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Vendas no Dia das Crianças antecipam que o Natal será fraco


A queda média de vendas no comércio paulistano foi de 5,7% na primeira quinzena de outubro. Projeção da ACSP aponta um declínio inédito de 6%


  Por Karina Lignelli 16 de Outubro de 2015 às 18:35

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


Neste Dia das Crianças, nem o choro dos filhos fez os pais comprarem mais presentes: as vendas a prazo e à vista do comércio paulistano registraram queda média de 5,7% na primeira quinzena de outubro.

O resultado, medido pelo Balanço de Vendas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), superou o recuo de 5% projetado para o período. A expectativa era de que houvesse um movimento maior no Dia das Crianças

“O Dia das Crianças deste ano teve desempenho pior do que em 2014 e em relação à média histórica”, afirma Alencar Burti, presidente da ACSP e da Facesp (Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo).

No entanto, no movimento das vendas a prazo, houve alta sazonal de 10,8% na primeira quinzena de outubro ante igual período de setembro. Já na comparação com outubro de 2014, a queda foi de 11,6%.   

De acordo com Emílio Alfieri, economista da ACSP, a sazonalidade se explica pela antecipação de compras de itens que podem subir de preço até o Natal. Já o resultado interanual negativo demonstra que a recessão tem se aprofundado aos poucos.

Por sua vez, o movimento das vendas à vista cresceu 26,6% ante os primeiros quinze dias do mês anterior. Apesar dessa elevação sazonal, puxada pela data comemorativa, nos últimos três anos ela se mantinha na casa dos 33%, segundo o economista. 

“O maior crescimento das operações à vista, em relação a setembro, indica que o consumidor deu preferência a artigos de menor valor”, completa Burti. 

Mas na comparação com a primeira metade de outubro de 2014, que teve um dia útil a mais, a queda nas vendas à vista foi acentuada, de 14,3%. 

O resultado indica como será o Natal. A projeção da ACSP aponta para uma queda de 6% nas vendas, um fato inédito em relação aos anos anteriores.

Quem será mais prejudicado, segundo Alfieri, será o setor de bens duráveis, já que, pela pesquisa ACSP/Ipsos, 64% dos consumidores não se sentem seguros para pagar compras por meio do crediário. 

“Isso pede maior cautela dos lojistas (na hora de fazer estoques), já que esse será um Natal de abraços, beijos e...orações”, afirma. 

RENEGOCIAÇÃO MAIS FÁCIL

Segundo o Balanço de Vendas, o indicador de inadimplência registrou queda de 5,1% na primeira quinzena de outubro ante igual intervalo de setembro – um resultado sazonal, já que os consumidores começam o ano mais endividados pelo Natal anterior e, ao longo dos meses, acertam as contas.

Já na comparação com o mesmo período de 2014, houve uma ligeira alta de 0,6% para os atrasos de pagamentos superiores a 30 dias. Em ambos os indicadores, porém, os dados são estimados e estão sujeitos à revisão. 

“Por enquanto, eles foram apurados com base nos critérios anteriores à Lei Estadual 15659/15, ainda sujeita à aprovação”, diz Alfieri. 

Quanto à recuperação de crédito, houve alta de 5,9% na comparação com setembro, e queda de 11,8% ante a primeira quinzena de outubro de 2014.

Mesmo com o bom resultado quinzenal, a queda da recuperação de crédito interanual se deve à base forte de 2014, quando as campanhas de renegociação de dívidas foram bastante eficientes. 

Em outubro do ano passado, segundo Alfieri, a alta na recuperação de crédito foi de 9%. Mas o desemprego era menor: agora, boa parte dos consumidores está sem trabalhar e, por isso, falta dinheiro para quitar as dívidas.

“Apesar de os resultados sinalizarem alta da inadimplência, ela continua sob controle. Mas também indicam que as empresas de recuperação de crédito devem insistir nas campanhas de renegociação, oferecendo condições mais facilitadas para melhorar esses indicadores”, conclui o economista. 

Foto: André Lessa/Estadão Conteúdo