Negócios

Zema vai fechar 17 lojas no interior do país


Falta de cliente leva a rede de Araxá, especializada em eletrodomésticos e móveis, a enxugar a operação. Em setembro, receita nominal da empresa caiu 18% sobre igual mês de 2014


  Por Fátima Fernandes 06 de Outubro de 2015 às 16:30

  | Editora do site Varejo em Dia


A crise econômica mudou os planos de uma das maiores redes de eletrodomésticos e móveis de Minas Gerais, a Zema.

Com faturamento anual de R$ 1,3 bilhão e pouco mais de 500 lojas, a empresa, fundada por Domingos Zema, na cidade de Araxá, em 1923, tinha planos de abrir 35 novas unidades neste ano.

Em vez de crescer, nos últimos meses, a rede foi forçada a fechar 12 lojas e planeja, muito em breve, desativar mais 5 pontos de venda em cidades espalhadas por Minas Gerais, Goiás e São Paulo.

Isso porque nem o bom desempenho do agronegócio, que ajudou a rede a crescer nos últimos anos no interior do país, está levando o consumidor para dentro das lojas.

“Estamos enxugando nossa operação para enfrentar este período de crise”, afirma Romeu Zema, diretor- presidente da rede.

ROMEU ZEMA: "A CRISE NÃO PAROU DE PIORAR"

De janeiro até agora, o faturamento nominal da rede caiu 8%. Só no mês de setembro, a queda chegou a 18%, na comparação com igual período do ano passado. Se considerada a inflação, a queda de receita da empresa é ainda maior.

“Infelizmente, o que estamos sentindo é que a crise não parou de piorar”, diz. Um período semelhante a este, diz ele, talvez tenha ocorrido somente no início da década de 1990, com o Plano Collor, que confiscou dinheiro da população.

Num momento de fraco consumo, as redes de lojas precisam olhar com muito mais atenção os pontos comerciais que não são rentáveis. É o que a Zema está fazendo.

“Estamos adotando a política dos criadores de gado, que não têm interesse em manter no pasto as vacas que produzem pouco leite. Todas as outras redes de varejo estão fazendo a mesma coisa, fechando os pontos comerciais não rentáveis”, afirma Zema.

Outras grandes redes do setor também estão se mexendo para enfrentar a crise. A Via Varejo tem um novo presidente, Peter Paul Estermann. Analistas do Banco Brasil Plural sugerem que a troca na presidência da empresa indica que as operações da rede estão aquém das expectativas, com possibilidade de retração nos lucros da companhia nos próximos dois anos.

A Eletrosom, rede mineira com 184 lojas e faturamento da ordem de R$ 900 milhões, já não resistiu à crise. Recentemente, a rede, com aproximadamente 3.000 funcionários, entrou com pedido de recuperação judicial. Com apenas um fornecedor, estima-se que a dívida da rede é da ordem de R$ 200 mijlhões. 

O saldo entre fechamento e abertura de lojas da rede Zema ainda será positivo. A rede que possui 525 lojas espalhadas pelo interior de Minais Gerais, São Paulo, Goiás, Bahia e Espírito Santo vai fechar o ano com 18 lojas a mais do que no ano passado.

As lojas que estão sendo fechadas, diz Zema, tinham pelo menos um ano e meio de operação, tempo mínimo que a empresa precisa para avaliar se vale ou não a pena manter o ponto de venda.

Para ajudar no processo de melhorar a operação da rede, a família Zema contou com a assessoria do consultor Enéas Pestana,ex-presidente do Grupo Pão de Açúcar, que, por alguns meses, fez um diagnóstico sobre os principais problemas da rede e apresentou soluções.

Novas lojas só foram abertas neste ano, admite Zema, porque havia uma programação. "Daqui para a frente isso acabou”, diz.

Com o fechamento das lojas, a rede reduziu o número de funcionários de 8.000 para 7.200. A partir de agora, a Zema não pretende fazer novas contratações. O quadro não será reposto.

Para enxugar custos, a rede também está renegociando contratos de aluguel. Em média, tem conseguido corte de 10% nos valores, mas há casos em que o custo da locação caiu 20%. “Os aluguéis estavam muito caros e agora deverão ficar em patamares mais realistas.”

Foto: Divulgação