Negócios

Uma oportunidade de ampliar negócios com os Emirados Árabes


Missão da SP Chamber da ACSP vai levar empreendedores brasileiros para fazer trocas comerciais com bloco de países que tem uma das maiores rendas per capita globais - incluindo a gigante Abu-Dhabi (acima)


  Por Karina Lignelli 16 de Novembro de 2021 às 06:30

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


O Brasil e os Emirados Árabes, bloco de sete países do sudoeste asiático que inclui Dubai e a capital Abu-Dhabi, são parceiros de longa data. Em 2020, o bloco exportou US$ 734 milhões para o Brasil em artigos como pequenas embarcações, máquinas e equipamentos, entre outros, crescendo 28% em vendas nos últimos cinco anos. 

Na direção oposta, o Brasil vendeu US$ 2,05 bilhões para os Emirados no ano passado em itens de alto valor agregado e produtos preciosos na pandemia, como proteína animal, com ligeira queda de 3% de 2016 a 2020.

Para melhorar essa equação, a SP Chamber of Commerce, braço de comércio exterior da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), realizou o webinar "Fazendo Negócios com os Emirados Árabes" na última quinta-feira (11/11), como um 'esquenta' da missão comercial que levará empreendedores brasileiros à Expo Dubai, em fevereiro de 2022. 

Com uma população relativamente pequena, estimada em 9,9 milhões de pessoas, o bloco é uma das economias mais desenvolvidas do Oriente Médio, têm a sexta maior reserva de petróleo mundial, e considerado um hub de negócios para regiões como Arábia Saudita, Catar, Kuwait, Irã e leste da África.    

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Quase uma 'São Paulo' pelo total de habitantes e a riqueza do mercado interno, segundo Maurício Manfré, advogado e assessor de negócios internacionais da SP Chamber, o bloco tem um PIB estimado em US$ 655,9 milhões, e renda média per capita de US$ 67.120 (dados de 2019). 

Além da proteína animal, o Brasil exporta pedras preciosas, açúcar, celulose, minérios, café, frutas e até eletroeletrônicos e veículos aos Emirados. "É um consumidor intensivo. Mas para consumir, é preciso que ele tenha acesso a essa oferta", afirma Manfré.

Ainda que historicamente sua economia e o consumo sejam impulsionados pelo petróleo, e apresentem crescimento econômico baixo pelo declínio imobiliário, os Emirados têm diversificado o foco para crescer. 

Como por exemplo em serviços de logística orientada para o comércio exterior, da qual é líder regional na cadeia de suprimentos (supply chain), e na ampliação do desenvolvimento do setor de tecnologia. 

Intensivo também é seu comércio exterior, comparado ao nosso. Enquanto o Brasil exportou US$ 217,2 bilhões e importou US$ 153,2 bilhões em 2020, os Emirados venderam US$ 308 bilhões e compraram US$ 229,2 bilhões, nos ultrapassando em 30% e 25%, respectivamente, nas operações de comex, segundo Manfré. 

Ele explica que o bloco tem característica de país trader ou hub, como Alemanha e Holanda, grandes exportadores mundiais de produtos que não produzem, pelo seu desenvolvimento logístico estratégico que inclui planos de ampliação e consolidação de mercados, além de acordos de cooperação. 

"São elementos essenciais que fazem com que ele seja um parceiro comercial importantíssimo", sinaliza.

PARA FICAR E SE ESTABELECER

Uma região extremamente rica, aberta a fazer negócios e localizada em um ponto que permite acesso a operações comerciais, financeiras, logísticas, além de amparo legal ao investimento estrangeiro.  

Diferentemente da burocracia e complexidade vivenciada por países mais jovens, a legislação local é pautada na Common Law (sistema jurídico global baseado em jurisprudência, que entende que as partes são livres para estabelecer regras de conduta e solução de conflitos) - o que dá mais agilidade para fazer negócios. 

Com essas qualidades, mais acordos comerciais como o Gulf Cooperation Council, que inclui os países da região do Golfo Pérsico (ou da Arábia, como alguns deles preferem), além de processos de integração regional ao mercado comum, os Emirados Árabes oferecem um bom ambiente para trocas comerciais, diz Manfré.  

Isso porque, olhando de perto a oportunidade de se relacionar com o grupo deste acordo, ele é extremamente relevante, já que que ao todo abrange 58 milhões de pessoas e PIB de US$ 1,34 trilhão, destaca. 

Mas não basta só importar e exportar, nem apenas colocar um representante comercial na região: o ideal é ampliar a presença local, para criar proximidade e fazer acompanhamento constante desses clientes.  

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Usar a região como hub de negócios, de estoque e suas zonas francas é vantajosa, mas exige a necessidade de uma operação internacional própria a partir dali, reforça. "Por ser considerada uma economia tradicional, construir e desenvolver um relacionamento comercial faz toda a diferença."

Manfré lembra que antes o arcabouço legal dos Emirados tinha forte imposição de um parceiro local para fazer negócios por lá. Mas, com o avanço das relações internacionais, a situação impositiva acabou. 

"A dificuldade não está no país, na região, mas em achar o parceiro certo para começar a vender. A complexidade de estabelecer uma relação de confiança é maior na Ásia ou América Latina que no Golfo."

Daí entra a figura do sponsor, uma pessoa que conhece o mercado local e fornece recursos, suporte e até programa ao projeto de internacionalização para quem pretende negociar com o bloco.  

Dessa forma, não será preciso investir tanto tempo nem dinheiro em acesso e informações para entrar no mercado árabe, facilitando a aceleração dos negócios e a visualização mais rápida de resultados. 

"É claro que se pode considerar modelos como a simples exportação, mas assim esse empresário não está acessando efetivamente esse mercado", explica. "A concorrência é selvagem. Então não adianta entrar para esse mercado de alto potencial só para fazer algumas vendas, mas sim para ficar e se estabelecer."

COMO IR À EXPO DUBAI 2022

Com objetivo de abrir espaço para os empreendedores brasileiros encontrarem oportunidades nos Emirados Árabes e região, a missão comercial da SP Chamber da ACSP para a Expo Dubai acontece em fevereiro.

Lá, os visitantes terão acesso a seminários técnicos e informativos e rodadas de negócios com empresas de serviços comerciais, logísticos, legais e financeiros dos Emirados, e de países da região do Golfo Pérsico. 

A ideia é avançar na construção do networking internacional, diz Maurício Manfré. "Esse evento marca a retomada da economia pós-pandemia, por isso ele será histórico", acredita.

Quem tiver interesse em participar, basta preencher o formulário da SP Chamber neste link até 20/12.  

FOTO: Freepik






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