Negócios

Varejo teve o pior mês de março dos últimos 13 anos


Comércio varejista está operando 17,8% abaixo do pico das vendas registradas em agosto de 2012, um patamar alarmante segundo avaliação da ACSP


  Por Estadão Conteúdo 11 de Maio de 2016 às 15:20

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


O comércio varejista está operando 11,6% abaixo do pico de vendas registrado em novembro de 2014, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Comércio, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em março, o varejo teve queda de 5,7% nas vendas em relação a igual mês do ano anterior. Esta foi a baixa mais intensa desde 2003, quando o recuo chegou a 11,4%. 

Para Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), os números do comércio varejista são reflexo direto dos fatores macroeconômicos e, em especial, da baixa confiança do consumidor.

“Os números são bem alarmantes. Mas, se considerarmos que a confiança do brasileiro tem caído a níveis recordes nos últimos meses, eles não chegam a ser espantosos. Aliás, esse desempenho negativo do varejo deve ser registrado também no segundo trimestre, uma vez que a situação econômica e política do país piorou desde março”, diz Burti.

Para o presidente da ACSP e da Facesp, na eventualidade de um novo governo que traga mudanças na orientação econômica, será preciso, desde o início, que tanto a classe empresária quanto a sociedade concedam um voto de confiança.

Isso porque o cenário é de queda em diversos segmentos do comércio. No caso do varejo ampliado - que inclui as atividades de veículos e material de construção - as vendas estão 17,8% abaixo do patamar máximo registrado, de agosto de 2012. Apenas em março, as vendas do varejo ampliado caíram 7,9% ante igual mês de 2015. Este foi o pior desempenho para o mês em toda a série histórica iniciada em 2005.

"O varejo ampliado tem muita influência dos automóveis, que estavam no ponto mais elevado em agosto de 2012", disse Isabella Nunes, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE.

LEIA MAIS: Vendas do varejo caem 0,9% em março ante fevereiro

As vendas de móveis e eletrodomésticos - que tiveram a maior retração no período - também sofreram influência das restrições impostas ao crédito à pessoa física, da queda da massa salarial e do aumento do desemprego, que, juntamente com outros fatores, puxaram para baixo as intenções de compra, na avaliação de Burti. 

A única atividade a escapar da retração foi a de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, com avanço de 2% no período.

“Somente o setor de farmácias tem apresentado números positivos, mas mesmo assim em níveis bem pequenos. Isso dá o tom de como tem sido complicada a situação do comércio”, afirma o presidente da ACSP. 

A redução das vendas do varejo é consequência da deterioração do mercado de trabalho, da persistência inflacionária e da manutenção das taxas de juros em patamares elevados, segundo Isabella Nunes. “Esses são os pilares que hoje inibem o consumo.” 

TRIMESTRE

No primeiro trimestre, as vendas do varejo recuaram 3,2%, ante o quarto trimestre de 2015, o pior resultado desde o início da série histórica da Pesquisa Mensal de Comércio, que nesse tipo de comparação teve início em 2001. 

No varejo ampliado, as vendas recuaram 1,9% no mesmo período.

IMAGEM: Thinkstock






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