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Vendas no comércio paulistano caem 8,5% em agosto


Balanço da ACSP mostra que o Dia dos Pais fraco e o clima quente, atípico para a estação, derrubaram as vendas dos lojistas no mês passado


  Por Karina Lignelli 01 de Setembro de 2015 às 15:52

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


O clima de verão em pleno inverno e o movimento fraco no Dia dos Pais fizeram o comércio paulistano encerrar o mês de agosto com queda média de 8,5% nas vendas na comparação com igual período de 2014. Os dados são do Balanço de Vendas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). 

Na comparação com julho, o movimento das vendas a prazo registrou em agosto uma ligeira alta de 3,2%. A explicação é que, sazonalmente, há uma elevação nas vendas de móveis e eletrodomésticos a partir do segundo semestre do ano, de acordo com Emílio Alfieri, economista da ACSP.

Por outro lado, no mês passado as vendas à vista caíram 5,3% na comparação com julho. Esse percentual expressivo fez com que agosto, de maneira geral, tenha sido o segundo pior mês do ano para o comércio, depois de fevereiro. Na ocasião, o mês fechou com queda de 9,2% nas vendas devido à redução do consumo, o que é recorrente em época de Carnaval. 

Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) diz que os dados confirmam que o Brasil está sob recessão

“É um resultado preocupante. Vemos claramente que o Brasil está em recessão, o que desaconselha qualquer nova alta de juros, assim como o aumento e a criação de impostos, sob pena de aprofundar a crise ainda mais.” 

Mas, além dos fatores macroeconômicos, como os juros em alta, queda na renda, aumento do desemprego e confiança do consumidor no campo negativo, o clima atípico ajudou a coleção outono-inverno a não decolar nas lojas, diz Alfieri. 

“A expectativa, porém, é que daqui para frente essa queda nas vendas diminua com a entrada da coleção primavera-verão”, afirma. 

RECUPERAÇÃO DE CRÉDITO 

Menos compras, menos inadimplência. O Balanço de Vendas mostra que a inadimplência caiu 8,4% em agosto ante igual mês de 2014 - resultado que reflete também a queda nas vendas a prazo, puxada pela insegurança do consumidor quanto ao emprego e à diminuição na renda.  

No curto prazo, porém, há uma tendência de alta. Em agosto, o indicador subiu 4,7% na comparação com julho. "A inadimplência no varejo ainda se mantém controlada e abaixo dos 5%. A menor demanda por crédito e a concessão mais rigorosa ajudam a manter esse controle”, afirma Alfieri.

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Já a recuperação de crédito, ou seja, o registro de consumidores que “limparam o nome”, caiu 12,1% no mês passado. A hipótese mais provável para a queda é o adiamento da primeira parcela do 13º dos aposentados e pensionistas para setembro, geralmente usada para quitar dívidas próprias, ou para ajudar a quitar a dos filhos, segundo o economista.  

“Com isso, as empresas que ofertam crédito ao consumidor devem adiar os feirões de recuperação também para setembro", diz. 

SEM DÍVIDAS 

Outro levantamento divulgado nesta terça-feira (01/09) confirma os resultados do Balanço de Vendas da ACSP. Com a intensificação das restrições bancárias e a piora do mercado de trabalho, 91% dos paulistanos disseram que não querem contrair dívidas nos próximos meses. Em agosto do ano passado apenas 86% tinham essa intenção.  

Os dados são da Pesquisa de Risco e Intenção de Endividamento (PRIE), elaborada mensalmente pela Fecomércio-SP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo).

Com isso, somente 8,2% dos consumidores de São Paulo planejam contrair dívidas nos próximos meses. Esta é a menor fatia da série histórica da Fecomercio-SP, que teve início em 2012. Em julho deste ano, a taxa de consumidores com essa intenção foi de 8,3%. 

"As condições ruins de emprego, renda e inflação forçam o consumidor a rever planos de aquisições, além de reduzir o orçamento corrente dos lares", diz a assessoria econômica da Fecomercio-SP.

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Os dados levaram o Índice de Intenção de Financiamento dos consumidores paulistanos a registrar queda de 5,7% na comparação com julho, e atingir 17,3 pontos em agosto, mantendo-se abaixo da média histórica de 23,8 pontos. Ante agosto do ano passado, o recuo do índice é de 29,8%.

Por outro lado, a entidade diz que será pouco provável que as famílias escapem da busca por crédito no sistema financeiro, dado o desafio cada vez maior de equilibrar o orçamento doméstico diante da conjuntura adversa. 

Diante do aumento de despesas, o consumidor está resgatando recursos de aplicações financeiras, segundo a entidade. 

Entre agosto de 2014 e agosto de 2015, houve queda de 46,2% para 39% na proporção de entrevistados que diziam ter algum tipo de aplicação.

Sete a cada dez paulistanos que têm o hábito de guardar dinheiro aplicam na poupança. A caderneta, para 69,5% dos entrevistados, ainda é a primeira opção de investimento. 

*Com informações de Estadão Conteúdo

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