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Vendas do varejo acumulam alta de 3,8% no primeiro trimestre


"O desempenho superou as expectativas", disse Alencar Burti, presidente da ACSP, ao comentar a Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE, que assinala a 12a alta consecutiva do setor


  Por Estadão Conteúdo 11 de Maio de 2018 às 10:35

  | Agência de notícias do Grupo Estado


As vendas do comércio varejista subiram 0,3% em março ante fevereiro, na série com ajuste sazonal, informou nesta sexta-feira (11/05), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na comparação com março de 2017, sem ajuste sazonal, as vendas do varejo tiveram alta de 6,5%. Nesse confronto, as projeções iam de uma expansão de 3,9% a 7,4%, com mediana positiva de 6,2%.

As vendas do varejo restrito acumularam crescimento de 3,8% no ano. No acumulado em 12 meses, houve avanço de 3,7%.

Na série trimestral com ajuste sazonal, as vendas no varejo cresceram 0,7% no primeiro trimestre ante o quarto trimestre de 2017. 

No varejo ampliado, que inclui as atividades de material de construção e de veículos, as vendas subiram 1,1% em março ante fevereiro, na série com ajuste sazonal.

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O resultado veio acima da mediana das estimativas dos analistas, que esperavam desde um recuo de 0,1% a um avanço de 2,9%, com mediana positiva de 0,85%.

Na comparação com março de 2017, sem ajuste, as vendas do varejo ampliado tiveram alta de 7,8% em março de 2018. Nesse confronto, as projeções variavam de uma expansão de 5,4% a 10,0%, com mediana positiva de 7,1%.

As vendas do comércio varejista ampliado acumularam alta de 6,6% no ano. Em 12 meses, o resultado foi de avanço de 6,2%.

Na série trimestral com ajuste sazonal, as vendas no varejo ampliado subiram 1,0% no primeiro trimestre ante o quarto trimestre de 2017. As expectativas iam de baixa de 1,0% a aumento de 2,0%, com mediana positiva em 0,85%.

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O índice de média móvel trimestral das vendas do comércio varejista restrito subiu 0,3 % em março, segundo o IBGE. No varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, o índice de média móvel trimestral das vendas cresceu 0,4% em março.

RECUPERAÇÃO DESIGUAL

Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), lembrou que esta foi a 12ª alta consecutiva do setor, embora a retomada seja mais lenta do que se esperava e desigual entre as atividades.

Para ele, o crescimento de 6,5% do varejo ampliado na variação interanual “superou as expectativas e se deve ao bom resultado dos supermercados, puxado pela desaceleração da inflação dos alimentos e pelo aumento da massa salarial”. O fato de a Páscoa ter caído em março também ajudou o segmento ? no ano passado, a data comemorativa foi em abril.

Burti destaca ainda os veículos, “favorecidos pela combinação de juros menores e prazos mais longos, que, em alguns casos, pode chegar a 60 meses”.

Ele chama a atenção para a desigualdade de performance das atividades econômicas. Na contramão de supermercados e veículos, as vendas caíram em ramos como livros, jornais, revistas e papelaria (-12,6%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-7,6%) e móveis e eletrodomésticos (-3,3%).

RETOMADA PERDEU FORÇA

Os dados das vendas de varejo de março mostram que a recuperação da atividade perdeu força no início do ano, afirmou Isabella Nunes, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE. "A recuperação continua, mas há redução do ritmo na passagem do quarto trimestre para o primeiro", afirmou Isabella.

Segundo a pesquisadora, a dinâmica recente do mercado de trabalho explica a perda de ritmo, com destaque para o crescimento das ocupações associadas à informalidade e à queda do emprego com carteira assinada. O trabalho informal resulta em renda menor e menos acesso a crédito.

"A diferença entre a ocupação formal e a informal começa no salário e termina no acesso ao crédito", disse Isabella.

A flexibilização da política monetária ainda oferece impulso limitado ao consumo, na visão de Isabella Nunes. Segundo a pesquisadora, as taxas de juros ao consumidor ainda estão mais elevadas do que em 2014, auge do movimento de crescimento das vendas no varejo.

"A queda de juros aconteceu, mas a taxa pra pessoa física ainda está muito distante de 2014", afirmou, ao comentar os dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), que apontou alta de 0,3% nas vendas do varejo em março ante fevereiro.

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