Negócios

Vale a pena abrir um negócio na pandemia?


A crise gerou novas demandas no mercado e, mais uma vez, o empreendedorismo tem sido um dos meios encontrados pelos brasileiros para atender às necessidades do consumidor


  Por Mariana Missiaggia 23 de Março de 2021 às 13:41

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Começar um negócio do zero durante uma pandemia não parece boa ideia, mas na verdade pode ser uma grande decisão empreendedora. 

Assim como muitas empresas se inspiraram nas necessidades geradas pela pandemia do coronavírus para transformar suas atividades, muitas ideias novas surgiram no empreendedorismo com a imposição de uma nova demanda de consumo.

Como empreendedor, ainda dá tempo de se adaptar aos atuais desafios e começar um negócio próspero durante essa pandemia. Veja alguns mercados que ganharam destaque em meio à crise.

SERVIÇO DE ENTREGA

Com as pessoas mais seguras ficando dentro de casa, os serviços de entrega entraram em outro nível de prioridade. Seja para refeições, remédios, compras de supermercados ou qualquer outra mercadoria, diversos negócios necessitam de profissionais disponíveis.

Para quem está começando, o ideal é prestar serviço para empresas locais sendo uma ponte entre fornecedores e cliente até ganhar reconhecimento no mercado. A vantagem em iniciar um sistema de entrega local é ser mais eficiente e mais barato do que os serviços tradicionais.

Com o tempo é possível se especializar em determinada área, adaptar um veículo e entender os custos e benefícios de cada nicho, bem como aprender sobre seus clientes e seus hábitos de compra para aperfeiçoar seu serviço.

BEM-ESTAR

O coronavírus fez com que as pessoas trabalhassem em casa e permanecessem dentro a maior parte do dia. Isso combinado a ansiedade decorrente de uma pandemia transformou a rotina e a percepção de bem-estar da população.

Praticando menos atividade física, comendo de forma menos saudável e, geralmente, cuidando menos de si, mais do que nunca as pessoas precisam de motivação extra. O conteúdo de fitness e bem-estar tornou-se muito popular durante a pandemia.

Em 2019, o setor chamado de fitness digital movimentou U$ 3,6 bilhões nos Estados Unidos. Com o início da pandemia, a Peloton, um dos principais negócios de aulas remotas de spinning por assinatura mensal, viu suas ações valorizarem 9,2% no início de março depois que o número de downloads de seu aplicativo quintuplicou em relação a fevereiro. Em um mês, a valorização foi de 60% e a empresa passou a realizar aulas virtuais para mais de 23 mil participantes.

RECOMMERCE

Novas prioridades e novas necessidades ressignificam o conceito de brechós, inspirando uma tendência que deve impactar negócios de diferentes vertentes, sobretudo, o varejo. O termo em inglês recommerce evidencia esse movimento com o crescimento de plataformas de revenda ou pela adoção da estratégia também por empresas consolidadas.

A empresária Stella Kochen Susskind, fundadora da SKS CX Customer Experience, consultoria focada em experiência e satisfação do consumidor, destaca que o desafio imposto pela pandemia trouxe uma realidade de recessão para o planeta, impulsionando um mercado de venda de itens usados.

Levantamento da GlobalData e da WGSN aponta crescimento de 69% nesse modelo de negócio até o fim deste ano. Stella cita que a entrada de marcas de luxo nesse cenário – Gucci, Burberry e Stella McCartney – tem contribuído para combater o preconceito em relação a compra de usados.

A Levis, antenada com o crescimento do comércio reverso, lançou uma plataforma própria, a Levi’s SecondHand, associada a um programa de recompra que oferece aos consumidores a opção de comprar jeans usados da grife ou trocar itens por pontos que podem ser usados tanto na compra de novos produtos, quanto de seminovos.

No Brasil, têm surgido alguns exemplos. A Marisol está desenvolvendo o projeto Re-conta. A premissa é que “roupas paradas não contam histórias”. A iniciativa incentiva o consumidor a escolher, no guarda-roupa, peças que estão prontas para novas histórias, e levá-las até as lojas Lilica & Tigor para trocar por créditos em novas compras. Em uma parceria com a plataforma Enjoei, as peças doadas vão para uma lojinha on-line, alimentando a proposta de economia circular.

Um outro exemplo vem do mercado livreiro: livrarias como a Cultura transformam livros seminovos, levados pelos clientes às unidades, em créditos para novas aquisições. Além disso, há área exclusiva na plataforma, o Sebo Cultura, onde as obras usadas podem ser compradas com descontos.

TECNOLOGIA TÊXTIL

Em meio à pandemia, marcas estão vendendo produtos feitos com materiais que prometem eliminar ou neutralizar o novo coronavírus, chamadas de roupas antivirais.

Um case de sucesso durante a pandemia é o da startup Insider Store. A marca investe na produção e comercialização de peças em tecidos com tecnologia antissuor, anti odor e com regulação térmica. 

A empresa foi a primeira a lançar peças antivirais no Brasil. As máscaras e camisetas são feitas com um tecido impregnado de nanopartículas de prata, que desativam 99,9% de vírus e bactérias em até 5 minutos. Os produtos foram certificados com essa eficácia após testes realizados pelo laboratório de virologia da Unicamp e outros privados, seguindo a norma ISO 18184.

Além disso, as máscaras, principalmente, ganharam força no mercado pela ação antiacne, que se tornou reclamação constante daqueles que usavam máscaras de tecidos normais.

A empresa cresceu quatro vezes de 2019 para 2020, chegando a R$ 30 milhões de faturamento no último ano. A previsão é alcançar a marca de R$ 60 milhões em 2021.

COMÉRCIO ELETRÔNICO

O setor de vendas on-line registrou um recorde em 2020. De acordo com dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), em parceria com a Neotrust, o crescimento nas vendas foi de 68% na comparação com 2019, elevando a participação do e-commerce no faturamento total do varejo, que passou de 5% no final de 2019 para um patamar acima de 10% em alguns meses do ano passado.

O dado reflete hábitos adquiridos durante a pandemia do coronavírus e da necessidade de digitalização das empresas. Marcas que mesmo antes do cenário da pandemia já funcionavam de maneira 100% on-line viram os números de vendas decolarem.

A plataforma digital de serviços e compra de vinhos Eniwine foi impulsionada durante a pandemia. Segundo pesquisa realizada pela Ideal Consulting, a importação de vinho nos primeiros cinco meses do ano de 2020 no Brasil aumentou 5% em volume, somando 43 milhões de litros.

Com as medidas de isolamento implantadas no fim de março do último ano, cada vez mais pessoas optam por comprar pela internet itens de necessidade básica, como produtos de supermercado ou de farmácia. 

Segundo o levantamento da SEMrush, o Submarino e a Lojas Americanas experimentaram um aumento de tráfego de 16,2% e 20,8%, respectivamente, de janeiro para março de 2020. Nos Estados Unidos, a Amazon anunciou, no dia 13 de abril, que contrataria 75 mil novos funcionários para dar conta do aumento da demanda só no mercado norte-americano. No dia 16 de abril, a gigante do comércio eletrônico on-line atingiu valor de mercado recorde: US$ 1,2 trilhão, uma valorização de 28,6% no ano.

 

IMAGEM: Pixabay






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