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Sua loja já está pronta para a Black Friday?


Data deve movimentar R$ 2,2 bilhões em vendas pela internet, de acordo com uma pesquisa feita pelo Google. O crescimento estimado do varejo online para este ano é de 15% a 20%


  Por Mariana Missiaggia 16 de Outubro de 2017 às 08:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Que todo consumidor se sente, de alguma forma, atraído por promoções já não restam mais dúvidas. No entanto, participar do maior evento de vendas do varejo, a Black Friday, ainda é um desafio para muitos varejistas.

Problemas como a falta de tradição dos brasileiros em relação ao evento, a falta de preparo das lojas físicas e de e-commerces para receber o grande volume de clientes e, principalmente, o fato de que, para muitos consumidores, a ação é considerada uma farsa no país estão sendo pouco a pouco superados devido ao empenho de algumas empresas.

Em 2016, a Black Friday fez os e-commerces faturarem R$ 1,9 bilhão, de acordo com estudo da e-Bit. Para este ano, a expectativa é que esse número chegue a R$ 2,2 bilhões e que as vendas cresçam até 20%.

Como, ano após ano, a data se consolida como uma forte aliada para aumentar o faturamento das lojas no país, é importante se preparar com antecedência em relação ao planejamento de vendas, produtos oferecidos, ações de marketing, negociação de preços com fornecedores e alinhamento da logística do negócio para oferecer uma boa experiência de compra e conquistar novos clientes.

Neste ano, a ação acontecerá no dia 24 de novembro e pode ser uma boa oportunidade também para fidelizar clientes, de acordo com Tiago Girelli, diretor executivo da FBITS, especializada em soluções para o comércio eletrônico.

OFERTAS RELEVANTES

Em meio a tantas dúvidas que ainda pairam sobre essa ação no mercado brasileiro, uma já está bem esclarecida. Se uma loja não está disposta a fornecer descontos realmente relevantes, é melhor nem participar do evento para não ser considerada apenas mais uma fraude da Black Friday.

Girelli recorda que, atualmente, as leis de direito do consumidor estão bem mais atentas a práticas ilusórias, como, por exemplo, subir os preços antes para poder dar um desconto maior e anunciar descontos que não serão realmente aplicados ou que sejam exclusivos a determinado meio de pagamento.

Para Luis Carlos dos Anjos, gerente de marketing institucional da Locaweb, uma campanha de sucesso depende de um bom planejamento e de muita pesquisa.

Ferramentas de e-mail marketing são importantes para manter os clientes atualizados sobre as novidades, promoções e novos produtos ou serviços.

“É fundamental que os consumidores saibam o que acontece no e-commerce. Assim, quando a Black Friday chegar, já haverá uma base trabalhada e engajada”, diz Anjos.

Também pode ser interessante oferecer um cupom de desconto exclusivo para quem está na lista de e-mail marketing ou clientes que já são fiéis à loja, e desenvolver ações específicas para esse público.

BLACK FRIDAY X BLACK NOVEMBER

Girelli diz que um dos erros que muitos lojistas cometem nesse período é o de diluir as ofertas, que deveriam durar apenas 24 horas em 30 dias corridos, ou seja, durante todo o mês de novembro – a Black November.

"É dar muito tempo para o cliente pensar", diz.

Transmitir uma sensação de urgência é uma estratégia utilizada por diversos e-commerces. Cronômetros com contagem regressiva para a Black Friday podem ser instalados no site e enviados por e-mail, por exemplo.

Já no período em que as promoções estiverem no ar, informar sobre a pequena quantidade de produtos em estoque e um cronômetro que mostre as horas e minutos para o fim da promoção é outra forma de influenciar um consumidor.

Para o especialista, as semanas que antecedem o evento devem ser usadas para criar o clima de expectativa e confiança nos clientes de que boas ofertas serão anunciadas. Enfim, criar uma audiência para o dia 24 de novembro.

“Essa extensão de ofertas provoca no consumidor o sentimento de postergar aquela compra e de esperar por preços melhores em outras lojas no dia da Black Friday”.

COMPORTAMENTO DOS CONSUMIDORES

Embora a economia já esteja dando alguns sinais de retomada, os brasileiros ainda estão mergulhados nos efeitos da crise e seguem muito criteriosos quando o assunto é consumo.

A expectativa de Girelli é que muitos estão à espera da data para comprar o que não conseguiram nos meses anteriores e também para adiantar alguns presentes de Natal.

“Muitos varejistas irão recuperar seus números neste momento”.

Na opinião do especialista, celulares e linha branca devem seguir entre os itens mais vendidos e com maior número de descontos. Por isso, provavelmente, o que será decisivo na hora da compra será o menor prazo de entrega.

TRANSPARÊNCIA

Ao mesmo tempo em que os lojistas devem correr contra o tempo, eles também devem jogar limpo com o consumidor. A alta procura por produtos não pode justificar o atraso na entrega e no prazo anunciado no momento da compra.

Um erro comum em diversas lojas online é não considerar o tempo de preparo do envio do produto na hora de calcular o prazo de entrega.

“Isso reflete negativamente na imagem que o consumidor possa vir a ter da empresa”, diz Girelli.

O correto é calcular o prazo de entrega baseado no volume de pedidos que está sendo gerado e pela capacidade operacional de cada empresa.

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