Negócios

Supermercados de 30 metros quadrados, a nova onda do varejo


Cada vez mais parecida com conveniências de postos de gasolina, a operação de mini lojas de grandes redes tem evoluído e mostrado potencial para crescer desde o início da pandemia


  Por Mariana Missiaggia 07 de Abril de 2021 às 08:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Formatos de conveniência vêm sendo apontados como tendência nos últimos anos e sendo debatidos entre especialistas durante eventos importantes sobre o varejo, como a NRF (National Retail Federation).

No Brasil, a aplicação desse modelo foi se materializando aos poucos em grandes capitais brasileiras. Lojas menores e com foco na conveniência para os consumidores finais foram além do varejo alimentar e também já são uma realidade em outros segmentos, como, por exemplo, de material de construção. É o caso das lojas de bairro do Home Center Telhanorte.

A rede mexicana OXXO, que tem como acionistas no Brasil a Raízen, dona da Shell, e a Femsa, proprietária de fábricas da Coca-Cola, prevê inaugurar 500 lojas de conveniência até 2023. São espaços com área de vendas inferior a 100 metros quadrados e oferta de produtos que incluem itens de padaria, bebidas e aperitivos.

A esses exemplos se somam investidas do Carrefour Express, Pão de Açúcar Minuto e Mini Extra, que expandiram as operações pelo sudeste do país, desde 2018.

Outras iniciativas similares mostram, de certa forma, uma evolução desse modelo. Operando há 56 anos no interior paulista, a rede supermercadista Enxuto investe há três anos em um projeto que nasceu a pedido de seus clientes: o Enxuto Aqui.

Com cara de loja de conveniência e abastecida com produtos selecionados a fim de socorrer as dispensas dos consumidores com itens práticos e rápidos, conhecidos como “needs for today”, na tradução, necessidades do dia, esses minimercados de 30 metros quadrados são instalados dentro de condomínios ou locais de alto fluxo. 

Durante uma live no Instagram, a diretora de marketing e novos negócios da rede, Letícia Guilhermino, explicou que a escolha do mix é bastante diversificada e varia de acordo com o perfil de cada endereço - higiene, limpeza, congelados, hortifrúti, adega, fraldas, alimentos, bebidas, refrigerados, entre outros. Ao todo são mais de 800 itens à disposição dos consumidores.

Umas das novas unidades, por exemplo, fica próxima à Lagoa do Taquaral, na cidade de Campinas, espaço onde moradores praticam esportes e atividades físicas e por essa razão, a loja é especializada na categoria voltada ao consumo de alimentos saudáveis, justamente para atender quem frequenta o parque.

"Estamos aprendendo sobre o modelo. Ainda é algo muito novo para nós. A aderência (ao formato Enxuto Aqui) mudou muito com a pandemia", diz. "Mas, até agora aprendemos que tudo bem não oferecer tudo o que todo mundo oferece, mas o que a gente propõe, tem que ser bem executado", diz.

O objetivo até o fim deste ano é inaugurar 11 lojas da bandeira Enxuto Aqui e 1 flagship do formato super, além do lançamento de uma linha de produtos próprios.

Para a executiva, a jornada de compras dos clientes durante a pandemia deixa claro que o consumidor não quer mais perder muito tempo dentro das lojas. Portanto, é preciso apresentar soluções que reduzam os tradicionais atritos com a operação (fila, estacionamento, entregas, e-commerce) e oferecer soluções completas.

A fidelidade, segundo Letícia, é outro ponto de atenção da rede, que tem investido em entender o consumidor e quais são os problemas do dia a dia que a varejista pode ajudá-los a resolver. O surgimento do modelo Enxuto Aqui é um exemplo deste trabalho.

A bandeira de loja de proximidade e o serviço de retirada, ou click & collect, começou em 2018, escutando o que os clientes relatavam durante a jornada.

Por isso, a rede faz todo um trabalho de curadoria para levar os itens de emergência e dia a dia na porta da casa deles com as lojas Extuo Aqui. "O que mais ouvíamos era: quero um Enxuto aqui".

A executiva destaca que a empresa entende que essa é uma tendência global do varejo e que as lojas de vizinhança ganharam relevância em meio à pandemia e a aceitação do modelo é muito satisfatória.

Com o avanço da pandemia, os hábitos de consumo e até mesmo da escolha do local de compra mudaram, de acordo com Letícia. Assim como o momento também contribuiu para que os consumidores ficassem mais atentos a postura de comunicação das marcas.

Foi a partir dessa percepção que surgiu num novo departamento na empresa, o sucesso de cliente, para sempre estar em contato e entender diferentes comportamentos de compra e por essa razão, essa equipe trabalha com autonomia para dar algum tipo de vantagem para o cliente voltar a consumir em determinado canal, explica Letícia.

Além de todo o mapeamento do cliente para oferecer melhores soluções, Letícia esclarece que inovação de fato, não está baseada em dados, e sim em evidências reais, que são descobertas através desse contato pessoal.

"O cliente que reclama está muito a fim de fazer negócios com você, se não ele nem se daria ao trabalho (de reclamar)". 

 

IMAGEM: Divulgação






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