Negócios

‘Só algumas centenas de shoppings devem sobreviver nos EUA’


Para Sucharita Kodali, analista da Forrester, redes médias terão dificuldade para superar crise e devem dar lugar a novas marcas. No Brasil, principal problema, diz, é a dependência de crédito


  Por Fátima Fernandes 07 de Outubro de 2020 às 07:00

  | Jornalista especializada em economia e negócios e editora do site Varejo em Dia


Qual empresário não quer tratar das sequelas e ainda saber das tendências para o seu setor ao enfrentar uma pandemia que paralisou o mundo?

Sucharita Kodali, analista de varejo da Forrester, uma das maiores especialistas em e-commerce e comportamento do consumidor dos Estados Unidos, sugere algumas pistas.

Formada em Economia pela Universidade de Harvard, a analista, que já foi diretora da Saks Fifth Avenue, respondeu algumas perguntas do Diário do Comércio.

 

Como a pandemia afetou a indústria do varejo no mundo?

Existem alguns setores no varejo, os chamados essenciais, que têm se saído muito bem. Agora, quase todo o resto teve desempenho ruim.

Os comerciantes com vendas on-line também têm se saído muito bem, mas, no caso de muitos deles, o e-commerce é apenas uma divisão multicanal das lojas.

E, como as lojas sofreram muito, o comércio eletrônico ajudou, mas não o suficiente para compensar as perdas das lojas.

 

O comércio on-line deu um salto nos últimos meses. Essa taxa de expansão deve se manter?

O comércio eletrônico cresceu talvez alguns anos durante a pandemia, mas o pico das vendas não durará. Os pedidos aumentaram porque as pessoas tiveram de ficar em casa.

Assim que os consumidores puderam ir às lojas, eles foram, e as vendas on-line diminuíram.

Muito provavelmente, as taxas de crescimento do setor devem retomar ao período pré-pandemia, na casa de dois dígitos.

 

No Brasil, as relações entre donos de shoppings e lojistas estão mais tensas. Isso acontece também nos Estados Unidos?

Bem, as lojas não estão ganhando o suficiente para pagar os proprietários, mas os proprietários precisam cobrar o aluguel.

É uma situação difícil para todos. Não há grandes soluções.

Nos Estados Unidos, alguns proprietários estão se oferecendo para comprar varejistas em dificuldades. Outros estão processando as lojas nos tribunais de Justiça.

 

Nos últimos anos, shoppings inteiros estão fechando nos Estados Unidos. Qual é o futuro dos centros comerciais nos EUA? Eles devem diminuir e ou se transformar em centros de distribuição de grandes players, como a Amazon?

Existem 1.200 shoppings nos EUA e apenas algumas centenas são o que chamaríamos de shopping “A” ou bons shoppings, que devem sobreviver. O restante terá que encolher ou mudar modelos de receita ou fechar.

 

Qual é o futuro da loja física? Qual modelo deve sobreviver?

As lojas agora precisam girar para transportar os produtos que as pessoas desejam, se ainda não o fizeram.

Devem oferecer serviço na calçada. Elas devem pensar em novos modelos de receita, como publicidade, se isso fizer sentido.

Algumas podem pensar em transmissão ao vivo de seus produtos ou outros meios de venda ou converter algumas lojas em instalações para atendimento.

 

Lojas de departamento como a Saks Fith Avenue estão encolhendo. Quais irão sobreviver?

Todos parecem estar fechando lojas e ou reduzindo pessoal. Isso não é incomum.  A Macy´s, provavelmente, sobreviverá.

Neiman Marcus acabou de sair da concordata. A Saks ainda não declarou falência. Todos esses são bons sinais de sobrevivência.

Agora, o CEO da Macy´s resumiu tudo isso de uma forma melhor. ‘Os varejistas serão menores e mais alavancados.’

 

Redes de lojas médias, como a Abercrombie e Hollister, tiveram problemas financeiros antes mesmo da pandemia. Há espaço para redes menores como essas voltarem?

Não tenho certeza se essas redes estão mal. Eu acho que estão bem.

Mas será difícil para redes menores resistirem a essa tempestade e saírem mais forte do outro lado. Não vejo um bom caminho a seguir.

Elas podem até ter alguns pontos mais altos lá na frente, mas entendo que os seus melhores dias estão no passado. É hora de novas marcas tomarem o lugar delas.

 

Qual a sua avaliação sobre o varejo no Brasil. Os principais desafios?

Vai depender da fase da pandemia em que o país se encontra, de quão confortável as pessoas se sentem com a retomada de suas vidas e dos procedimentos adotados para mantê-las seguras.

O varejo no Brasil é altamente vinculado ao crédito e, quando as pessoas estão desempregadas ou não têm grandes recursos financeiros, gastam menos.

Isso significa que o varejo sofre tremendamente com uma desaceleração econômica como a de agora.

 

Em geral, o que o proprietário da empresa deve fazer para atrair o cliente e vender o seu produto independentemente de estar no e-commerce ou não?

O lojista precisa vender um produtor que as pessoas querem, definir um preço justo, com base na disponibilidade desse item em outro lugar, e fornecer serviço para os clientes.

A venda on-line ajuda a aumentar o alcance que as lojas sozinhas não podem atender.

 

IMAGEM: NRF/divulgação 





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