Negócios

Varejo da cidade de São Paulo retoma fôlego em agosto


As vendas cresceram na comparação com julho, mas o resultado do ano ainda é ruim, uma queda acumulada de 10.2%


  Por Redação DC 01 de Setembro de 2016 às 17:01

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


O mês de agosto trouxe um pequeno alento ao varejo da capital paulista. As vendas cresceram 3,8% na comparação com julho. Alguns fatores pontuais explicam essa alta, entre eles, o Dia dos Pais e um dia útil a mais no mês passado.

“Esse comportamento não pode ser projetado para os próximos meses. Mas, de qualquer maneira, é animador, e coincide com a sinalização de diversos outros indicadores de atividade econômica", diz Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

Segundo ele, "a evolução da confiança de consumidores e empresários nos próximos meses vai ser crucial” para a recuperação da economia. 

Quando se fragmenta o resultado mensal, observa-se que as vendas à vista, que costumam ser de menor valor, tiveram uma alta pouco mais expressiva, de 4,3%, enquanto as vendas a prazo avançaram 3,2%.

Segundo Emílio Alfieri, economista da ACSP, o resultado mais expressivo das vendas à vista pode ser explicado pelas liquidações das coleções de inverno, que estão sendo substituídas nas vitrines pela moda primavera-verão.

Já na comparação entre agosto desse ano e igual mês de 2015, houve queda de 5,3%.

No ano, o varejo da cidade de São Paulo acumula queda de 10,2% nas vendas. Embora Alfieri não projete um resultado para o final do ano, ele adianta que 2016 será pior do que 2015 para o setor. 

O economista diz que a desaceleração do ritmo de queda nas vendas, se de fato se concretizar, não será suficiente para reverter os resultados ruins acumulados na primeira metade do ano. 

“O desemprego é elevado e sua reversão é lenta. Enquanto não houver uma mudança significativa no mercado de trabalho, a confiança do consumidor continuará baixa”, diz o Alfieri. 

Ele cita que redução dos juros só deve acontecer mais para o final do ano, o que também interfere negativamente na recuperação da economia e, consequentemente, do varejo. 

IMAGEM: Thinkstock