Negócios

Terminais urbanos apostam no varejo de proximidade


Projeto Praça Unitah leva lojistas para operarem em espaços como do Tatuapé (acima) que, mesmo durante a pandemia, têm mantido alto fluxo de pessoas - e chances de retorno financeiro rápido


  Por Karina Lignelli 08 de Março de 2021 às 07:00

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


Desde o início da pandemia, e em meio à reentrada de São Paulo na fase vermelha, os terminais urbanos da capital paulista continuam como alguns dos poucos locais que não tiveram as atividades interrompidas. 

Para atender às mudanças de comportamento, e adequar os negócios ao atual cenário, o modelo do varejo de proximidade, instalado em locais com alto fluxo de pessoas, se materializa com o projeto Praça Unitah. 

Nele, 13 terminais de ônibus integrados a estações de Metrô da capital paulista, com circulação média diária de 1,5 milhão de pessoas, estão sendo revitalizados e transformados em espaços de compras e conveniência. 

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Mas, o grande diferencial do consórcio capitaneado pelo Grupo Rezek é abrir oportunidade de negócio a pequenos  empreendedores, empresários de franquias e até ministores de marcas famosas, como a C&A.   

Ter um ponto comercial nos terminais urbanos é um modelo versátil e vantajoso, pois atende a diversos tipos de lojista, afirma Luiz Fernando Ferraz Bueno, presidente do consórcio Unitah Empreendimentos. 

"Diferentemente de outros espaços comerciais, os terminais de ônibus possuem um fluxo garantido
de circulação de pessoas, e são alguns dos poucos locais que podem continuar em atividade." 

Dentro do projeto, os pequenos boxes e quiosques que existem hoje têm sido padronizados e somados às áreas
comerciais maiores, com layout diferenciado em 13,5 mil m2 e 1.262 espaços disponíveis para locação. 

Já o mix de lojas é dividido em alimentação, varejo e serviços, com pequenos estabelecimentos de fast food, cafés, vestuário, eletrônicos e serviços de costura, estúdios de tatuagem, minimercados e salões de beleza.  

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Bueno afirma que o Praça Unitah foi pensado para viabilizar condições adequadas aos lojistas que aderirem. Como, por exemplo, um ambiente seguro, limpo e funcional para operar e atender ao público, além de um formato de boxes onde é possível instalar as lojas facilmente, com baixo custo de manutenção. 

"Não ter burocracias nas negociações dos contratos também foi algo que mereceu atenção - tanto que o lojista já consegue se instalar um dia após a assinatura do contrato", afirma Bueno, que diz que, como muitos estão em seu primeiro negócio, são oferecidos cursos gratuitos de suporte e qualificação empresarial.

Os terminais inclusos no projeto Praça Unitah são Tatuapé Sul, Tatuapé Norte, Brás, Carrão Sul, Carrão Norte, Artur Alvim, Penha, Vila Matilde e Patriarca, interligados à linha vermelha do Metrô. 

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DETALHE DA KIDSTOCK EM UM DOS TERMINAIS: MUDANÇA DE ESTRATÉGIA

Já os da Ana Rosa, Santana, Armênia e Parada Inglesa integram a linha azul. Até o momento, os terminais Tatuapé Sul e Carrão Sul são os mais avançados em implantação de melhorias, como wi-fi grátis, novo mobiliário e paisagismo repaginado, além da abertura de quase 100 lojas, segundo Bueno. 

Artur Alvim, Santana e Ana Rosa são os próximos a abrir lojas, mas hoje todos os 13 contam com segurança privada e cuidados de conservação pelo consórcio, outorgado para administrar os terminais por 30 anos.

A previsão é que até o fim do primeiro semestre todos os 13 terminais recebam lojas ou, pelo menos, obras de
benfeitorias e adaptações em suas estruturas. 

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"Com a implantação das novas áreas anexas aos terminais, os passageiros se sentirão mais seguros ao frequentar o local, que ajuda a valorizar o entorno", acredita o presidente do consórcio. 

O investimento mínimo para a Praça Unitah é de R$ 200 milhões em dez anos, podendo alcançar R$ 600 milhões. O Metrô de São Paulo calcula uma economia de R$ 22 milhões com a parceria. 

DE LOCAL DE PASSAGEM PARA DESTINO DE COMPRAS 

Tornar a jornada de compra do consumidor mais conveniente e prática é um modelo que têm ditado as relações de consumo nos últimos anos, mas que ganhou força em tempos de medidas restritivas.  

O movimento, que já era perceptível na realidade brasileira e no exterior, foi acelerado com o surgimento da pandemia, diz o especialista em varejo Marcos Gouvêa de Souza, diretor-geral da Gouvêa Ecosystem. 

Em sua avaliação, o consumidor, pressionado pela contingência do isolamento social e das restrições de deslocamento, aprendeu a valorizar tudo o que está próximo ou no caminho de suas atividades diárias, de forma que a sua experiência de consumo proporcione segurança e rapidez. 

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"Num momento no qual as pessoas tentam evitar aglomerações públicas e grandes centros de compras, o comércio local passou a ganhar mais visibilidade nas escolhas do consumidor", destaca.

Exemplo disso é a Kidstok, franquia de moda infantil com 304 lojas, que lança modelos semanalmente com tíquete médio baixo, em torno de R$ 30, e passou a repensar suas estratégias de expansão em 2020.  

Além da mudança no comportamento do consumidor, a falta de flexibilidade em renegociar contratos, que levaram a rede a fechar duas de suas 129 lojas em shoppings nas cidades de Campo Grande (MS) e Americana (SP) durante a pandemia, foram decisivas para alterar a rota, diz o diretor de expansão da rede Douglas Bote. 

REPRODUÇÃO DO PRAÇA UNITAH NO TERMINAL CARRÃO

Trabalhar com fornecimento linear de peças e lançar novidades o ano todo é um modelo que 'casa' com o metrô, afirma. "Além do custo menor, temos clientes recorrentes e fidelizados na porta da loja todo dia", completa. 

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No momento, a marca já tem lojas na Praça Unitah dos terminais Tatuapé, Carrão e Santana, e em breve, estará nas de Vila Matilde, Arthur Alvim e Patriarca (todas na Zona Leste), que ainda estão em fase de obras. 

Seguindo modelos de outras metrópoles espalhadas pelo mundo, a proposta do Praça Unitah é transformar empreendimentos ligados ao transporte público em uma opção de lazer e acesso a produtos e serviços. 

Luiz Bueno, do consórcio, diz que o objetivo da revitalização dos terminais é devolver à população um de seus bens mais importantes - o tempo -, já que não será mais preciso desviar do caminho para comprar. 

“Queremos que os terminais sejam mais do que um local de passagem e se firmem como destino de compras, que irá atrair a atenção não só dos usuários de transporte, mas de quem mora e trabalha nas imediações."

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Outra novidade da concessão é que sete dos 13 terminais são edificáveis (Ana Rosa, Santana, Patriarca Norte, Vila Matilde Norte, Carrão Norte, Tatuapé Norte e Tatuapé Sul), podem, no futuro, abrigar shopping centers, academias de ginástica, prédios comerciais, moradias estudantis, consultórios e hospitais, entre outros. 

O projeto dos centros comerciais multiuso está em fase final de aprovação na Prefeitura e no Metrô da capital, diz Bueno. "A expectativa é que a área edificável atinja 220 mil m2 nos próximos quatro anos", sinaliza. 

 

FOTO: Divulgação






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