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Vendas de fantasias aumentam no Carnaval do desabafo


Lojistas da região da 25 de março festejam o aumento de 15% no faturamento em relação ao ano passado. As máscaras de Donald Trump estão entre as mais procuradas


  Por Wladimir Miranda 25 de Fevereiro de 2017 às 08:00

  | Repórter vmiranda@dcomercio.com.br


Na avaliação do dono de uma das lojas de fantasias mais procuradas da Ladeira Porto Geral, no centro da capital paulista, este é o Carnaval do alívio e do desabafo. Pierre Sfeir festeja o aumento de 15% d as vendas, em relação a 2016.

E para extravasar a alegria, vale até sair de Donald Trump num dos 495 blocos que desfilam este ano pelas ruas de São Paulo.

Só na loja de Pierre, a Festas e Fantasias, foram vendidas 3 mil máscaras do polêmico presidente dos Estados Unidos, a R$ 7,00 cada. Claro, o jeitão autoritário de Trump não é sinônimo de alívio e esperança. Muito pelo contrário.

Mas há quem afirme, na região da Rua 25 de Março, que as vendas de fantasias para o período de Momo aumentaram porque os brasileiros, enfim, dizem eles, superaram as incertezas provocadas pelo processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, que só terminou no final de agosto do ano passado.

É assim que pensa Pierre Sfeir, libanês que desembarcou no Brasil com 19 anos de idade e hoje, 42 anos depois, olha com satisfação para o grande movimento de sua loja lotada.

“A inflação está dando sinais de queda. Ano passado, nesta época, os brasileiros não sabiam o que iria acontecer. Agora começam a ver uma luzinha no fim do túnel”, diz.

Quando chegou ao Brasil, trazido pela mãe, que não queria que o filho prestasse o serviço militar no Líbano, Pierre foi trabalhar na loja de bijuterias e bolsas dos tios. Após 22 anos como empregado, ele abriu a Festas e Fantasias. É o pioneiro no ramo na região.

Mas não é só o alívio pela perspectiva de mudança de rumo no país que anima a clientela a comprar fantasias. Segundo Pierre, o fato de o Carnaval deste ano acontecer no final de fevereiro colaborou e muito para o acréscimo das vendas.

SFEIR, DA FESTAS E FANTASIAS: 3 MIL MÁSCARAS DE TRUMP

“Em 2016, o Carnaval caiu no início do mês, de cinco a dez de fevereiro. Isto fez com que as despesas se acumulassem", afirma. "As pessoas mal tiveram tempo de se livrar dos pagamentos do IPTU, IPVA, material escolar".

Além das máscaras, de Donald Trump e outros personagens do mundo político nacional como Dilma, Lula, Joaquim Barbosa, ex-Ministro do STF, que não se chegaram a cair no ostracismo, já não são tão procurados como em anos anteriores.

A Festas e Fantasias vende também confetes, serpentinas, tiarinhas, colares de havaianas, cílios postiços e quepes de marinheiro, bastante procurados e que custam R$ 15,00.

Quem entra na loja costuma gastar, em média, R$ 50,00.

“O Carnaval estava morrendo em São Paulo. Agora, com o surgimento dos blocos, as famílias estão indo para as ruas brincar. Percebo que a cidade está começando a receber turistas de outros estados, até do Rio de Janeiro”, afirma Pierre.

O Carnaval também é o ramo de negócios de Leandro Reis, proprietário da Quatro Estações, loja da Rua 25 de março especializada na venda de penas e plumas, que viram adereços das escolas de samba de São Paulo e outros estados.

PENAS DE FAISÃO PARA A RAINHA DA BATERIA

Leandro começa a pensar na folia em agosto. Atende às escolas dos grupos de acesso e especial e também as que desfilam nos bairros de São Paulo.

Cada pena de faizão custa R$ 60,00. Uma rainha de bateria, por exemplo, usa 300 penas de faizão em sua fantasia no sambódromo. O que soma R$ 18 mil.

Outro libanês que só tem motivos de alegria neste Carnaval na região da 25 de Março é Melhem Michel Feghali. Aos 81 anos, ele fica no caixa da Lojas Millôr. Também vende fantasias. A mais vendida, diz ele, é o quepe de marinheiro, a R$ 15,00.

Luvas, asas de borboletas, pulseiras de identificação, com preços que variam entre R$ 15,00 a R% 25,00, também são muito procuradas.

“Nasci no Líbano, mas agora sou brasileiro. E no Carnaval sou ainda mais brasileiro”, diz, vibrando com o aumento das vendas. Na Loja do Millôr, o gasto médio dos clientes também não ultrapassa os R$ 50,00.

FOTOS: Wladimir Miranda/Diário do Comércio