Negócios

Varejistas pegam carona no mercado de second hand


Nos últimos meses, Arezzo, Renner, C&A e Reserva entraram numa nova área de negócios e passaram a incentivar o consumo de peças usadas - um hábito que ganhou mais visibilidade e relevância em 2020


  Por Mariana Missiaggia 25 de Novembro de 2020 às 07:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Seja por uma postura mais sustentável, por preços mais baixos ou por um estilo de vida vintage, o consumo de produtos usados ou seminovos alcançou um novo patamar em 2020.

Conhecido como second hand (segunda mão), esse mercado passou a fazer parte da estratégia de negócios de grandes varejistas que de formas distintas, passaram a trabalhar o conceito em suas marcas.

Uma pesquisa da empresa de análise de varejo GlobalData estima que o valor movimentado pelo segmento em todo o mundo deve ir de US$ 24 bilhões em 2019 para US$ 51 bilhões em 2025 - equivalente a um aumento de 112,5%.

Outro estudo sobre o consumo de luxo, realizado pela Boston Consulting Group, o BCG-Altagamma True-Luxury Global Consumer Insight 2019, revelou que a compra e venda de produtos de luxo usados está crescendo 12% ao ano entre os milionários e bilionários. Esse tipo de comércio representa 7% do mercado de luxo.

A OLX, empresa referência por incentivar o desapego e o consumo consciente, viu o seu acesso alavancar durante a quarentena. O número de visitantes aumentou em mais de 30% e o número de acessos ultrapassou os 8 milhões.

Além da dificuldade de acesso ao comércio gerada pelo isolamento, a empresa acredita que “a pandemia acelerou a ideia de conscientização, com consumidores bem mais preocupados com o que será deixado para as futuras gerações”, conforme divulgado em nota.

A Inffino, plataforma de e-commerce brasileira de artigos de luxo seminovos, teve um aumento nas vendas de 36% em março e 33% em abril. No mês de julho a empresa conquistou um recorde histórico, com crescimento nas vendas de 40% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Muito mais do que a oportunidade de adquirir uma peça de qualidade a valores mais acessíveis, Mila Silbermann, criadora e sócia-fundadora da Inffino, diz que há um maior interesse de pessoas em consignar suas peças de maior qualidade dado o cenário de crise econômica. “Quem tem boas peças e precisa de dinheiro enxerga a oportunidade”, diz.

Há dez anos no mercado, o brechó possui um acervo composto por mais de mil peças de grifes como Louis Vuitton, Chanel, Prada, Gucci e Hermès, cujos valores variam até R$ 50 mil, com tíquete médio em torno de R$ 2 mil.

A indústria de moda é responsável por cerca de 8% a 10% das emissões globais de gases estufa e é a segunda economia que mais consome água, liberando 500 mil toneladas de microfibras sintéticas nos oceanos a cada ano, segundo levantamento da ONU Meio Ambiente de 2019.

A indústria perde anualmente cerca de US$ 500 bilhões com roupas que vão para lixões e aterros sem serem recicladas.

NO VAREJO TRADICIONAL

A percepção de que o consumo de seminovos harmoniza a busca por preços melhores, preservação do meio-ambiente e responsabilidade social tem ressignificado hábitos e impulsionado a economia compartilhada.

De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), já são mais de 14 mil brechós abertos pelo país.

Surfando nessa onda, o Grupo Reserva anunciou seu investimento na Troc, startup curitibana de revenda on-line de roupas usadas.

Navegando pelo site da Reserva é possível acessar a aba de second hand chamada de Reserva + Troc e adquirir peças seminovas da marca. Por lá, é possível filtrar a pesquisa por usado, novo com ou sem etiqueta e usada e em perfeitas condições. Há por exemplo, peças com etiquetas que são vendidas de R$ 199 por R$ 84.

Incorporada ao grupo, cabe à startup fazer todo o trabalho para quem deseja vender as peças na plataforma. Em São Paulo e Curitiba, a startup retira as peças na casa dos clientes, analisa se as peças estão dentro dos padrões da plataforma, fotografa e coloca à venda no site.

A cliente consegue acompanhar todo o status de venda das peças e a plataforma faz a divisão automático do percentual de pagamento que vai para a cliente e para a empresa.

Quem vender as peças de acordo com os padrões da startup recebe 20% de desconto para gastar na próxima compra da Reserva.

O mesmo modelo é replicado pela Arezzo, do mesmo grupo da reserva. Há menos de um mês, a calçadista passou a competir no mercado de produtos de segunda mão, abrindo uma nova frente de atuação no varejo.

Outras gigantes varejistas do ramo da moda, C&A e Renner, de forma independente, se uniram ao projeto Sacola do Bem. Trata-se de uma iniciativa desenvolvida pelo brechó Repassa, com o objetivo de estimular o desapego de roupas, calçados e acessórios usados, para, posteriormente, serem vendidos no site do empreendimento.

A estimativa do Repassa é de que os brasileiros tenham mais de R$ 50 bilhões “parados nos guarda-roupas” e que poderiam fazer a economia girar. Atento ao dado e com o intuito de reduzir os impactos ambientais causados pela indústria da moda, o brechó desenvolveu o projeto Sacola do Bem.

Na parceria com as varejistas, os interessados solicitam a embalagem do programa no site ou a retiram nas lojas físicas, depositam os itens que não desejam mais e, em seguida, fazem o envio para a startup, que realiza curadoria das peças que irão à venda. A cada compra finalizada, o participante do projeto recebe 60% do montante.

 

FOTO: Unsplash







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