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Vendas no varejo paulista têm queda de 6,4% no 1º semestre


Lojas de departamento e de eletroeletrônicos registraram a maior queda no período, de acordo com levantamento da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)


  Por Redação DC 28 de Agosto de 2015 às 13:36

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


As vendas no varejo paulista caíram 6,4% no primeiro semestre deste ano na comparação com igual período do ano passado, de acordo com levantamento da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). As lojas de departamento e de eletroeletrônicos registraram a maior queda, de 15,3%, no período.

Nos últimos 12 meses concluídos em junho as vendas caíram 3%. Em junho a queda foi de 7,2%, comparada ao mesmo mês de 2014. Os dados foram apurados pela pesquisa ACVarejo, com base em informações da Secretaria da Fazenda da Fazenda do Estado de São Paulo. 

Para Emílio Alfieri, economista da ACSP, os resultados da pesquisa não surpreendem. “Mostram que os fatores macroeconômicos, como a alta dos juros, a restrição ao crédito, o aumento do desemprego e a queda de renda estão desestimulando o consumo”, diz.

confiança do consumidor na economia é uma das piores já registradas. Em junho, segundo levantamento do instituto Ipsos, atingiu 84 pontos. Abaixo de 100 pontos, a pontuação, que oscila de zero a 200, indica pessimismo. 

“O consumidor está muito inseguro e ainda existe a possibilidade de aumento de carga tributária e de criação de novos impostos, que já existiram e foram extintos. O governo deveria fazer o que está fazendo o consumidor: controlar melhor os gastos”, afirma Alfieri.

A previsão de Alfieri, com base no desempenho do primeiro semestre, é que as vendas do varejo paulista devem fechar o ano com queda de 4%, em relação ao ano passado. "Essa queda poderá ser ainda mais acentuada".

Isso porque, na primeira quinzena deste mês, o número de consultas ao SPC e ao Telecheque, que indicam o ritmo de vendas a prazo e à vista, caiu 7,3% em relação a igual período do ano passado.

“A tendência à progressiva contração das vendas deve permanecer devido à deterioração das condições financeiras das famílias, num contexto de maior inflação, menor renda e escassez de crédito, que tem redundado em quedas recordes na confiança do consumidor, diminuindo, portanto, sua disposição para comprar durante o restante do ano”, afirma Alencar Burti, presidente da ACSP e da Facesp (Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo).   

A queda de 7,2% em junho (sobre junho de 2015) foi menos intensa do que nos meses anteriores e é justificada pelo desempenho fraco do comércio paulista em junho de 2014, quando as vendas foram prejudicadas pelas alterações de horários de funcionamento dos estabelecimentos durante a Copa do Mundo.

“A base de comparação é muito fraca. Em 2014, por causa da Copa, tivemos dias parados ou de meio expediente, o que prejudicou o comércio. Portanto, a queda é baixa apenas por fatores pontuais. Os problemas que geraram quedas mais agudas nos outros meses deste ano continuam a existir e tendem a se intensificar até o fim do ano”, afirma Burti.

REGIÕES

As vendas na região Metropolitana do Alto Tietê foram as únicas positivas no Estado de São Paulo, segundo o levantamento da ACSP. Nos seis primeiros meses do ano, as vendas subiram 5,7% em relação a igual período do ano passado. Na contramão, as quedas mais acentuadas ocorreram nas seguintes regiões: Araçatuba (-8,1%), Metropolitana do Oeste (-7,6%) e Campinas (-6,1%).

Em junho, também a única região com saldo positivo no semestre foi a do Alto Tietê (+19,1%). As maiores quedas aconteceram nas regiões de Campinas (-16,8%), Litoral (-13,2%) e Araçatuba (-12,8%).

SETORES 

Na comparação semestral, o segmento de farmácias e perfumarias foi o único a apresentar aumento: +0,7% frente ao primeiro semestre de 2014.

Todos os demais setores sofreram quedas. A maior, de 15,3%, foi registrada em dois segmentos: o de concessionárias de veículos e o que abrange lojas de departamentos, eletrodomésticos e eletroeletrônicos.

No confronto entre junho de 2015 e junho passado, todos os setores da economia analisados pelo ACVarejo ficaram no vermelho. As lojas de departamentos, eletrodomésticos e eletroeletrônicos tiveram o pior desempenho e recuaram 20,8%.