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Shopping center: sempre cabe mais um?


Dos nove centros comerciais de Sorocaba, apenas três estão com alta ocupação e mantêm bom tráfego de consumidores. Os demais tentam se reinventar para decolar


  Por Mariana Missiaggia 24 de Julho de 2015 às 08:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


A migração de muitas empresas para o interior do Estado fez com que o olhar de muitos investidores se voltasse para cidades próximas à capital. Sorocaba, a 87 quilômetros de São Paulo, viu cinco novos shoppings abrirem as portas, nos últimos quatro anos. 

Hoje, a cidade ocupa a terceira posição em número de shoppings centers no Estado. São 1.120 lojas para atender 630 mil moradores e outros 1,5 milhão do entorno. Conforme dados da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers), a cidade abriga seis centros comerciais. Campinas tem nove e a capital, mais de 50. 

Considerada a 12º melhor cidade do País para se investir em imóveis, de acordo com o Secovi (Sindicato da Habitação de São Paulo), é possível que classificações como essa tenham sido o maior atrativo para construtoras que causaram um boom de grandes empreendimentos comerciais nos últimos anos.

A inauguração dos shoppings Cidade Sorocaba, do Pátio Cianê e a ampliação do Iguatemi Esplanada, em 2013, somadas à construção de mais um shopping que deve ser inaugurado neste semestre totalizam mais de R$ 1,3 bilhão de investimentos. 

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Partindo dos critérios da Abrasce, existem seis shoppings na cidade: Sorocaba, Iguatemi Esplanada, Villàggio, Plaza Itavuvu, Cidade Sorocaba e Pátio Cianê. Incluídos nesta conta o Panorâmico e o Granja Olga, o número sobe para oito centros de compras em Sorocaba – que terá nove até o fim do ano.

CONSUMO

Com tantos lançamentos, a questão que se coloca é: o potencial de consumo da região é suficiente para absorver esses novos centros comerciais? A resposta está à vista em alguns dos centros listados. 

SHOPPING CIDADE SOROCABA: INAUGURADO EM 2013, MANTÉM PÚBLICO E ESPAÇOS LOCADOS

Os mais antigos Sorocaba Shopping (1982) e Panorâmico (1989) deixaram para trás os tempos áureos. Sem investimentos e grandes atrativos, esses shoppings estão com a vacância em torno de 95%.

Na contramão, o Cidade Sorocaba, Pátio Cianê e Iguatemi Esplanada se consolidaram como os mais frequentados da cidade. Já o Villàggio e o Plaza Itavuvu tentam se reposicionar no mercado abrindo espaço para serviços como consultórios médicos. 

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Geraldo Almeida, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, não considera a quantidade de shoppings na cidade excessiva.

"Um shopping é planejado para um horizonte de longo prazo, ele tem prazo para se consolidar e Sorocaba tem uma importância muito relevante no contexto em que está inserida", diz. 

Luís Augusto Ildefonso Pereira, diretor de relações institucionais da Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings), discorda. Para ele faltou planejamento, pois a indústria de shoppings está bem consolidada no Brasil e raramente casos de vacância se repetem na mesma cidade. 

“Pode ser que tenha ligação com a crise. Em algumas cidades do Brasil houve explosões de shoppings em locais que as cidades não comportavam”, diz. “Para o lojista essa quantidade de opções se torna inviável porque a receita fica comprometida, e seguramente, o custo será maior.“

SOROCABA CRESCEU

O fluxo intenso de pessoas e riquezas promoveu um desenvolvimento rápido ao município e fez com que muitas áreas de chácaras fossem transformadas em zonas urbanas, e com que o poder aquisitivo dos moradores aumentasse, criando um público mais exigente em relação a produtos e serviços. 

De acordo com José Alberto Cépil, presidente da ACSO (Associação Comercial de Sorocaba), havia uma demanda reprimida na cidade, pois muitos moradores recorriam aos shoppings de Campinas e São Paulo para fazer suas compras. No entanto, o fenômeno foi detectado e os investimentos vieram quase simultaneamente. 

CÉPIL, DA ACSO: CENTROS COMERCIAIS IRÃO SE ESTABILIZAR NOS PRÓXIMOS TRÊS ANOS

“Shopping é assim mesmo, existe um tempo de maturação. Acredito que nos próximos três anos tudo esteja estabilizado. No entanto, alguns desses empreendimentos já estão se reinventando para não perder tempo”, diz.

Mesmo diante das vacâncias, Cépil não acredita que o mercado local esteja esgotado para empreendimentos desse tipo. Para ele, os consumidores estão inseguros com o momento político e econômico. 

“O comércio de rua de Sorocaba é muito forte, mas não impede que tenhamos esse número de shoppings. Esse ano está muito difícil para todos. É atípico e não pode ser parâmetro.”

Cépil também destaca que construir um shopping center exige alto investimento, planejamento prévio, análises de mercado, da região e dos potenciais consumidores, portanto se trata de uma decisão sobre bases sólidas.

MAIS UM PARA A LISTA 
  
Ainda esse ano, mais um shopping será inaugurado dentro de um complexo na região do Cerrado, em Sorocaba. O Tangará Shopping fará parte do complexo Boulevard Tangará, com um edifício comercial e outros três residenciais. 

O empreendimento deverá atender as faixas de público A e B, e terá uma área verde de quase 10 mil metros quadrados integrada ao espaço gastronômico do local.

Serão 200 lojas, com cinco âncoras, um supermercado, seis salas de cinema, quatro restaurantes e academia de ginástica. Com investimento estimado em R$ 500 milhões, o centro comercial deve ter um volume de vendas de R$ 300 milhões ao ano e circulação de cerca de 25 mil pessoas por dia. 

 

 

*Foto: Thinkstock