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Vendas no varejo recuam 0,6% em abril


A queda de março para abril foi provocada por recuos em cinco das oito atividades pesquisadas pelo IBGE, entre elas supermercados e hipermercados. Para a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), recuperação do setor será lenta


  Por Agência Brasil 12 de Junho de 2019 às 10:10

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


O volume de vendas do comércio varejista brasileira caiu 0,6% de março para abril deste ano, segundo dados da Pesquisa Mensal de Comércio, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A queda foi registrada depois de uma alta de 0,1% na passagem de fevereiro para março.

Em abril, também houve uma queda de 0,2% na média móvel trimestral. No entanto, foram registradas altas de 1,7% na comparação com abril, 0,6% no acumulado do ano e de 1,4% no acumulado de 12 meses.

A queda de março para abril foi provocada por recuos em cinco das oito atividades pesquisadas pelo IBGE: hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,8%), tecidos, vestuário e calçados (-5,5%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-0,7%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,4%) e equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-8%).

Por outro lado, três atividades tiveram alta na passagem de março para abril: móveis e eletrodomésticos (1,7%), combustíveis e lubrificantes (0,3%) e livros, jornais, revistas e papelaria (4,3%).

Segundo o IBGE, o volume de vendas do comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos e de material de construção, ficou estável de março para abril. Os veículos e peças tiveram alta de 0,2% e os materiais de construção, de 1,4%.

O varejo ampliado cresceu 3,1% ante abril do ano passado, 2,5% no acumulado do ano e 3,5% no acumulado dos últimos 12 meses (3,5%).

A receita nominal do comércio varejista caiu 0,3% na comparação com março, mas cresceu 0,3% na média móvel trimestral, 7,1% na comparação com abril de 2018, 4,8% no acumulado do ano e 5,2% no acumulado de 12 meses.

A receita do varejo ampliado teve queda de 0,1% na comparação com março deste ano, mas teve altas de 0,4% na média móvel trimestral, 7,4% na comparação com abril do ano passado, 5,8% no acumulado do ano e 6,5% no acumulado de 12 meses.

As vendas do comércio varejista estão 7,3% abaixo do pico alcançado em outubro de 2014, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Comércio referentes a abril, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Tem um longo caminho a ser percorrido para que o varejo retorne às taxas alcançadas em 2014. O ano de 2019 ainda não contribuiu para esse crescimento, na medida em que o varejo teve crescimento zero em relação ao patamar de dezembro de 2018", ressaltou Isabella Nunes, gerente da Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE.

No varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, o volume vendido em abril estava 10,8% aquém do patamar recorde alcançado em agosto de 2012.

LENTA RECUPERAÇÃO

Para a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a recuperação do varejo será lenta.

“A variação mensal é pouco relevante nesse momento porque produz muitas distorções em função das datas móveis. Mas, mesmo na variação interanual, o ritmo de crescimento é bastante lento e insuficiente para fazer a economia crescer. Essa lentidão é resultado de uma queda da confiança do consumidor - que havia crescido no início do ano - e do desemprego ainda alto. O consumo cresce menos do que a massa salarial, indicando que o brasileiro está com receio de gastar”, diz Marcel Solimeo, economista da ACSP.

Ao analisar o perfil das vendas de abril, Solimeo detecta uma possível mudança no gosto e preferência do consumidor. “As vendas de roupas e calçados sempre registraram avanços e, agora, têm recuado. Era o segmento que, depois de supermercados, sempre crescia um pouco. Ao mesmo tempo, os artigos de uso pessoal têm se destacado: foi o ramo que mais cresceu em abril (13,4%) sobre igual mês de 2018 e no acumulado dos 12 meses”, diz o economista.

*Com Estadão Conteúdo