Negócios

Supermercados perdem vendas por falta de produtos nas gôndolas


Índice que mede a quantidade de vezes que o consumidor não encontrou o que procurava nos estabelecimentos chegou a 3,2% em setembro. Saiba como evitar esse problema


  Por Italo Rufino 10 de Novembro de 2015 às 19:00

  | Repórter isrufino@dcomercio.com.br


De acordo com dados da NeoGrid, empresa de software para gestão de cadeia de suprimentos, a falta de produtos nas prateleiras do supermercados cresceu em setembro e atingiu a marca de 3,2%. Em agosto, o percentual foi de 2,68%. 

As vendas perdidas por causa da falta de itens nas gôndolas atingiram o maior nível desde outubro do ano passado. 

A taxa é calculada de acordo com a porcentagem de vezes que o consumidor procurou determinado produto e não encontrou nas lojas. 

Os locais nos quais o consumidor mais notou a falta de produtos foram a Região Metropolitana do Rio de Janeiro, com índice de 4,16%, seguida por Minas Gerais, Espírito Santo e interior do Rio de Janeiro – os três com 3,95%. A menor indisponibilidade foi na região Sul, que apresentou taxa de 2,65%.

De acordo com a pesquisa, em 43,21% dos casos, o que gerou a falta de mercadorias nos supermercados foram problemas logísticos. Esse tipo de embaraço tem sido destacado por empresários do setor como consequência de negociações mais demoradas entre varejistas e fornecedores.

Isso ocorre diante da dificuldade de negociar preços em meio à forte volatilidade nos custos, provocada entre outras coisas pelo impacto do câmbio.

"O varejo continua receoso, comprando menos, com medo de que a mercadoria fique encalhada na gôndola", disse em nota Robson Munhoz, diretor de relacionamento, varejo e indústria da NeoGrid.

LEIA TAMBÉM: Vendas reais do varejo caem 7,4% em setembro

SEM TEMOR NAS VENDAS

Para evitar o impasse na oferta e demanda, Fernando Gibotti, diretor da GS Group, consultoria especializada em varejo, recomenda ao lojista que descubra a velocidade adequada de reposição do estoque. Desta forma, pode antecipar as negociações com os fornecedores. 

Para ter êxito na negociação, é essencial que o varejista conheça o perfil do seu cliente – o mix de produto e a velocidade de consumo. 

Ao saber quais produtos o cliente aprecia e sua frequência de compra, o empresário pode controlar o volume de pedidos de acordo com a demanda real. Assim, a probabilidade dos produtos ficarem parados no estoque tende a cair. 

SAIBA MAIS: Lucro de supermercados paulistas cai 30% neste ano

Conhecer os hábitos dos clientes também gera outra vantagem competitiva. O empresário pode comunicar previamente para os fornecedores quais são os produtos que mais têm saída, o que faz com que a indústria regule a sua produção de acordo com a demanda do consumidor final – o que é bom para ambos os lados. 

A antecipação dos pedidos de compra também faz com que o empreendedor tenha mais tempo para negociar. Com tempo extra, pode conseguir melhores condições de prazos e valores.

Em uma situação na qual o fabricante se mostre inflexível durante uma negociação, Gibotti orienta procurar novos parceiros.

Segundo o especialista, nos últimos meses, a indústria tem sido mais firme em relação aos preços e prazos por causa do aumento do custo na fabricação dos produtos. 

Nesse caso, uma saída pode ser trocar as encomendas aos fabricantes por compras em distribuidores especializados, que oferecem maior portfólio de marcas e costumam ser mais flexíveis no prazo e na forma de pagamento.

*Com informações de Estadão Conteúdo