Negócios

Vendas do comércio crescem 2% em 2017, aponta IBGE


O resultado é positivo, porém, segundo Marcel Solimeo, economista-chefe da ACSP, não supera as perdas dos últimos dois anos


  Por Estadão Conteúdo 09 de Fevereiro de 2018 às 10:20

  | Agência de notícias do Grupo Estado


As vendas do comércio varejista caíram 1,50% em dezembro ante novembro, na série com ajuste sazonal, informou na manhã desta sexta-feira (9/02), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A queda foi maior do que apontava a mediana das estimativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que era negativa em 0,50%, e ficou dentro do intervalo das previsões, de recuo de 1,90% a alta de 0,50%.

Na comparação com dezembro de 2016, sem ajuste sazonal, as vendas do varejo tiveram alta de 3,3% em dezembro de 2017. Nesse confronto, as projeções iam de uma expansão de 2,90% a 7,34%, com mediana positiva de 4,50%.

LEIA MAIS: Vendas dos shoppings devem crescer 6% em 2018

As vendas do varejo restrito acumularam crescimento de 2% no ano de 2017, em linha com o piso do intervalo das projeções (2% a 3%, com mediana de 2,20%).

No conceito ampliado, que inclui as atividades de material de construção e de veículos, as vendas do varejo caíram 0,80% em dezembro ante novembro, na série com ajuste sazonal.

LEIA MAIS: Varejo teve primeiro janeiro positivo desde 2014

O resultado veio melhor que a mediana das estimativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, negativa em 1,05%, e dentro do intervalo das previsões, de recuo de 3,4% a avanço de 0,13%.

Na comparação com dezembro de 2016, sem ajuste, as vendas do varejo ampliado tiveram alta de 6,4% em dezembro de 2017. Nesse confronto, as projeções variavam de uma expansão de 3,00% a 8,75%, com mediana positiva de 5,70%.

As vendas do comércio varejista ampliado acumularam alta de 4% no ano de 2017, acima da mediana, de 3,90%. As estimativas iam de 3,10% a 4,20%.

“A alta de 2% em 2017, no varejo restrito, surpreendeu de forma positiva, superando ligeiramente nossa expectativa, que era de aumento de 1,5%. É um resultado para ser comemorado. Contudo, não podemos nos esquecer que esse desempenho não supera as perdas dos últimos dois anos, quando o varejo caiu mais de 10%”, diz Marcel Solimeo, economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Em relação às vendas de dezembro, Solimeo destaca que é consequência da introdução da Black Friday no calendário varejista.

“A Black Friday mudou definitivamente a sazonalidade do comércio no fim de ano. Dezembro costuma ser o mês mais forte para o setor, mas cresceu menos do que em novembro. A Black Friday redesenhou, aparentemente de maneira irreversível, a sazonalidade do varejo no último trimestre do ano”.

O economista da ACSP acrescenta que a Black Friday não é necessariamente um problema para as vendas de Natal. “Para o varejo, o que interessa é vender. A Black Friday vem antecipando vendas do Natal, fazendo com que ele seja mais fraco. Mas não houve prejuízos, e isso é importante ressaltar”, diz.

ANÁLISE: Varejo tem tudo para crescer em 2018

PERDAS

As perdas no varejo foram disseminadas na passagem de novembro para dezembro. Seis das oito atividades pesquisadas tiveram retração, puxando o recuo de 1,5% na média global no mês, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Comércio divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 Segundo Isabella Nunes, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, a antecipação de compras nas promoções da campanha da Black Friday, em novembro, explica as perdas no varejo em dezembro.

"Apesar da queda em dezembro, a análise do varejo em comparações mais de longo prazo mostram uma situação melhor. As principais quedas em dezembro foram nos setores mais marcados pela Black Friday em novembro. Essa Black Friday do ano de 2017 foi mais intensa, dada essa conjuntura melhor do poder de compra", justificou Isabella.

 Segundo a pesquisadora do IBGE, o ajuste sazonal da Pesquisa Mensal de Comércio está incorporando o crescimento do fenômeno da Black Friday naturalmente, sem prejuízo para os resultados.

Na passagem de novembro para dezembro de 2017, as quedas nas vendas ocorreram nos setores de Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-6,3%); Livros, jornais e papelaria (-4,0%); Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-3,0%); Móveis e eletrodomésticos (-2,7%); Combustíveis e lubrificantes (-1,0%) e Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-1,9%).

 Na direção oposta, houve crescimento em Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (1,2%) e Tecidos, vestuário e calçados (0,5%).

 No varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, o volume das vendas recuou 0,8% em dezembro ante novembro. As vendas de Veículos, motos, partes e peças tiveram ligeiro recuo de 0,1%, enquanto Material de construção encolheu 1,7%.

CAMPO POSITIVO

A alta de 2% registrada no volume vendido no ano passado não recupera a perda de 10,2% acumulada em 2015 e 2016, mas a tendência é de recuperação gradual, avaliou Isabella.

"Embora tenha fechado o ano positivo, não recupera as perdas do passado. Mas mantém a recuperação gradual. Só o fato de ter fechado o ano positivo já mostra que há uma recuperação", diz. 

A base de comparação baixa explica parte do avanço no varejo no ano, mas a conjuntura econômica como um todo estava melhor em 2017 do que nos anos anteriores, lembrou a pesquisadora.

"Todos os indicadores econômicos melhoram, então o varejo vai acompanhar isso. Para além da base de comparação, aqui há melhora de juros, a renda também melhora".

Em 2017, as vendas de supermercados foram impulsionadas pela queda nos preços dos alimentos consumidos no domicílio e pelo aumento no número de trabalhadores ocupados, ainda que estejam atuando na informalidade.

A atividade de móveis e eletrodomésticos foi beneficiada pela redução nos juros do crédito ao consumidor, embora ainda estejam em patamar mais elevado do que em 2014.

"Móveis e eletrodomésticos recuperam perdas do passado. Tinha uma demanda reprimida dentro desse setor de consumo. Depois de dois anos de quedas, o setor se recupera com a melhora dos juros e a própria melhora do mercado de trabalho e da massa de rendimento", diz Isabella.

 

FOTO: Fátima Fernandes/Diário do Comércio