Negócios

Varejo calçadista acelera o passo para sair da crise


O segmento registrou aumento no número de lojas e fechou os últimos 12 meses, terminados em outubro, com crescimento de 2,6%. Para este ano, a expectativa é de alta de 3%


  Por Redação DC 11 de Janeiro de 2019 às 18:22

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


O ano de 2018 impôs muitas dificuldades, mas também reservou surpresas positivas para o varejo brasileiro de calçados, formado por cerca de 60 mil lojas.

O segmento acumulou nos últimos 12 meses, terminados em outubro, um crescimento nominal de 2,6%. O dado é da pesquisa Consumo de Calçados no Brasil em 2018, realizada pela Kantar Worldpanel a pedido da Associação Brasileira de Lojistas de Artefatos e Calçados (Ablac).

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No período, a frequência de compras (idas ao ponto de venda) cresceu 11,5%, o que indica que o comprador passou a adquirir calçados, em média, três vezes ao ano.

Por outro lado, o gasto médio teve queda de 5%, passando de R$ 111,01, em outubro de 2017, para R$ 105,20, em 2018.

MULHERES X HOMENS

As mulheres foram mais às compras no período pesquisado, porém, o desembolso masculino foi 43% maior. Elas foram, em média, quatro vezes às lojas de calçados e gastaram uma média de R$ 98,33 para a compra de sapatilhas, escarpins, sandálias e rasteiras.

Eles, por sua vez, foram duas vezes ao ponto de venda e gastaram, em média, R$ 141,25 para comprar, sobretudo, tênis e sapatênis.

“A maior frequência de compra foi o que impulsionou o mercado e fez o calçado recuperar as vendas em relação ao ano anterior”, explica Wesley Barbosa, diretor executivo da Ablac.

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Ele enfatiza que, com mais da metade do mercado nacional, o calçado feminino foi o grande destaque no faturamento da categoria.

Em valor, o segmento feminino teve variação positiva de 17,8%, enquanto o masculino apresentou retração de 11,5%.

MAIS LOJAS

As lojas de calçados voltaram a ganhar espaço no mercado, enquanto, segundo a pesquisa, magazines e lojas de vestuário tiveram retração.

A importância deste canal aumentou tanto em volume (de 56% para 63%), quanto em valor (de 57% para 65%), superando a posição que tinha em 2016, conforme pesquisa anterior da Kantar Worldpanel.

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De acordo com o levantamento, o aumento de participação das lojas de calçados no mercado varejista ocorreu, também, pela diminuição do percentual de compradores que frequentavam mais de um canal de venda.

A Kantar apurou que o comprador que antes frequentava também magazines passou a priorizar as lojas de calçados. “Além disso, o comprador das lojas de calçados passou a ir 10% a mais a elas em relação ao ano anterior”, explica Tathiane Frezarin, diretora de novos negócios da empresa de pesquisas.

As lojas multimarcas representaram 95% do mercado de calçados e puxaram o aumento da frequência de compradores (10,5%), mas as monomarcas (5% do mercado) registraram maior aumento no tíquete médio, de 22,4%.

O QUE O CONSUMIDOR COMPROU?

Sandálias e calçados femininos fechados foram os produtos que mais impulsionaram as vendas das lojas. Todas as classes se destacaram em compras, principalmente a Classe C e indivíduos acima de 19 anos.

Em relação às marcas, Moleca continuou líder de preferência, seguida por Beira Rio e Vizzano.

No segmento esportivo, Nike registrou boa performance, tanto em número de pares quanto em valor, seguida por Olympikus e Beira Rio.

PREVISÃO PARA 2019

A projeção da Ablac é de crescimento em torno de 3% este ano para o varejo de calçados.

A estimativa tem como base o aumento da relevância das lojas no mercado em 2018 e as medidas que o novo governo deverá adotar para o reaquecimento da economia.

Na avaliação da associação, o crescimento econômico e a geração de novos empregos devem devolver a confiança ao consumidor, condição essencial para que ele retome o consumo de calçados e outros produtos este ano.

Para a pesquisa, a Kantar Worldpanel ouviu 10.871 consumidores de todas as regiões brasileiras e classes sociais. Os dados mostram que 114 milhões de brasileiros compraram calçados no último ano, o equivalente a 70% da população.

 

IMAGEM: Pixabay