Negócios

Varejo aprofunda queda no início de novembro


De acordo com a ACSP, o movimento do comércio teve uma queda média de 15,15% na primeira quinzena de novembro sobre igual mês de 2014. Dívidas e insegurança no emprego afastaram os clientes das compras


  Por Mariana Missiaggia 16 de Novembro de 2015 às 15:27

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


As vendas do comércio na primeira quinzena de novembro apresentaram quedas expressivas de acordo com o Balanço de Vendas da ACSP (Associação Comercial de São Paulo). Na cidade de São Paulo, o movimento de vendas apresentou uma queda média de 15,15% na comparação com o mesmo período de 2014. Os recuos foram, respectivamente, de 13% e 17,3% nas vendas a prazo e à vista na primeira quinzena deste mês na comparação com igual período do ano passado.
 
Os resultados podem ser explicados pelo enfraquecimento de indicadores macroeconômicos nos últimos 12 meses, como o próprio encarecimento do crédito e a inflação alta, que diminuíram o poder de compra do brasileiro.

“Apesar da forte retração nesses primeiros quinze dias, esses números não podem ser projetados para o restante do mês, uma vez que o consumidor começa a receber nos próximos dias a primeira parcela do 13º salário. Com as promoções de fim de ano, é esperado que ele gaste mais”, diz Alencar Burti, presidente da ACSP e da Facesp (Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo). 

No entanto, Burti destacou que uma pesquisa recente da ACSP indica que 41,2% dos brasileiros usarão a primeira parcela do 13º salário para pagar dívidas e outros 29,4% pretendem poupar esse dinheiro extra. 

“Portanto, ainda que o consumidor gaste mais, sua prioridade nesse momento é quitar débitos e poupar.”

VARIAÇÃO MENSAL

Na comparação com outubro deste ano, o volume de vendas do comércio varejista também apresentou um recuo acentuado. As quedas foram de 10,7% nas vendas a prazo e de 16,3% nas operações à vista. Na média, frente ao mês passado, a retração foi de 13,50% nesse período. O fraco desempenho da quinzena se deve à forte base de comparação com outubro, que teve o Dia das Crianças.

Ainda assim, no mês passado o varejo não ficou no azul. É o que mostra o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), que caiu 3,8% em outubro em relação a igual mês de 2014 e recuou 3,0% ante setembro, na série com ajuste da inflação. Esta foi a terceira retração seguida do indicador na comparação anual.

Todos os setores que compõem o varejo ampliado registraram queda. Os que vendem bens semiduráveis e duráveis puxaram o ICVA para baixo: materiais para construção, vestuário, móveis, eletro e lojas de departamento. Considerando os setores que comercializam bens não duráveis, drogarias e farmácias puxaram as vendas de outubro para cima.

Entre as regiões, o Sul registrou mais uma vez o pior desempenho, com queda de 4,7%. O Nordeste apresentou o menor declínio na comparação com um ano antes, de 2,4%. O Sudeste veio em seguida, com queda de 3,5% na mesma base de comparação. As Regiões Centro-Oeste e Norte apresentaram, respectivamente, recuos de 3,6% e 4,2%.

NATAL 

A expectativa é que o pagamento das parcelas do 13º salário neste fim de ano reanimem as vendas - mas o consumidor vai gastar um pouco menos. É o que mostra a pesquisa nacional realizada pela Boa Vista SCPC, que mostra que o brasileiro deverá gastar em média R$ 48 em cada presente - uma redução de 5,5% em comparação ao mesmo período do ano passado.

Além disso, 78% comprarão menos presentes e apenas 9% pretendem consumir mais.
 
Além disso, de acordo com a  Boa Vista SCPC, 62% dos consumidores deverão gastar até R$ 50 por pessoa nestas festas de fim de ano e 31% gastarão até R$ 30, enquanto 31% preveem gastos entre R$ 31 e R$ 50. Os gastos totais com as festas (incluindo presentes, ceias de Natal e de Ano Novo, despesas gerais) deverão somar até, no máximo, R$ 500, conforme foi indicado por 66% dos entrevistados.
 
O levantamento informa também que 81% pretendem reduzir os gastos com presentes neste final de ano e que as classes A/B estão menos dispostas a consumir: 86% responderam que gastarão menos em 2015, em comparação a 62% no ano passado. Na classe C, a porcentagem passou de 70% para 78%.
 
De acordo com a pesquisa, 52% dos brasileiros terão uma ceia de Natal menos farta este ano, em comparação a 32% no ano passado. Apenas 34% preveem que a fartura da ceia será igual à do ano passado e 14% consideram que será mais farta desta vez.

*Foto: Felipe Rau/ Estadão Conteúdo

*Com informações do Estadão Conteúdo