Negócios

Varejo pode fechar 2018 em patamar abaixo do previsto


Ritmo de crescimento de vendas no comércio, tanto do restrito quanto do ampliado, está perdendo força, constata Associação Comercial de São Paulo (ACSP)


  Por Redação DC 13 de Setembro de 2018 às 13:00

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


Para a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a queda de 1% no varejo restrito nacional em julho frente a igual mês do ano passado foi inesperada e se deve principalmente a três fatores: liberação do saque do FGTS em 2017 -que fortaleceu a base de comparação -; confiança do consumidor em patamar muito baixo; e incertezas eleitorais. O dado foi divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“O ritmo de crescimento do comércio está perdendo força em 2018, tanto o restrito quanto o ampliado, o que possivelmente faça com que o setor feche o ano em patamar abaixo do estimado inicialmente”, analisa Emílio Alfieri, economista da ACSP.

“O efeito dos juros está perdendo força, visto que, a essa altura, no ano passado, a taxa Selic já estava abaixo dos dois dígitos, em 9,25%".

A eficácia dessa medida monetária, portanto, já não é mais tão grande. O único fator macroeconômico mais favorável é a massa salarial, que tem crescido, mas não a ponto de eliminar os fatores negativos”, avalia o economista.

Sobre o ramo de tecidos, que caiu 8,4%, ele comenta: “Apesar de ter feito um pouco de frio em julho, a venda de roupas deixou a desejar, provavelmente porque a liberação do FGTS no ano passado aumentou a base de comparação e ajudou o segmento”.

Quanto a móveis e eletrodomésticos (-6,9%), área que vinha crescendo bastante, Alfieri diz que é outra grande surpresa, pois o ramo vinha ajudando a puxar as vendas para cima.

“Provavelmente a saída prematura do Brasil da Copa do Mundo deva ter esfriado as vendas de TV”.

Por fim, o economista da ACSP chama atenção para um destaque positivo, o segmento de automóveis, que cresceu 16,9% sobre julho anterior, embora ainda esteja 34,3% abaixo do recorde obtido antes da recessão.

“Provavelmente isso se deve ao apoio dos bancos às montadoras, que alongaram os prazos de financiamento, e aos novos lançamentos da indústria”, conclui.