Negócios

Volume de vendas no varejo sofre queda de 0,3% em junho


Influenciaram a queda os segmentos de supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, de acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio, do IBGE


  Por Agência Brasil 10 de Agosto de 2018 às 09:58

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


O volume de vendas do comércio varejista brasileiro caiu 0,3% em junho deste ano, na comparação com o mês anterior. É a segunda queda consecutiva do indicador, que já havia recuado 1,2% em maio.

Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada nesta sexta-feira (10/08) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o IBGE, o volume de vendas caiu 0,1% na média móvel trimestral, mas apresentou altas de 1,5% na comparação com junho de 2017, de 2,9% no acumulado do ano e de 3,6% no acumulado de 12 meses.

Na passagem de maio para junho, a queda foi provocada pelos setores de supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-3,5%), que interrompeu trajetória de dois meses em alta, e de combustíveis e lubrificantes (-1,9%), que registrou o segundo recuo seguido.

Os cinco dos oito segmentos do comércio varejista tiveram alta no período, com destaque para móveis e eletrodomésticos (4,6%), equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (4,1%).

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Também cresceram os setores de outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,6%), tecidos, vestuário e calçados (1,7%) e artigos farmacêuticos, médicos e de perfumaria (0,9%). O segmento de livros, jornais e papelaria manteve, em junho, o mesmo volume de vendas de maio.

O varejo ampliado, que inclui também os segmentos de veículos, motos e peças e de materiais de construção, cresceu 2,5% de maio para junho, devido a altas de 16% no setor de veículos e de 11,6% nos materiais de construção. O setor também cresceu na comparação com junho de 2017 (3,7%), no acumulado do ano (5,8%) e no acumulado de 12 meses (6,7%).

A receita nominal do comércio varejista apresentou alta 0,6% na comparação com maio, de 5,4% na comparação com junho de 2017, de 4,1% no acumulado do ano e de 3,4% no acumulado de 12 meses.

A receita nominal do varejo ampliado também avançou nos quatro tipos de comparação: 3,4% em relação a maio, 6,7% em relação a junho do ano passado, 6,6% no acumulado do ano e 6,1% no acumulado de 12 meses.

RETOMADA LENTA

Marcel Solimeo, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), projeta uma retomada ainda mais lenta do varejo após a paralisação dos caminhoneiros.

Para ele, dois fatores devem influenciar o varejo e a economia nos próximos meses. “De um lado, a manutenção da taxa básica de juros pode estimular as vendas parceladas de bens duráveis, de maior valor. Mas, por outro, a incerteza no campo político pode postergar decisões de consumo.”

Sobre a leve queda das vendas (-0,3%) no varejo em junho na comparação com o mês anterior, Solimeo diz que a greve dos caminhoneiros foi a principal responsável. “Os problemas ocasionados pela greve abalaram a confiança do consumidor num momento de incertezas externas e, também internas, como as eleitorais.”

Segundo Solimeo, ainda há sequelas da paralisação. “As condições do transporte não estão totalmente normalizadas, prejudicando atividades ligadas à agricultura, por exemplo.”  

IMAGEM: Thinkstock