Negócios

Surge um marketplace exclusivo para lojistas de shopping


Plataforma online reúne 300 estabelecimentos e opera como um e-commerce unificado.O cliente retira em estabelecimentos de sete empreendimentos comerciais


  Por Italo Rufino 11 de Agosto de 2018 às 08:00

  | Repórter isrufino@dcomercio.com.br


O lojista de shopping já tem um marketplace para chamar de seu, a plataforma online On Stores. A iniciativa congrega num só e-commerce mais de mil produtos de 300 lojas, residentes de sete shoppings, para proporcionar ao consumidor uma experiência unificada de compra.

Funciona assim: o consumidor escolhe os produtos das diferentes marcas e realiza apenas um pagamento. O próprio sistema da On Stores faz a divisão do pedido e repassa os valores para cada uma das lojas. Por sua vez, o cliente precisa ir até a loja física para retirar a mercadoria, num sistema de click & collect.

Lançado no final de 2017, o projeto foi uma criação da administradora de shopping centers CCP, spin-off da construtora Cyrela, que controla o Grand Plaza Shopping, Shopping D, Tietê Plaza Shopping e Shopping Cidade São Paulo, todos instalados na capital paulista.

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No portifólio da CCP constam também o Parque Shopping Belém, no Pará; o Shopping Estação BH, em Minas Gerais; o Shopping Cerrado, em Goiás; e Shopping Metropolitano Barra, no Rio de Janeiro.

“A iniciativa é uma forma de aumentar as vendas dos lojistas e elevar o fluxo de pessoas nos empreendimentos”, afirma Pedro Dalton, CEO da CCP.

EXECUTIVOS DA CCP E MEMBROS DO CONSELHO DE VAREJO DA ACSP:
ADMINISTRADORA DE SHOPPINGS E LOJISTAS DEVEM SER PARCEIROS

O executivo foi um dos convidados da reunião do Conselho de Varejo da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), realiza na sexta-feira (10/08), na sede da entidade.

Também participaram do encontro Henrique Carvalho e Raphael Karan, respectivamente diretor e Superintendente Comercial da CCP, e quase 20 representantes de empresas do varejo, entre elas Renner, Puket, Polishop e Chilli Beans.

“Varejistas e administradoras de shoppings precisam ser parceiros para desempenhar um trabalho que garanta vendas para as lojas e rentabilidade para os empreendimentos”, disse Nelson Kheirallah, coordenador do Conselho de Varejo da ACSP.

Fomentar as vendas dos lojistas é uma maneira da CCP perpetuar seu modelo de negócio.

Em 2018, a empresa espera faturar R$ 357 milhões. Desse total, 61% virão da administração de shoppings, o restante será locações de edifícios corporativos.

E sem vendas nos shoppings, a vida do comerciante fica difícil, o que pode fazer com que ele feche as portas e, consequentemente, afete os negócios da CCP.

Embora o varejo esteja em recuperação, ainda é necessária atenção. De acordo com Ulisses Gamboa, economista do Instituto de Economia Gastão Vidigal, da ASCP. As perspectivas não são as melhores.

“O consumidor ainda está pessimista e a projeção do PIB de 2018 tem sido reajustada para baixo”, disse ele.

TENDÊNCIAS PARA O SETOR

Além do omnichannel, conceito que integra os canais de venda, equiparando atendimento, preço e estoque no comércio eletrônico e nas lojas físicas, também foram abordadas outras orientações que deverão nortear a atuação dos shoppings.

Uma delas está relacionada à arquitetura e design. Se nas últimas décadas reinou a ideia de shoppings que pareciam ilhas isoladas de consumo -com estrutura fechada, em que o cliente sequer conseguia identificar se estava calor e sol do lado de fora -, agora o jogo mudou.

PARQUE DA TURMA DA MÔNICA, NO SHOPPING CERRADO: ESPAÇO
DE ENTRETENIMENTO É TENDÊNCIA NO SETOR 

“Os shoppings terão cada vez mais áreas abertas, com iluminação natural e espaços para que as pessoas se reúnam ao ar livre”, disse Carvalho, da CCP.

Consumidores que vão ao shopping só para dar uma volta, tomar um sorvete de poucos reais e não comprar nenhum produto também não poderão ser vistos com maus olhos pelos lojistas. O shopping precisa ser hospitaleiro com todos – e, ao se sentir acolhido, esse consumidor passará a comprar no estabelecimento, mais cedo ou mais tarde.

Outra tendência deverá ser os espaços de serviços. Estima-se que nos próximos cinco anos apenas 30% da área locável do shopping será destinada ao varejo. O restante deverá ser ocupado por escolas, centros de beleza, parque de diversões, clinicas médias, departamentos públicos, entre outros.

Um exemplo desse novo conceito é o Cerrado Shopping, de Goiás. Recentemente, foi inaugurado no empreendimento a primeira Estação Turma da Mônica, centro de entretenimento familiar dos personagens de Mauricio de Souza, que conta com 13 atrações temáticas.

DESPEDIDA DE UM ARTICULADOR DO VAREJO

MÜLLER E KHEIRALLAH: HOMENAGEM AO COFUNDADOR
DO CONSELHO DE VAREJO DA ACSP

Ademir Pedro Müler foi um dos fundadores do conselho de varejo e, recentemente, se aposentou do cargo de gerente sênior de expansão da Renner, após 48 anos na empresa. A reunião do Conselho de Varejo também foi uma oportunidade para homenageá-lo.

Müller recebeu uma placa de agradecimento pelos serviços prestados e ouviu emocionantes relatos dos demais membros do conselho.

Por 13 anos, ele foi responsável, entre outras atribuições, por avaliar o desempenho de empreendimentos e regiões comerciais, fazer análise de maturação dos negócios e articular, junto a representantes de outras marcas, o ingresso de lojas em novos shoppings.

Agora, Müller retornará ao estado natal, o Rio Grande do Sul. Mas promete se manter ativo como conselheiro da ACSP.

“As marcas que terão sucesso no futuro do varejo serão aquelas que conseguirem entender cada vez mais os seus clientes e contar com profissionais especializados”, disse Ademir. 

IMAGENS: Thinkstock e divulgação