Negócios

Vendas do varejo acumulam queda de 6,7% em 2016


Expectativa da ACSP e Facesp é de redução dos recuos. O comércio deve encerrar este ano sem crescimento


  Por Redação DC 13 de Setembro de 2016 às 18:00

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


A queda de 0,30% do volume de vendas do varejo nacional em julho ante junho evidencia que os efeitos da crise ainda reverberam sobre a atividade.

Nos sete primeiros meses deste ano, o comércio já teve perdas de 6,7% na comparação com igual período de 2015.

O resultados de 12 meses acumulados até julho mostram que o recuo nas vendas foi de 6,8% - que representa a perda mais intensa desde 2001, ou seja, quando foi iniciada a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Se entrarem nesta conta as vendas de veículos, motos, partes e peças e de materiais de construção, o resultado é mais desalentador.

O índice que também engloba esses setores - chamado de varejo ampliado - mostra que a redução nas vendas foi de 0,5% ante junho e de 9,4% nos primeiros sete meses do ano. No acumulado de 12 meses, o prejuízo do varejo ampliado chegou ser de dois dígitos: -10,30%.

Assim, a receita nominal do varejo ampliado - que desconsidera o impacto da inflação - encolheu 0,8% no acumulado de 2016 até julho e 2,1% em 12 meses.

O comércio varejista que não abrange esses setores (veículos, peças e materiais de construção) teve aumento de 4,9% na receita nominal nos sete primeiros meses do ano e de 3,7% em 12 meses. 

Para Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), as retrações das vendas continuam fortes nos varejos ampliado e restrito, em relação ao ano passado. 

"Nossa expectativa é de que a queda vá diminuindo e o mês de dezembro apresente o mesmo nível de dezembro de 2015, ou seja, crescimento zero. Não salvaria o ano - que fechará com retração - mas o primeiro passo para crescer é parar de cair”, diz Burti. 

Ele acrescenta que a tendência de equilíbrio nos próximos meses vai se dar pelo efeito-base. 

“O segundo semestre de 2015 foi muito fraco, o que ajuda com alguma reação nos números em 2016. Assim, poderemos começar 2017 em condições de crescimento, embora modesto”. 

Segundo o presidente da ACSP, há espaço para otimismo quanto ao futuro, já que os principais problemas políticos foram resolvidos e, assim, o Congresso pode debater e aprovar medidas em direção ao ajuste. 

“Espera-se também que o Banco Central comece a diminuir a taxa de juros - mesmo que seja na última reunião do ano - assim que a inflação retomar a tendência de baixa, o que vai destravar a economia e materializar as expectativas”.

De acordo com o modelo de indicador antecedente elaborado pelo Instituto de Economia Gastão Vidigal da ACSP, a perspectiva para os próximos meses é de atenuação da contração do varejo, fechando 2016 com queda próxima a 5%.

Essa atenuação ocorreria devido à base mais fraca de comparação com o ano passado, além da redução dos estoques e da recuperação da confiança do consumidor, frente às mudanças políticas e econômicas.

PRINCIPAIS RECUOS

Segundo os economistas da ACSP, os juros mais altos, a escassez de crédito e a queda da confiança do consumidor, continuam sendo a causa das agudas contrações observadas no varejo,  principalmente nas áreas de veículos (-20%), material de construção (-12,6%), móveis e eletrodomésticos (-12,4%) e equipamentos, material de escritório, informática e comunicação (-12,4%)

Eles destacam que, além das causas anteriores, problemas climáticos provocaram “quebra” da safra agrícola, elevando os preços dos alimentos, e, portanto, afetando de forma negativa as vendas do setor supermercadista (-0,30%) que, conjuntamente com combustíveis e lubrificantes (-0,30%), representa 60% das vendas do varejo restrito. 

Até mesmo o segmento artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, de natureza imprescindível, apresentou queda de 3,2%, impactado pelo reajuste anual do preço dos remédios de 12,5% e pela redução da renda de 4%.

Por outro lado, cresceram as vendas de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (5,9%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,7%).

QUEDA DE 3% NAS VENDAS EM SÃO PAULO 

Em julho de 2016, dezesseis das 27 unidades da federação mostraram recuo no volume de vendas do varejo, quando comparado ao mês imediatamente anterior, na série com ajuste sazonal. 

As taxas negativas variaram entre -3,5% no Mato Grosso e -0,1% em Minas Gerais. 

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Em Sergipe, o volume de vendas manteve-se estável nessa comparação. Por outro lado, houve aumento nas vendas do varejo na passagem de junho para julho em Roraima (4,0%) e no Amazonas (3,4%).

Na comparação com julho de 2015, a redução no volume de vendas atingiu praticamente todas as 27 Unidades da Federação, com exceção de Roraima (3,2%). 

As cidades que tiveram as maiores taxas negativas, neste intervalo de comparação foram Amapá (-18,9%) e Pará (-15,5%). 

Das mais representativas em termos de participação no índice, São Paulo teve recuo de 3,0% nas vendas, seguida por Rio de Janeiro (-5,0%) e Bahia (-13,4%).

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Se observado o indicador que mede o varejo ampliado, que inclui veículos, peças e materiais de construção, houve redução nas vendas em todas as unidades da federação, na comparação com julho de 2015. O índice foi puxado pelo desempenho negativo de São Paulo em 7,9%, seguido por Rio de Janeiro (-13,0%), Rio Grande do Sul (-10,0%) e Minas Gerais (-7,9%).

FOTO: Thinkstock

Atualizado às 18h30