Negócios

Vendas reais dos supermercados caem 2,5% em abril


No entanto, segundo a Abras as vendas caminham em direção à estabilidade após quedas


  Por Estadão Conteúdo 31 de Maio de 2016 às 12:07

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


As vendas dos supermercados brasileiros caíram 2,5% em termos reais em abril deste ano na comparação com o mesmo mês do ano anterior, de acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Já na comparação com março deste ano, houve queda real de 5,87%.

No acumulado dos quatro primeiros meses de 2016, as vendas do setor aumentaram 0,24% em termos reais ante os mesmos meses de 2015. Todos os valores foram deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

LEIA MAIS: Mais três meses perdidos no varejo

Em termos nominais, a alta nas vendas em abril foi de 6,54% na comparação com o mesmo mês de 2015. Já o resultado acumulado de quatro meses é de crescimento nominal de 10,22% ante o mesmo período do ano anterior.

CESTA BÁSICA

O preço da cesta de itens básicos nos supermercados brasileiros subiu 0,9% em março na comparação com fevereiro deste ano, de acordo com a Abrasmercado, cesta composta por 35 produtos de largo consumo pesquisada pela GfK e analisada pelo Departamento de Economia e Pesquisa da Abras.

O preço total da cesta saiu de R$ 461,12 em março para R$ 465,28 em abril. Já na comparação com março de 2015, o preço subiu 17,36%.

Entre as maiores altas do mês passado estão itens como batata, cujo preço aumentou 17,36% ante o mês anterior, leite longa vida, aumento de 9,85%, e sabonete, com alta de 5,96%. Já as maiores quedas foram encabeçadas por tomate, cujo preço recuou 15,15%, ovo, queda de 4,48%, e carne traseiro, retração de 3,61%.

ESTABILIDADE

As vendas dos supermercados brasileiros estão se estabilizando depois de um período de retração que começou no ano passado, segundo o presidente do Conselho Consultivo da entidade, Sussumu Honda, considerou que a perspectiva para o restante deste ano ainda não é otimista a ponto de se esperar crescimento de vendas ante 2015, mas avaliou que a queda na demanda dos consumidores parece ter chegado ao fim.

"Queremos acreditar que o fundo do poço tenha passado", disse. "Não estamos falando em crescimento ainda, mas talvez em estabilização", comentou.

As vendas dos supermercados brasileiros acumulam alta real de 0,24% entre janeiro e abril deste ano na comparação com os mesmos meses de 2016, de acordo com a Abras. O setor vinha registrando queda nas vendas acumuladas desde julho de 2015.

A análise do acumulado de janeiro a abril, destacou Honda, é importante porque elimina efeitos de calendário relacionados à Páscoa. Considerando-se apenas as vendas do mês de abril, houve queda real de 2,5% ante igual mês de 2015, mas a Páscoa teve mais impacto este ano nas vendas em março, enquanto no ano passado ela impulsionou mais os resultados de abril.

A Abras ainda não revisou sua projeção para as vendas em 2016, que por enquanto ainda é de queda de 1,8% ante 2015. De acordo com Honda, a entidade aguarda o encerramento do primeiro semestre antes de revisar os dados.

Entre os fatores que explicam essa expectativa de fim do ciclo de retração nas vendas, Honda mencionou a melhora nas expectativas dos brasileiros sobre a economia e a formação de uma nova equipe econômica sob o governo do presidente em exercício Michel Temer. Ele considerou, porém, que a perspectiva para o emprego segue ruim e que este é um elemento que afeta diretamente o setor.

"Ainda vemos uma alta do desemprego pela frente, mas há janelas que o novo governo pode abrir, já que este é um governo cuja equipe econômica tem tido mais credibilidade", concluiu. Para o membro do conselho da Abras, a apresentação de novas medidas para a economia tende a "dar um norte" para os investimentos do setor privado.