Negócios

Vendas do comércio caem 7,3% na 1ª quinzena de agosto


Perfumes e cosméticos foram os principais presentes comprados para o Dia dos Pais. Queda interanual do comércio está associada ao pessimismo recorde do consumidor


  Por Rejane Tamoto 17 de Agosto de 2015 às 17:55

  | Editora rtamoto@dcomercio.com.br


As vendas do comércio à vista e a prazo na primeira quinzena de agosto caíram 7,3% na comparação com igual mês do ano passado. O indicador ficou pior do que a contração registrada no mês de julho, que foi de 5,3%, sobre o mesmo mês de 2014. 

Os dados são do Balanço de Vendas da quinzena da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). De acordo com o indicador, as vendas a prazo caíram 7,4% enquanto as operações à vista recuaram 7,3%. 

Mesmo na primeira quinzena de agosto de 2014 as vendas já indicavam uma desaceleração, com queda de 0,8% sobre o mesmo período de 2013. 

Separadamente, as vendas a prazo recuaram 3,8% e as vendas à vista cresceram 2,2% naquele ano. 

“Isso mostra que as vendas a crédito já vêm desacelerando desde o ano passado”, diz Alencar Burti, presidente da ACSP e da Facesp (Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo). 

Para ele, o resultado indica que os consumidores estão cautelosos, sobretudo em relação aos bens duráveis. 

“As vendas de Dia dos Pais foram fracas, mas isso já era esperado. O que preocupa mais é que esses dados sinalizam um aprofundamento da crise do comércio, causada por fatores econômicos e pela declinante queda da confiança. Consumidor pessimista não coloca a mão no bolso”, diz Burti.

A queda nas vendas está associada ao pessimismo recorde do consumidor, algo que está ocorrendo pela primeira vez em dez anos. 

Em julho, o Índice Nacional de Confiança da ACSP/Ipsos chegou a 84 pontos, o pior resultado desde que a pesquisa começou a ser feita, em abril de 2005.

PAIS PERFUMADOS

Na comparação com os primeiros quinze dias de julho deste ano, as vendas a prazo caíram 0,9%, enquanto as operações à vista registraram alta de 9,6%. 

O economista da ACSP, Emílio Alfieri, explica que sazonalmente há uma leve alta na venda de bens duráveis nesse período. 

Mas neste ano foi diferente: a elevação de 9,6% nas vendas à vista na quinzena mostrou que o consumidor optou por comprar presentes de baixo valor para o Dia dos Pais. 

E mais: esses produtos restringiram-se praticamente a itens de perfumaria, higiene e cosméticos. Os dados captados pela ACSP mostram que o segmento de farmácia e cosméticos teve bons resultados no período. 

No entanto, esse comportamento pontual não indica uma linha de tendência para o mês de agosto e nem para os meses seguintes. E por várias razões. 

Para as vendas a prazo, ou de itens de maior valor no carnê, o cenário não é positivo por causa do encarecimento do crédito ao consumidor. 

"A falta de segurança no emprego fez o consumidor evitar assumir novas dívidas", diz Alfieri. 

O que tem dificultado as vendas à vista do comércio é o próprio orçamento do consumidor, que tem observado uma redução na massa salarial, agravada pela inflação alta. Por isso, tem priorizado as compras de necessidade e deixado as por impulso de lado. 

E há fatores como o próprio clima, com um inverno mais quente, que fez as lojas de moda outono-inverno colocarem os produtos em liquidação antes da hora. 

Segundo Alfieri, o tempo ameno estimula o paulistano a viajar, deixando de consumir na capital. 

INADIMPLÊNCIA ESTÁVEL 

O economista diz que o indicador que mede os registros de inadimplência caiu 6% na primeira quinzena de agosto sobre igual período do ano passado. Na comparação com os primeiros quinze dias de julho, a queda foi de 10,2%. 

O indicador, que segue estável, mede apenas os atrasos em carnês e não inclui dívidas de bancos e nem de concessionárias de serviços públicos. Mas o índice pode aumentar se o desemprego continuar subindo. 

Um fator de preocupação neste mês foi a decisão do governo de não adiantar o pagamento da primeira do décimo-terceiro salário de aposentados em agosto. 

Esse recurso ajuda a elevar a renegociação de dívidas no meio do ano - já que o benefício dos aposentados tem efeito não apenas no orçamento individual, mas também familiar. 

Apesar de baixa, a inadimplência tem propensão a aumentar caso a taxa de desemprego também registre novas altas. 

Além disso, houve queda de 6,9% no índice de recuperação de crédito na primeira quinzena de agosto. Isso que mostra o ritmo de pagamento de débitos antigos pelo consumidor inadimplente está mais lento. Na primeira quinzena de agosto, a recuperação de crédito subiu 2,5% sobre igual intervalo de julho.

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