Negócios

Vale do Paraíba deu o maior salto em empresas exportadoras


De um ano para outro, a região paulista registrou aumento de 205% no número de empresas que enviaram seus produtos para o exterior. É uma proporção bem acima da média estadual


  Por Mariana Missiaggia 13 de Abril de 2017 às 08:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Apontada como alternativa aos efeitos da recessão, a exportação ganhou uma nova configuração no Vale do Paraíba. No ano passado, 61 empresas apostaram pela primeira vez no mercado internacional.

Com isso, deram uma contribuição decisiva para que a região alcançasse um resultado recorde, traduzido pelo aumento de 205% no número de empresas exportadoras da região em um ranking paulista.

Foi uma proporção de companhias bem acima da média estadual, de 126%. 

Municípios como São José dos Campos, Jacareí e Taubaté que, em 2016, ganharam respectivamente 15, cinco e quatro novos exportadores são os destaques da região administrativa de São José dos Campos. 

Somam, no total, 379 empresas exportadoras, considerando aquelas que já atuavam no mercado externo.

As informações fazem parte de um estudo elaborado pela Investe São Paulo, com base em informações disponíveis no MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio). 

No ranking de cidades que enviaram produtos para outros países, São José dos Campos lidera com 130 empresas exportadoras, seguida de Taubaté (54), Jacareí (51), Pindamonhangaba (41), Caçapava (21), Lorena (20) e Guaratinguetá (13).

PAMONHA CONGELADA

Puxada pela alta nas vendas de equipamentos aeronáuticos, celulose, veículos, autopeças e produtos químicos, o Vale do Paraíba, que compreende 39 cidades, também reserva algumas surpresas. 

Distante 122 quilômetros da capital, Jambeiro é um bom exemplo. Com apenas seis mil habitantes, a cidade teve um representante na lista de empresas estreantes com a Pamonha Gourmet. 

Fundada em agosto de 2015, a empresa possui sete funcionários, e produz 20 mil pamonhas congeladas por mês (doce, salgada e light).

Desde o ano passado, esse produto tipicamente nacional está disponível em prateleiras de supermercados e restaurantes de seis países da Europa, além de Canadá e Estados Unidos.  

AZENHA, DA PAMONHA GOURMET: PRODUTO CONGELADO PARA SEIS PAÍSES DA EUROPA

A internacionalização se deu por meio de um parceiro comercial em Londres. O restante das negociações surgiram de oportunidades em feiras de negócios, de acordo com Humberto Azenha, 32 anos, fundador da Pamonha Gourmet.

Além de diminuir a dependência do mercado interno em um momento instável, Azenha queria atender uma demanda reprimida de produtos brasileiros para quem vive fora do país.  

Formado em comércio exterior, o empreendedor trabalhou por oito anos no setor de exportações de uma empresa de polpas e sucos, e já conhecia o caminho das pedras para avançar nesse mercado.

“Sem essa experiência, dificilmente, teríamos conseguido. A burocracia é enorme, e os órgãos públicos não estão preparados para nos ajudar”.

queixa do empreendedor se estende a Jacareí, a 80 quilômetros da capital paulista.

De acordo com Walker Antonio Ferraz, diretor de apoio a atividade empresarial da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Jacareí, não há nenhuma ação que estimule ou oriente empresas à exportar.

"Estamos agendando visitas e reuniões com especialistas do PEIEX (Projeto Extensão Industrial Exportadora São Paulo) e reunindo mais informações sobre as Câmaras de Comércio Exterior já existentes e instaladas nos municípios próximos, como Mogi das Cruzes e São José dos Campos, principalmente para micro e pequenas empresa", diz.

Empresas como a de Azenha conseguiram superar a desaceleração da atividade econômica no País, e mantiveram as vendas internacionais.

Em 2015, as micro e pequenas empresas do Estado de São Paulo exportaram mais de US$ 635 milhões - um pequeno crescimento em comparação a 2014, quando esse montante atingiu US$  629 milhões.

Para Sérgio Costa, diretor da Investe SP, a diversificação de produtos no Vale do Paraíba e Litoral Norte é um fator que atrai investimentos e aumenta as possibilidades de exportação. 

“O quadro reflete um dos ensinamentos que procuramos transmitir às empresas: é sempre interessante começar a exportar aos poucos”, diz.

Costa aponta o programa SP Export, realizado por meio de convênio com a Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) firmado já em 2015, também como uma ação importante para aumentar o número de exportações no Estado, com foco principalmente em pequenas e médias empresas, enquanto as projeções econômicas apontavam para uma desvalorização do câmbio e de uma desaceleração do consumo interno.

A expectativa de Costa é que o 2017 apresente números ainda mais expressivos com empresas que fizeram remessas maiores.

*FOTOS: Thinkstock e Divulgação