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Vendas do varejo sobem 28,9%, mas ainda não dá para comemorar


Desempenho positivo da primeira quinzena de março não pode ser projetado para o fim do mês, já que o resultado foi puxado pelo “efeito Carnaval”, segundo o Balanço de Vendas da ACSP


  Por Karina Lignelli 16 de Março de 2016 às 18:00

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


Uma fotografia do momento. Essa é a conclusão sobre o desempenho do comércio paulistano, que fechou a primeira quinzena de março com alta de 28,9% nas vendas a prazo ante igual período de fevereiro. Os dados são do Balanço de Vendas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), divulgado nesta quarta-feira (16/03).

Apesar da percepção do consumidor de alongamento no prazo de pagamento do crediário, que ajudou a puxar as vendas de móveis e eletrodomésticos, o resultado foi influenciado pelo efeito-calendário, já que a primeira quinzena de março teve um dia útil a mais.

Além disso, houve uma base fraca de comparação, pois a primeira quinzena de fevereiro contou com o feriado de Carnaval, que esvazia o comércio da cidade, segundo Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

"Trata-se, portanto, de uma fotografia do momento. Não é possível dizer, ainda, que o mês de março fechará no azul”, afirma Burti.

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A perspectiva, de acordo com Emílio Alfieri, economista da ACSP, é de continuidade de queda nas vendas - embora a volatilidade (os altos e baixos em curto intervalo de tempo) continue a prevalecer por causa dos juros elevados e das datas móveis (como Corpus Christi),que cairão em meses diferentes.

“Apesar de ajudar nas vendas dos supermercados, a Semana Santa, que cairá na segunda quinzena de março, também deve fazer um contrapeso nessa variação positiva”, diz.  

No caso das vendas à vista, houve uma ligeira queda de 0,9% nos primeiros quinze dias de março na comparação com igual período de fevereiro. A variação, de acordo com Alfieri, ficou praticamente estável.

“O final das coleções de primavera-verão, somado ao período de chuvas, não seduziram mais o consumidor, que continua sem disposição para comprar”, afirma.

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Na comparação interanual, ou seja, ante igual período de 2015, a queda média no movimento de vendas da primeira quinzena à vista e a prazo ficou em 8,85%. “Além de ser um reflexo da queda de 10,4% na massa salarial, o resultado confirma a continuidade de queda nas vendas”, disse Alfieri.

Foto de abertura: Fátima Fernandes