião pública.

Trataram então de aplicar os meios de que dispõem, “aviação” e “blindados”, para obter, pela surpresa e velocidade, o efeito decisivo que atingisse o centro de gravidade do inimigo, no caso em tela, as eleições de outubro.

O risco assumido pelos petistas e o peso que colocaram na ação indicam que acreditavam na possibilidade de sucesso de seu plano. Mas existem nessa maquinação aspectos perturbadores, muito mais graves do que o descarado desprezo à lei pelos que a levaram a cabo.

Para que a tentativa de libertação de Lula fosse realmente bem-sucedida, era necessário que, em poucas horas, ele fosse colocado fora do alcance das autoridades judiciárias brasileiras, voltando à cena eleitoral como pré-candidato de fato.

Avaliando a envergadura da bem concatenada operação que foi perpetrada ontem (8/07), dá para desconfiar que o seu objetivo primário estava bem além de São Bernardo do Campo, o local da sede do sindicato dos metalúrgicos para onde seria levado Lula uma vez solto, como anunciou o presidente do PT no estado, ao convocar sindicalistas para ali se reunirem.

Esse destino não faz muito sentido, pois, de volta àquele prédio, Lula poderia ser preso novamente, tão logo fosse cassada, como meridianamente foi, a decisão ilegal do magistrado de plantão no TRF-4. Ademais, não foi pequeno o desgaste da pajelança ali encenada em abril. Repeti-la poderia ser fatal aos planos de Lula e do PT.

Daí ser lícito supor que essa operação tivesse por real objetivo colocar Lula distante de São Bernardo, provavelmente ao abrigo de uma embaixada bolivariana no Brasil ou, pura e simplesmente, fora do País.

Não é difícil imaginar em que estado o País acordaria hoje, com Lula confortavelmente instalado na embaixada cubana ou venezuelana em Brasília, dispondo de todas as facilidades de mídia e de propaganda para agravar o caos nacional. A confusão na pequena Honduras causada pelo chapeludo Zelaya patrocinado por Chávez e protegido por Lula iria parecer brincadeira de criança.

Confusão também valiosa para o PT com Lula posando de refugiado político em Havana, Caracas ou alhures, paparicado pela esquerda internacional e idolatrado pela nacional dedicada a escarnecer do que teria sobrado da justiça brasileira. .

É de se especular também que meios estariam à disposição de Lula nessa ação mirabolante de ontem. Por certo não seriam desprezíveis e tampouco ortodoxos.

Como ensina a doutrina e história militares utilizadas nesta construção metafórica, a operação relâmpago não deu certo porque suas pontas de lança foram quebradas em Porto Alegre e Curitiba, antes que as tenazes se fechassem sobre Brasília.

Pois bem, qual a lição colhida? Existe uma?

Sem dúvida que sim.

A política de um país não é uma guerra, ao contrário do que pensam alguns dirigentes e militantes.

Um partido político brasileiro legalmente organizado não pode continuar a promover uma guerra contra o Estado nacional para fugir à responsabilização por provada e comprovada corrupção.

É mais do que tempo de se considerar, por quem de direito, a cassação do registro do partido que assim procede.

*As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio