Negócios

Vale a pena apostar no monoproduto?


Esse modelo de negócios, adotado por marcas como a Fôrma de Pudim (foto acima), atrai empresas especializadas que investem em qualidade e no ineditismo de seus produtos


  Por André de Almeida  17 de Março de 2020 às 07:00

  | Repórter andre.dcomercio@gmail.com


As amigas e sócias Fernanda Nader e Daniela Aliperti resolveram, em 2010, abrir uma loja para comercializar apenas um único tipo de produto, no caso, pudim.

O que para muitos poderia ser um modelo de negócio arriscado, o do monoproduto, para as empresárias foi um tiro certeiro. Atualmente, a Fôrma de Pudim conta com loja física em Moema e vende entre 700 e 1 mil unidades por mês.

Mas será que o monoproduto é um modelo viável para todos os perfis de negócios? Há uma série de cuidados que devem ser levados em conta por quem pretende investir nesse formato comercial.

Na opinião de Caio Camargo, sócio-diretor da GS&UP - potencializadora de startups do Grupo GS& Gouvêa de Souza -, os motivos que levam uma empresa a investir no monoproduto vão desde “modismo em si, como no caso de paleterias, pastéis de nata, iogurte frozen e brigaderias, quanto a questão de teste de aceitação de um produto no mercado.”

Esse formato de loja, segundo Camargo, pode ser uma aposta ou um laboratório. “Isso dependerá de estarmos falando de um microempreendedor que tem sua expertise em determinado produto, ou algo como uma indústria, que busca em um formato de monoproduto uma melhor aproximação e aceitação de seu público consumidor.”

ESPECIALIZAÇÃO

No caso da Fôrma de Pudim, a formação e especialização de suas sócias colaboraram para a abertura da empresa.

Dez anos atrás, enquanto colegas de trabalho em uma agência de marketing hoteleiro, a publicitária Fernanda experimentou o tão falado pudim feito pela chef Daniela, formada em gastronomia e especialista em pâtisserie – espécie de padaria francesa voltada aos bolos e doces.

“Foi paixão à primeira mordida”, brincou Fernanda. Meses depois, as duas criaram a Fôrma de Pudim, unindo a veia comercial e publicitária de Fernanda, com o dom gastronômico de Daniela.

VÁRIAS VERSÕES DE UM MESMO PRODUTO: A FÔRMA DE PUDIM
TRABALHA COM 15 SABORES DIFERENTES DESSE DOCE TRADICIONAL 

Na época, as empresárias investiram em um modelo de negócio inédito, considerando-se o produto.

“É necessário ter um diferencial realmente interessante e, se possível, inédito, para investir em algo nesse segmento de monoproduto. Do contrário, faz mais sentido os modelos de negócio mais tradicionais, que podem somar mais produtos e serviços, que permitem mais possibilidades para se ajustar a estratégia”, explicou Camargo.

Não existe um ramo específico de atividade mais indicado para investir em monoproduto. “O importante é entender quais são os diferenciais do produto, para verificar se uma loja desse tipo faz sentido comparada a negócios que podem oferecer produtos similares, mas com mix e serviços mais completos”, destacou o sócio-diretor da GS&UP.

Justamente por apostar nos diferenciais e na variedade de sabores que a Fôrma de Pudim se destacou rapidamente no mercado.

Atualmente, são 15 sabores de pudins disponíveis. Além dos mais tradicionais, como o de leite condensado e brigadeiro, outros são bastante curiosos, como os de pistache, avelã, leite aromatizado com baunilha fresca, entre outros.

Em datas comemorativas, novos sabores são desenvolvidos, como o pudim de pão de mel (Páscoa) e o pudim de chocotone e panetone (Natal).

VANTAGENS E DESVANTAGENS

Todo modelo de negócios tem suas vantagens e desvantagens, que devem ser analisadas cuidadosamente pelos empresários. No monoproduto, esses cuidados não são diferentes.

Camargo acredita que a maior vantagem do formato “é uma melhor leitura do que dá certo ou não no produto, obtendo um feedback melhor direcionado”.

PARA CAIO CAMARGO, DA GS&UP, TRABALHAR COM UM ÚNICO
PRODUTO PERMITE UMA MELHOR LEITURA DO QUE ESTÁ DANDO
CERTO E O QUE NÃO FUNCIONA NO NEGÓCIO

Outro ponto positivo, segundo ele, é a aposta em um produto que, se tiver o mercado adequado, e dependendo do tipo de negócio, poderá oferecer boa lucratividade de maneira mais interessante.

“O contraponto disso é que, com base no monoproduto, se algo na estratégia falhar, haverá pouca chance de se buscar novos caminhos para o negócio”, explicou Camargo.

Para não correr muitos riscos, Fernanda conta que realizou, junto com a sócia, pesquisas de mercado, público-alvo e análise da concorrência antes de abrir a empresa.

“Descobrimos que não existia uma única loja que vendesse exclusivamente pudins. Além do mais, é a sobremesa predileta de muitas pessoas”, disse.

Após dez anos em funcionamento, a empresária garante que, com o monoproduto, os investimentos são mais baixos, pois não é preciso uma variedade grande de equipamentos, ingredientes e até mesmo funcionários.

Em contrapartida, é mais difícil criar novos assuntos, novos atrativos. “Para não cair na mesmice, temos sempre que estar atualizadas”, explicou Fernanda.

“É interessante manter-se atualizado a todo o momento, entendendo que produtos, por vezes, tem uma curva de interesse que pode apresentar um ótimo início, principalmente aqueles que estejam mais na moda ou em alta no mercado, mas que podem ter, no longo prazo, números bem mais modestos”, completou Camargo.

FRANQUIAS

O modelo de franquias, para um negócio monoproduto, também pode ser uma opção interessante. Como pressupõe algo que já foi testado e aceito no mercado, geralmente encontra-se em um momento de escalabilidade.

“Não é algo 100% seguro, mas, na maioria das vezes, oferece riscos muito menores do que começar do zero. No entanto, dependendo do modelo de franquia, boa parte da rentabilidade pode ficar comprometida por conta dos royalties. A questão é analisar caso a caso todo o modelo de negócio, como qualquer outro”, concluiu Camargo.

 

IMAGENS: Divulgação





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