Negócios

Varejo mantém tendência de recuperação lenta


Um fator que pode ter contribuído para melhora é a liberação dos recursos inativos do FGTS, segundo análise de economistas da Associação Comercial de São Paulo


  Por Redação DC 13 de Junho de 2017 às 17:56

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


Apesar da surpresa positiva do varejo em abril, uma análise mais minuciosa sugere que o varejo, assim como o resto da economia, segue em lenta marcha de recuperação. A análise é de economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)

Em abril, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Economia e Estatística (IBGE), as vendas do varejo restrito (que não considera veículos e materiais de construção) cresceram 1,9% sobre o mesmo mês de 2016.

Já o varejo ampliado, que inclui todos os segmentos, mostrou retração de 0,4%, na mesma base de comparação.

Na comparação mensal, livre de efeitos sazonais, houve crescimento das vendas para ambos tipos de comércio (1,0% e 1,5%, respectivamente).

Em termos da variação acumulada em 12 meses, que se aproxima do resultado anual, os varejos restrito e ampliado mostraram retrações de 4,6% e 6,3%, respectivamente, inferiores às observadas em março (-5,3% e -7,1%, respectivamente), sugerindo que a recuperação do setor continua a ocorrer, porém de forma lenta.

Na comparação com abril do ano passado, o resultado do varejo restrito surpreendeu os analistas de mercado, que esperavam queda no volume vendido, considerando-se que neste ano houve dois dias úteis a menos, além do efeito negativo da paralisação do transporte coletivo.  

Parte da explicação para este aumento pode ser creditada à baixa base de comparação do ano anterior, também contribuindo o fato de que a Páscoa em 2017 foi realizada em abril, enquanto, em 2016, foi celebrada em março.

Outro fator que pode ter incidido é a liberação dos recursos inativos doFGTS, que apesar de, em grande parte terem sido utilizados na quitação de dívidas, também podem ter se direcionado para consumo mais essencial. 

Ao mesmo tempo, o varejo restrito pode ter se beneficiado pelo aumento do salário médio, que, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada pelo IBGE, foi de 2,7% acima da inflação.

No contraste com abril do ano passado, as vendas de supermercados apresentaram crescimento de 3,5%, que também foram beneficiadas pela redução dos preços dos alimentos, em decorrência dos recordes de safra agrícola.

Outros ramos que mostraram alta foram o de vestuário, também afetados positivamente pela mudança de clima, e de artigos de uso pessoal doméstico. 

Na contramão, mantendo-se a base de comparação, ainda houve recuo nas vendas de veículos, material de construção e eletrodomésticos, possivelmente por estarem representados por itens de maior valor, num contexto de baixa confiança do
consumidor, escassez de crédito e de juros ainda elevados, apesar das últimas reduções realizadas pelo Banco Central.

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