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Vendas do comércio da capital e do interior despencam em maio


O tombo foi de 12,9% na comparação com igual mês do ano passado, de acordo com dados do levantamento ACVarejo, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)


  Por Karina Lignelli 27 de Julho de 2016 às 06:00

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


A queda nas vendas do varejo paulista continua forte. Em maio, o recuo do varejo ampliado paulista (que inclui veículos e materiais de construção)  foi de 12,9% na comparação com igual mês do ano passado, segundo dados do Boletim AC Varejo da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

No acumulado do ano, as vendas do varejo ampliado encolheram 7,2%. Apesar disso, houve um leve crescimento de 1,2% no faturamento na comparação com o mesmo período de 2015. Em 12 meses até maio, as vendas caíram 6,3% e o faturamento subiu 1,8%. Assim, nenhuma região paulista registrou crescimento do volume de vendas na comparação anual. 

"Os resultados dos primeiros cinco meses do ano continuam a mostrar fortes quedas, refletindo a reduçao da renda, o avanço do desemprego e o crédito mais caro e escasso. Tudo isso deixa a confiança do consumidor em patamares muito reduzidos, minando a disposição para comprar", afirma Alencar Burti, presidente da ACSP e da Facesp (Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo). 

A expectativa, segundo ele, é que a melhora da confiança do consumidor estanque os prejuízos do varejo nos próximos meses. 

O resultado negativo de maio também é explicado pelo efeito-calendário do feriado de Corpus Christi e pelo fato de o mês ter começado no domingo, ou seja, com um menor número de dias úteis.

VENDAS POR SETORES 

O resultado do mês poderia ter sido pior se não fosse o Dia das Mães. A compra de presentinhos ajudou a empurrar as vendas de alguns itens. Um destaque positivo do levantamento foi o desempenho das lojas de vestuário, tecido e calçados, que tiveram alta de 22,7% nas vendas em maio na comparação com abril.  

Outros estabelecimentos que fecharam o mês no azul foram as farmácias e perfumarias (com alta de 1,3%) e lojas de autopeças e acessórios (0,7%). 

Por outro lado, dos nove setores analisados pela pesquisa, aqueles que são mais dependentes de crédito apresentaram os maiores recuos no volume de vendas em maio sobre o mesmo mês de 2015.

É o caso do setor de móveis e decorações, que registrou queda de 26,2% nas vendas; de concessionárias de veículos (-22,5%); de lojas de departamento e eletroeletrônicos (-18,7) e lojas de materiais de construção (-16,6%).

Ulisses Ruiz de Gamboa, economista da ACSP, avalia que a crise do varejo paulista, assim como a do resto do país, continua puxada pela queda na renda, a alta do desemprego e o maior custo do crédito. Portanto, 2016 ainda continuará sendo um ano muito difícil para os comerciantes paulistas.

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Apesar do prognóstico negativo, ele diz que há uma leve esperança de melhora. E ela está ancorada na tendência de melhora da confiança do consumidor. 

Em junho, o Índice Nacional de Confiança do Consumidor (INC) da ACSP, medido pelo Instituto Ipsos, ficou em 70 pontos – quatro pontos acima do mês anterior. 

Essa foi a segunda alta consecutiva no indicador, que caiu 30 pontos na comparação com junho de 2015, lembra.  

“Isso indica que daqui até o final do ano as quedas nas vendas do varejo serão menores, porque a confiança do consumidor está sendo retomada aos poucos, ainda que em patamar pessimista (abaixo dos 100 pontos)." 

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O Boletim AC Varejo é um levantamento elaborado mensalmente pelo Instituto de Economia Gastão Vidigal da ACSP, a partir de informações fornecidas pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz-SP).

Foto: Karina Lignelli