Negócios

"Tentamos fazer de modo diferente", diz Sergio Herz em entrevista ao Diário do Comércio


CEO da Livraria Cultura acredita que investir no online é ótima alternativa aos custos elevados da loja física


  Por Redação DC 25 de Outubro de 2014 às 00:00

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


Foto: Rafael Arbex / EC

Em entrevista ao Diário do Comércio, Sergio Herz explica como a rede de livrarias tem encarado os desafios do mercado editorial em um ano de baixo crescimento, mantendo os investimentos.

Diário do Comércio – Por que o objetivo de abrir novas lojas neste ano foi substituído pelo site?
Sergio Herz –
Este ano não está fácil para ninguém por causa da queda no consumo. Temos que estudar a abertura de loja com muito cuidado porque o custo de ocupação está muito alto. Além disso, encontrar profissionais qualificados não é fácil e no final do dia é assim: se o cliente entra na loja e é mal atendido, não quer mais saber da nossa livraria. Ainda mais hoje em dia que as pessoas não precisam mais de loja. Por isso, estamos investindo pesado no online.

Fale sobre esse investimento. O que o site terá de diferente?
Estamos com o investimento de R$ 10 milhões no e-commerce. O site terá uma tecnologia que aprenderá com os hábitos do cliente. O ideal é que ele seja uma página personalizada de cada cliente. Vamos trabalhar com conteúdo e levar as experiências das lojas para o online, como a curadoria, o storytelling. Não é uma tarefa simples, mas é o que vamos tentar fazer. E é claro que vai ter aquele formato tradicional do e-commerce, com as categorias de livros.

Qual é a projeção de aumento nas vendas com esse investimento?
Na estimativa de receita de R$ 520 milhões para este ano já consideramos o novo site. Hoje, o share do e-commerce é de 22% da operação. Queremos que isso também aumente.

O senhor já passou pela experiência de receber um sócio investidor. O que isso proporcionou à Livraria Cultura?
A Neo é um fundo de investimento que é sócio minoritário da Livraria Cultura. A nossa relação, que começou em 2009, é ótima, fantástica. Eles trouxeram novas maneiras de gerir nosso negócio. Nesse período, a nossa profissionalização aumentou muito, principalmente em termos de governança corporativa e de transparência. A associação com o fundo de investimento trouxe essa disciplina, de preparar a empresa para o futuro.

Ajudou também a inovar?
Não julgo que nossa empresa seja inovadora e acho pretensioso dizer isso. Mas tentamos fazer de maneira diferente o que já existe. O mote interno é que o que funciona é obsoleto e precisamos inventar algo novo, que é o que as pessoas valorizam. Acho que a definição certa é criar um serviço que pessoas gostam.

A entrada do fundo mexeu com a estrutura da empresa, que é familiar?
Sim, mudou, mas ela continua sendo familiar. Antes mais gente da família trabalhava, mas agora temos um grupo de executivos e profissionais. Isso é bom porque ajuda no plano de sucessão, algo que se deixar só na família fica complicado. Quando se tem um sócio, tudo fica mais disciplinado e menos emocional.

A abertura de capital na bolsa de valores já está nos planos da Livraria Cultura?
Não sei ainda. Está muito cedo para falar.

por Rejane Tamoto





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