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Varejo paulista indica leve início de recuperação


Na comparação com igual mês do ano passado, a queda de junho foi menor que a registrada em maio, de acordo com levantamento ACVarejo, da Associação Comercial de São Paulo


  Por Mariana Missiaggia 23 de Agosto de 2016 às 09:56

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Com fortes quedas nos últimos meses, o comércio paulista pode ter tido uma trégua em junho. Na comparação com igual mês de 2015, as vendas do varejo ampliado (inclui todos os setores) do Estado de São Paulo encolheram 10,5%, de acordo com dados do levantamento ACVarejo, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Em maio, esse número chegou a 12,9%.

Na avaliação da entidade, a leve melhora no volume de vendas em todas as regiões e setores considerados poderia indicar o início de uma modesta recuperação, porém ainda no campo negativo.

"Os dados do primeiro semestre do ano continuam a refletir a aguda crise que atinge o varejo paulista, relativamente mais intensa do que no resto do Brasil, devido ao enfraquecimento da indústria", diz Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

Burti também aponta que, mesmo que com essa leve recuperação, as contrações atingem todas as regiões paulistas e segmentos, até mesmo aqueles vinculados ao consumo mais essencial, como supermercados e farmácias. 

No acumulado do ano, as vendas do varejo ampliado tiveram uma queda de 6,4%. Por outro lado, houve um leve crescimento de 2,2% no faturamento na mesma comparação.

Em 12 meses até junho, as vendas caíram 6,5% e o faturamento subiu 1,8%. Nesse cenário, a Região Administrativa 15, de Marília, a 443 quilômetros de São Paulo foi a única a registrar crescimento no volume de vendas, de 1,3%, na comparação anual, no varejo ampliado. 

Já frente a junho de 2015, observou-se queda dos volumes de ambos tipos de varejo em todas as Regiões Administrativas (RAs) do Estado. O pior resultado observado aconteceu na RA-04 – Metropolitana Oeste, com queda de 18,5% (restrito) e 16,8% (ampliado).

Os números da crise do varejo paulista ainda são resultado da contração da renda, do crédito e do emprego, e a confiança do consumidor em níveis reduzidos.

VENDAS POR SETORES

Dos nove setores analisados pela pesquisa no Estado, todos apresentaram contração no volume de vendas.

Aqueles que são mais dependentes de crédito foram os mais prejudicados. São eles: lojas de móveis e decorações (-22,6%), concessionárias de veículos (-22%) e lojas de material de construção (-15,2%).

Ulisses Ruiz de Gamboa, economista da ACSP, avalia que a crise do varejo paulista, assim como a do resto do país, segue sendo puxada pela queda na renda e o maior custo do crédito.

Isso indica que, mesmo com uma leve melhora na queda, 2016 continuará sendo um ano muito difícil para os comerciantes paulistas.

"Temos que destacar que esse também pode ser um resultado isolado, e pode não indicar uma tendência", diz. "Estamos próximos a um desfecho político, e só então, saberemos como a confiança do consumidor se comportará".

O Boletim AC Varejo é um levantamento elaborado mensalmente pelo Instituto de Economia Gastão Vidigal da ACSP, a partir de informações fornecidas pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz-SP).