Negócios

Varejo brasileiro deve fechar 2016 com queda de 5,1% nas vendas


Queda prevista é mais acentuada do que a registrada em 2015, de -4,3%, na comparação com 2014, de acordo com a ACSP


  Por Redação DC 29 de Setembro de 2016 às 12:59

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


O varejo nacional deve fechar o ano de 2016 com recuo de 5,1% no volume de vendas, na comparação com 2015. É o que aponta projeção da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) referente ao varejo restrito, ou seja, sem considerar os setores de automóveis e de material de construção.

Essa queda esperada é mais acentuada do que a registrada em 2015 (-4,3%) no contraste com 2014, o que “reflete a confiança do consumidor, que, apesar de ter parado de cair, continua em patamar muito baixo”, diz Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

Ele frisa que o forte pessimismo resulta da conjuntura macroeconômica, com juros e inflação nas alturas, e salário e emprego em baixa. 

Por outro lado, a retração de 5,1% é menor em relação ao período acumulado de janeiro a julho (-6,7%). Ou seja, nos próximos meses, as quedas devem arrefecer. Isso por causa da base fraca de comparação: o segundo semestre de 2015 foi muito fraco, ajudando com alguma reação em 2016.,

Outros fatores que podem contribuir são a redução dos estoques e a possibilidade de aumento da confiança do consumidor, frente às mudanças políticas e econômicas.

“Esperamos a concretização das mudanças necessárias para o ajuste, a viabilização de investimentos e o destravamento da economia, o que vai melhorar a confiança e, consequentemente, o varejo”, afirma Burti.  

A projeção é elaborada pelo Instituto de Economia Gastão Vidigal/ACSP e utiliza como bases o Índice Nacional de Confiança (INC/ACSP) e dados do IBGE.  

CENÁRIO DESAFIADOR

Um cenário macroeconômico desafiador sob o ponto de vista de consumo e vendas, mas ainda cedo para saber se o fundo do poço foi alcançado.

A avaliação é de Rômulo de Mello Dias, presidente da Cielo, que espera que o final do ano, tradicionalmente impulsionado pelas comemorações da época, apresente desempenho melhor do que o de 2015.  

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"Ainda não temos uma tendência de recuperação. Precisamos de mais repetições para saber se de fato teremos um ponto de inflexão no desempenho do varejo", afirmou nesta quinta-feira (29/09), durante evento realizado na capital paulista.

Em agosto, o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) apontou queda de 5,1% para o varejo ante o mesmo intervalo do ano passado. 

O indicador mostrou também piora em comparação a julho, quando foi registrada retração de 3,9%. Em junho, porém, o ICVA tinha desacelerado o ritmo de restrição, o que não se confirmou nos dois meses seguintes.

"As pessoas ainda estão com medo de perder seus empregos. Como reflexo disso, reduziram seu endividamento e o uso do cartão de crédito. Mas para que o consumo volte a crescer, é preciso a retomada da confiança", avaliou o presidente da Cielo.

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*Atualizada às 16h20