Negócios

Vendas no varejo paulistano crescem só 1,6% no primeiro semestre


Sem dinheiro sobrando, consumidores tendem a comprar produtos de menor valor, afirma Marcel Solimeo, economista da ACSP, ao explicar queda das vendas a prazo


  Por Redação DC 02 de Julho de 2019 às 09:03

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


O movimento de vendas do varejo da capital paulista cresceu em média 1,6% no primeiro semestre deste ano ante o mesmo período de 2018. É o que informa o Balanço de Vendas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Isoladamente, a modalidade a prazo apresentou alta de 0,8%, enquanto que o sistema à vista expandiu 2,3%.

“É um resultado fraco, que reflete o atual momento de inércia da atividade econômica. A perda de fôlego é ainda mais acentuada quando olhamos para o primeiro semestre do ano passado, período em que o varejo havia registrado elevação de 2,9%. Somente novos cortes na taxa básica de juros e reduções no recolhimento dos compulsórios dos bancos poderão reverter essa desaceleração”, afirma Marcel Solimeo, economista da ACSP.

Ele também observa que o desempenho melhor do sistema à vista – que corresponde basicamente a vestuário, calçados, adereços e objetos de uso pessoal – é justificado pela conjuntura macroeconômica.

“As pessoas não têm dinheiro sobrando, portanto, tendem a comprar produtos de menor valor”. Pela mesma razão, o sistema a prazo – que engloba móveis, eletrodomésticos e eletroeletrônicos – cresceu menos.

“O consumidor está fugindo de prestações. A queda da confiança, o desemprego elevado e os juros de mercado ainda altos o assusta”, diz Solimeo, lembrando que a Copa do Mundo do ano passado também criou uma base forte de comparação.

Variação interanual

Em junho, o varejo paulistano apresentou uma retração média de 3,2% sobre o mesmo mês de 2018, sendo -1,2% nas vendas a prazo e -5,2% nas vendas à vista. O resultado é explicado pelos dois dias úteis a menos que junho deste ano registrou.

“O ramo de roupas e calçados é o mais prejudicado, porque até agora não houve inverno”, diz Solimeo. Já nas vendas a prazo, o vilão foi a Copa do Mundo, que no ano passado impulsionou a venda de móveis e televisores.

O Balanço de Vendas é elaborado pelo Instituto de Economia da ACSP com base em amostra da Boa Vista Serviços.