Negócios

"Um país com menos Estado e economia mais livre"


Na última reportagem da série Semana do Comerciante, o empresário Artur Grynbaum, presidente do Grupo Boticário, pede ajuste fiscal com enxugamento de despesas do governo, em vez de mais aumento de impostos


  Por Karina Lignelli 23 de Julho de 2016 às 12:00

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


“Eu gostaria de ganhar um país melhor, com melhor ambiente para o desenvolvimento econômico e empresarial, menos desemprego e mais renda na mão da população. Um país com menos Estado e economia mais livre”.

A afirmação é do empresário Artur Grynbaum, presidente do Grupo Boticário, fabricante de cosméticos e responsável pela maior rede nacional de franquias, de acordo com ranking da Associação Brasileira de Franchising (ABF).

São quase quatro mil pontos de vendas espalhados no país que somaram, no ano passado, R$ 10,1 bilhões em vendas.

A exemplo de outros empresários e executivos entrevistados na série Semana do Comerciante, em homenagem ao Dia do Comerciante, comemorado sábado passado (16/07), Grynbaum definiu um presente que gostaria de receber na data.

O fato, segundo afirma Grynbaum é que prevalece atualmente um receio generalizado de consumir. “Até quem poderia não está comprando. A crise está muito próxima das pessoas”, diz.

No setor de higiene e beleza, do qual o Grupo Boticário é protagonista, esse receio vem gerando impactos negativos desde o ano passado.

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O aumento da carga tributária, a alta do dólar e a pior crise econômica, levaram o Brasil, que detém 7,1% do consumo mundial desse mercado, a cair da terceira para a quarta posição no ranking, atrás dos Estados Unidos, China e Japão, de acordo com dados da Abihpec, a entidade que representa o setor.

Para João Carlos Basilio, presidente executivo da Abihpec, aumentos indiscriminados de taxas e tributos foram os principais responsáveis pela queda em 2015, após dez anos consecutivos de crescimento anual de dois dígitos, em média.

“Isso reduziu as curvas de arrecadação, um efeito contrário ao pretendido pelo governo”, afirma Basilio, ao acrescentar que a elevada carga tributária contribui para incentivar a informalidade na indústria.

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Com opinião semelhante, Grynbaum diz que um bom presente, não somente para o seu negócio, mas para o país, será o ajuste fiscal, para que algo de bom possa ocorrer neste cenário.

“Desejo que esse ajuste se traduza em enxugamento de despesas, e não apenas com o aumento de impostos. Isso só serve como solução de curtíssimo prazo, mas não traz benefícios perenes”, diz.

Para o especialista Marcus Rizzo, sócio-fundador da Rizzo Franchise, especificamente no universo do franchising há meios de driblar a crise sem mesmo depender de grandes mudanças na economia.

Uma sugestão é repensar seu modelo operacional. No caso de indústrias que também migraram para o varejo ao franquear lojas, como o Grupo Boticário, os produtos percorrem um trajeto maior até chegar à ponta ao consumidor final, o que gera aumento de preços e tributação em cascata ao longo da cadeia.

Para impulsionar os negócios mesmo em um ambiente econômico inóspito, Rizzo afirma que seria melhor abrir mão de ganhos sobre a produção, licenciando fornecedores para vender diretamente ao franqueado.

FRANQUIAS O BOTICÁRIO: TAMBÉM NO E-COMMERCE E NAS VENDAS DIRETAS

"Repensar a operação de redes como essa faria uma grande diferença. E a crise é o momento ideal para isso", afirma Rizzo.

Com quase 40 anos de operação, o Grupo Boticário nasceu como uma pequena farmácia de manipulação fundada em Curitiba (PR) pelo bioquímico Miguel Krigsner, hoje presidente do Conselho Administrativo.

Atualmente, a maior rede de franquias do país também está no e-commerce, e adotou o modelo de vendas diretas como canal complementar ao franchising com a marca O Boticário. Para 2016, a expectativa da rede é inaugurar 30 novas lojas.

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Arte: Willian Chaussê

FOTO: Felipe Rau/Estadão Conteúdo