Negócios

Sueca Electrolux compra marcas Dako e Continental de fogão popular


Com venda de marcas e patentes por R$ 70 milhões, Mabe quitará dívida com 1,9 mil ex-funcionários


  Por Estadão Conteúdo 24 de Outubro de 2017 às 08:40

  | Agência de notícias do Grupo Estado


A sueca Electrolux, tradicional fabricante de eletrodomésticos, adquiriu o direito de uso e patentes das marcas Continental e Dako antes pertencentes ao grupo mexicano Mabe.

Com os R$ 70 milhões a serem pagos pelo negócio adquirido em leilão judicial serão quitados débitos trabalhistas de 1,9 mil ex-funcionários da Mabe. A empresa teve a falência decretada em fevereiro de 2016.

 

OPERÁRIOS OCUPARAM A FÁBRICA DA MABE EM 2016

Na época da falência, trabalhadores ocuparam as duas fábricas da Mabe, em Campinas e Hortolândia, no interior de São Paulo, por cerca de dois meses.

Eles reivindicavam pagamento de salários atrasados e a reativação da produção, que estava suspensa desde dezembro de 2015.

O grupo era um dos grandes fabricantes de fogões e geladeiras no País, dono também da marca GE.

Em nota assinada ontem pelo presidente da Electrolux para América Latina, Ricardo Cons, a empresa informa que "a Continental será um ativo valioso para a Electrolux, apoiando o crescimento rentável e sustentável em nossa região".

De acordo com o executivo, "essa aquisição nos permitirá expandir ainda mais nossa presença no mercado, oferecendo excelentes experiências para mais consumidores".

 

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O vice-presidente Jurídico e Relações Governamentais da Electrolux, Camilo Wittica, afirma que o grupo "está avaliando a melhor forma de incorporar as novas marcas para atender o maior número de consumidores."

O diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região e ex-funcionário da Mabe, Cláudio Rabelo, espera que não haja nenhum recurso judicial por parte dos antigos donos na tentativa de suspender a venda.

"Já está na hora de resolver esse problema", diz. "Temos notícias de pelo menos dois trabalhadores que morreram sem receber os direitos".

Dirigentes da Mabe que hoje vivem no México chegaram a obter liminar para suspender o leilão, mas ela foi derrubada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, segundo informa a advogada Carolina Merizio, da Capital Administradora Judicial, responsável pela massa falida.

NOVO LEILÃO

Carolina afirma que o passivo com funcionários a partir de 2013, quando a Mabe entrou com pedido de recuperação judicial (e não cumpriu os acordos feitos na ocasião), soma R$ 73,9 milhões, mas com um saldo já disponível pela massa falida será possível quitar esse débito integralmente.

Outra dívida de R$ 5,9 milhões de ações trabalhistas anteriores ao processo de recuperação judicial não será paga neste momento. Grande parte desse valor se refere a ações envolvendo doenças profissionais.

A Justiça já iniciou um segundo leilão online, que se estende até o dia 10 de novembro, para a venda das instalações das fábricas e maquinário.

A expectativa é de arrecadar mais R$ 270 milhões, montante que será usado para pagar parte dos débitos com fornecedores e bancos que fizeram empréstimos à empresa tendo imóveis como garantia. A dívida total deixada pela Mabe já passa de R$ 1 bilhão, calcula Carolina.

Wittica informa que a Electrolux não pretende participar desse segundo leilão. A empresa tem entre seus concorrentes a Brastemp e a Consul, marcas pertencentes à multinacional americana Whirpool.

CAPACIDADE

Apesar de aliviado pela possibilidade de os ex-funcionários receberem direitos trabalhistas como salários atrasados, férias, décimo terceiro e rescisão de contratos, Rabelo afirma que torcia pela venda total das fábricas da Mabe para que a produção fosse retomada e novos empregos fossem gerados nas duas cidades.

"Com o fatiamento da venda, isso não vai ocorrer", lamenta o sindicalista. Ele lembra que a fábrica de Campinas tinha capacidade para produzir 11 mil fogões por dia. Já a unidade de Hortolândia tinha capacidade diária para 2,3 mil refrigeradores. 

FOTOS: Estadão Conteúdo e Divulgação