Negócios

Série do Diário do Comércio retrata empreendedores da metrópole


A história do comércio de rua se confunde com o dinamismo paulistano. A cidade completará 462 anos na segunda-feira (25/01)


  Por Redação DC 22 de Janeiro de 2016 às 11:44

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


 

A partir de segunda-feira, quando São Paulo completa 462 anos, o Diário do Comércio iniciará a publicação de uma série com depoimentos de empreendedores paulistanos.

São eles os personagens reais que escolhemos para comemorar, durante a semana, o aniversário da metrópole. Atrás do balcão -como a série foi batizada -eles resistem com seus negócios a toda sorte de pressões: da preocupante recessão que hoje castiga o varejo às mil e uma burocracias e regulações tributárias impostas pelos poderes públicos.

E é nesta resistência dos pequenos e médios comerciantes que, de geração a geração, melhor se expressa o autêntico espírito empreendedor que constrói o capitalismo brasileiro -emprego, oportunidades e progresso.  

O foco se se justifica quando se conhece o papel preponderante da trajetória histórica da metrópole e as relações relativamente tranquilas entre a presença das lojas e a maneira pela qual a população foi desenhando o traçado da cidade.

São Paulo nasceu minúscula e permaneceu bem pequena até a segunda metade do século 19. O comércio se limitava, até então, aos remédios e alimentos, aos tecidos e calçados ou a outros poucos produtos industrializados.

VIADUTO DO CHÁ, 1902/Arquivo ACSP

O comércio paulistano floresceu no chamado “triângulo”, formado pelas ruas Direita, São Bento e Líbero Badaró. A região manteve seu dinamismo até por volta de 1950, quando a cidade chegou aos 2,2 milhões de habitantes.

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É para lá que convergiam para a compra de produtos mais sofisticados os moradores do cinturão não muito extenso de bairros localizados ao redor do hoje chamado “centro velho”.

LARGO DO ROSÁRIO/ACERVO ACSP

E também de núcleos urbanos espalhados pelo município, como Pinheiros, Lapa ou Penha. Osasco era na época ainda um simples bairro, e Santo Amaro aparecia como município separado, com prefeitura e câmara municipal próprios.

Foi no centro velho que surgiu em 1904 a primeira loja de departamentos, a Casa Alemã, com seus três andares na rua Direita. Ou ainda o primeiro letreiro de iluminação elétrica, com a Casa Hamburguesa, na rua 15 de Novembro.

Foi nesta última que em 1913 foi aberta a Mappin Stores, que atravessaria em 1939 o viaduto do Chá e atrairia outros estabelecimentos de comércio, formando o hoje chamado centro expandido.

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A rua Barão de Itapetininga, a Joalheria Loeb e a Casa Los Angeles estiveram entre as primeiras a conquistar o novo território.

Mas o centro velho preservava algumas tradições, como a dos cafés e confeitarias – a Castelões e a Brasserie Paulista, na praça Antonio Prado, o Café Guarany, na 15 de Novembro, e a Fasoli, na rua Direita.

A integração entre as lojas e confeitarias criava no centro paulistano um conjunto de ruas e praças como espaço de trabalho, compras e passeio.

Cristalizou-se também uma geografia étnica com a imigração de italianos, espanhóis, judeus da Europa Central, sírios e libaneses canalizou novas ideias e ampliou o comércio a partir dos anos 1920. A esse núcleo se juntou recentemente a comunidade coreana.

O paulistano só começou a passear dentro de um shopping center em 1966, quando foi aberto o Iguatemi – o segundo shopping, o Ibirapuera, viria mais de dez anos depois. Com eles, as ruas passaram a perder segurança e prestígio.

O comércio de rua vivenciou quatro ou cinco gerações de lojistas que tinham uma visão muito apurada sobre o perfil das preferências e evolução dos estilos na freguesia que serviam.

São esses os empreendedores anônimos que o Diário do Comércio irá mostrar. São eles que ainda se fundem à clientela para montarem comunidades com uma geografia definida, com cumplicidades comuns e uma cultura urbana sempre um pouco diferente da cultura do bairro vizinho.

É a São Paulo das padarias e das lojas de material de construção, das papelarias e armarinhos, das sapatarias e lojas de confecções, dos armazéns de secos e molhados (ainda existentes) às docerias em que os donos marcam presença nos fornos e balcões.

 





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