Negócios

Sem negociações em shoppings consolidados, lojistas buscam opções


Os centros comerciais novos, que têm pouco fluxo e alta vacância, são as alternativas para marcas que buscam expansão


  Por Thais Ferreira 28 de Novembro de 2017 às 08:00

  | Repórter tferreira@dcomercio.com.br


O varejo começa a dar os primeiros sinais de recuperação.  

De acordo com a análise apresentada em recente reunião do Conselho de Varejo da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o setor fechará o ano de 2017 com alta de 1%.

O volume de vendas do varejo restrito -que exclui veículos e material de construção -deve crescer 1,5% no mesmo período.

Se a economia já começa dar os primeiros sinais de melhora, as negociações entre lojistas e shoppings continuam tensas, o Diário do Comércio retratou nas reportagens “Há um movimento de seleção natural nos shoppings: como sobreviver” e “Conflito ainda marca a relação entre shopping centers e lojistas”.

Para os lojistas, negociar os preços de aluguel com os shoppings consolidados – como Higienópolis, Iguatemi, Tatuapé e Anália Franco –tornou-se uma tarefa quase impossível.

Algumas redes conseguem alguns descontos provisórios, mas no geral as administradoras estão pouco dispostas a ceder.

Com isso, o movimento de entra e sai de lojas continua. Do outro lado, os shoppings fazem de tudo para evitarem os tapumes nos corredores.

Há shoppings promovendo atualmente feiras de artesanato ou atividades de recreação infantil para ocupar espaços.

Outro fenômeno que surgiu com a alta da vacância foi a proliferação de cafeterias.  Com espaços menores e custos reduzidos, elas se espalharam pelos shoppings. Mas com tanta concorrência, poucas conseguem obter lucro.

Para continuar a expansão das redes e negociar melhores preços, os varejistas estão de olho principalmente nos shoppings que ainda não estão consolidados –empreendimentos novos com grande vacância e ainda pouco fluxo de clientes.

Um caso recentes é o Cantareira Norte Shopping, inaugurado no primeiro semestre de 2016, que abriu as portas com apenas 80 das 135 lojas.  

Os episódios se repetem Brasil afora: shoppings que abriram ou foram reformulados no auge da crise e que não possuem um mix de lojas de lojas capaz de atrair um grande público.

A ideia, nesses casos, é criar uma equipe colaborativa. Os lojistas –tanto os que já estão nesses centros comerciais, quanto os que desejam entrar –querem unir forças com a administração desses shoppings para, em conjunto, estimular a frequência de consumidores.

Um dos pontos vulneráveis, apontados pelos lojistas, são as ações de marketing. Há shoppings que fazem ações muito fracas em datas importantes, como o Dia das Mães e Natal.  

Outra medida que ajuda a engrossar a clientela é a isenção do valor do estacionamento durante alguns meses.  A estratégia, que já vem sendo adotada por algumas administradoras, mostrou bons resultados.

FUTURO DO VAREJO

Se a negociação e vacância são conflitos do presente. Nelson Kheirallah, vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e coordenador do Conselho de Varejo da entidade, já está pensando nos problemas dos próximos.

 “Acredito que não mais do que 30% do espaço de um shopping será voltado para o varejo no futuro”, afirma Kheirallah. “Os shopping se tornarão mais um centro de convivência e conveniência. Esse fenômeno já está acontecendo em todo o mundo.”

Os centros comerciais terão de se reinventar para continuarem sobrevivendo a era da internet.

De acordo com Pedro Guasti, presidente da consultoria eBit e convidado do Conselho de Varejo, o movimento nos shoppings está em declínio nos Estados Unidos.  Já o e-commerce continua em ascensão.

“Lojas como a Sears e Macy’s viram seus faturamentos caírem, enquanto as da Amazon continua crescendo”, disse Guasti.

As lojas virtuais movimentaram US$ 2,5 trilhões no ano passado – o que representa 7% do varejo mundial.  

Nos últimos quatro anos, o comércio eletrônico brasileiro cresceu 88% e faturou R$93,5 bilhões em 2016, de acordo com o relatório da eBit. A participação do e-commerce no varejo é 5%.  

O número parece pequeno, mas as perspectivas são de crescimento nos próximos anos. 

Além disso, a internet se tornou uma das ferramentas mais importantes para a consolidação de vendas. De acordo com Guasti, mais da metade dos clientes realiza buscas online antes de realizar uma compra no varejo físico.

“O varejo está em transformação, os clientes já são omnichannel”, diz Guasti. “Não existe mais diferenciação entre online e offline”.

 FOTO: Thinkstock